quinta-feira, 25 de junho de 2015

Vai Me Se

Vai

Vai desafinar meus sonhos
Vai esperar o não-destino
Vai cair  águas sem dono que aguardam o silencio da noite
Vai ser essa lua que não perdoa.
Vai mostrar para alguém um certo caminho.
Vai mais uma vez  o coração seguir sozinho.
Vai tudo transbordar mais forte porque não se respeitou o sentido.
Vai fingir a paz em meus sorrisos


Me

Já me lanço em mais um dia.
Não me basta contar só comigo
Vou me permitir chorar
Pra me arrancar os limites da alma
Sei me errar com alegria



Se

Se  quiser eu danço
Se deixar, sou o sol brilhando na esquina
Se perderá meu corpo no interior da vila
Se revelarão os cheiros que chegam com o vento
Se descobrirão a crença da crença da fé
Se compreenderão os não ditos
Se tudo for mentira
Se precisar, eu acredito.


quarta-feira, 15 de abril de 2015

quarta-feira

Você nunca saberá
Da pólvora que me consome
Dos cálculos que faço
Dos jeitos que dou
Dos meios que encontro
Das conclusões que tiro
Das histerias que sinto
Dos detalhes que me brotam
Das tristezas que falam

Você só saberá
Do meu olhar que brilha
Do meu sorriso que acende
Da minha fala mansa
Do meu desejo latente
Dos meus sonhos próximos
Das minhas perguntas ingênuas
Das brincadeiras que faço

Mas não serei menos eu 
Nem te ocultarei nada
Tem certas coisas que ficam apenas dentro

 E quando eu estiver longe, por qualquer motivo
Não me deixe ir embora de vez, por favor!
Corra atrás de mim e diga que me quer
Diga que muito me quer, que eu voltarei
Eu sempre voltarei enquanto  eu puder sentir, enquanto puder chorar, enquanto puder me expor, enquanto puder errar, enquanto puder dizer, enquanto puder.

Eu sou a guitarra chorosa na meia noite fazendo um blues
E jamais saberei o que  eles pensam de mim
Só posso olhar dentro dos olhos
Que superam as dores

E suportam o amor.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

CAFEZINHO



E disse que não gostaria de ouvir tal brincadeira
Mas se era brincadeira, ela não poderia se sentir culpada
Nem sempre é de malícia que se faz uma conversa
E a censura do pensamento pode chegar atrasada
Não aturaria um irritar de egos naquelas alturas

Era grande e forte naqueles segundos
Estava aprendendo com os acasos o tamanho de seu valor
Saiu em trovoada, deixando-o falar sozinho
Plena de um caminho virtuoso
Fechada a cara, cheia de si
Depois de uma intimidade plena
Os dois seriam estranhos por alguns minutos

Mas tudo se derrete em caldas de ternura
Quando ele, como quem quer pedir perdão de um súbito algo
Lhe oferece um tímido cafezinho feito na hora
E ela aceita com um sorriso de quem diz, ainda te amo

No carinho sem palavras se desfazem os maiores vulcões.




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Lumiar




que aceitar perder para não se machucar
pode ser bom até o sol se levantar
e quando descer vou raiar, vou renascer
e retomar a força nas montanhas em Lumiar
e retomar as forças lá no alto  do meu olhar
onde a lua brilha para quem quer se espelhar
onde o tempo passa sem saber que passará
e agora eu vou embora
para nunca mais a mesma voltar


cantarei nas águas pra se ir, pra me deixar
pisar entre as pedras e me levar
entre o fluxo do rio até o mar
entre os ventos nas folhas pra me soltar
voar para longe, fazendo a memória mais leve
e que tudo possa se renovar


Quando o choro cai germina a terra
terra que saberei onde pisar
para novos passos me fazer recomeçar
para novos passos serem passos de dança
e eu voltar a sorrir
e eu voltar a amar




quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Ao lado dele ela reflete toda a sua vida. Como ser leve na estação? Quando escolhemos parar e ficar. E como ficar? E ela chorava porm não conseguir ser o que quer, ser o que é, por pura covardia. Por não se calar para não sofrer. Mas sofrer é também o silêncio. Então sai para a janela da sala, onde vê as estrelas.

Ó estrelas dai-me uma resposta! Uma que me conforte e que estejam todas as soluções. As estrelas estão ali vendo tudo tanto tempo. Mas ela tem medo das respostas. Porque não está preparada para encarar. Mas quando estamos?

E deita na rede para lembrar de outras dores. E como não se repetir. Como dizer as coisas na medida? Como se faz para parar na estação e lá ficar? Como nadar no fundo desse oceano? Enquanto isso ele dorme ileso.  Nunca saberá do todo que é ela.

E tudo o que queria era que seu sorriso comparado com um bater asas de borboletas, fosse mesmo um voo. Porque é mais intensa que pode. E mesmo que foge, é impossível escapar.
Volta para a cama, fecha os olhos, mas... E gostaria muito que ele acordasse. E gostaria muito que ele a visse de lado, costa nua e a acariciasse na calada da madrugada.

Quanta água existe entre dois oceanos? Porque lidar com suas questões é abrir uma porta de medos dentro de seu coração. Entende que só somos movidos por afetos. E somos capazes de inventa-lo em rios escassos para nos iludir de amor.


Desiste e bebe água. Tenta fazer o máximo de barulho possível para ele acordar. E como alguém pode dormir pesado ao lado de uma mulher inquieta? E se sente muito disponível para ele. Isso a torna pequena. Mas não consegue agir diferente, porque espera a melhor hora para dar fim ao silencio. Com todas as implicações que a comunicação tem.

E tudo o que ela queria ouvir era o "não". Você Não tem razão. Você Não vai sair por essa porta. Você Não é responsável por isso. Não é você.  Não é verdade que eu não te quero. Não!

Em busca de um "não" ela tentou todos os "sim".
Que para viver o presente é preciso desapegar do passado e só assim teremos futuro.

E enquanto eu espero uma reviravolta, se é que ela virá, escuto, escuto, escuto música, pianos, o que me faz acalmar.

Nessa história queria ser eu também escritora e mudar todos os perfis de personagens.
 E precisou ouvir palavras deles. Palavras tão cruéis, precisou ouvir para ter certeza que não estava sofrendo por ilusão. precisou ouvir para entender que não estava insana. E demora para aceitar as palavras. Resiste. Encontra desculpas para ele. Encontra desculpas para ela. Mas as palavras foram tão cruéis, porrada invisível, dores reais, reverberam no corpo ao longo dos dias, a cada segundo. Um dia vai passar, junto com a saudade. Ou não.

Se isso fosse uma ficção, escreveria um lindo final, uma grande virada, com todas as carruagens e sinos e céu estrelado com uma lua de fazer chorar.

Ele bateria em sua porta e se abriria como nunca, e mostraria sua alma
e ela retribuiria com o todo que ela é...

se fosse ficção... ela nem estaria escrevendo essas palavras...

E agora sinto medo de chegar em casa.  A conhecida sensação do peito apertado, o coração agressivo.
E o choro...
 A vontade de voltar atrás... O arrependimento de um ato que era pura lealdade
E a pergunta da dúvida.

E o medo se  espalha do rio pro mar.
Eu chego no limite, ligo querendo receber resposta, sabendo que ela não virá.

Mais uma vez... Sou eu... Sou eu? Sou.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Maluca Careta Insana Feliz

Eu devia estar agora trabalhando para conquistar o mundo
Fazendo um projeto bárbaro, magnifico, enlouquecedor
Mas o agora passa rápido e eu só consigo pensar em grandiosas pequenas coisas
como tomar sorvete de mãos dadas com alguém pra chamar de amor
E nao fazer esforço nenhum, além do próprio esforço de respirar e olhar
como se fosse um bebê reparando nas cores do sabor.

Dizem que eu sou careta, uma mulher que não fuma, não bebe não cheira
mas vivo de vender palavras num mundo onde só se compram cremes, eletrônicos e remédios para aplacar a dor.
Então mais careta são aqueles que  precisam recriar isanamente ideias de coisas inalcansáveis, um motivo qualquer para viver.
 Mas eu sou de carne e osso e sangue quente das arábias
intensa e impulsiva
animada e deprimida ao mesmo tempo
porque sou real
e eu direi "não" para tudo o que me prende, me aprisiona do meu próprio ser
mesmo que me custe a alma, ou a solidão eterna, mesmo  que me arrependa dois segundos depois.
E lutarei como o meu "eu" de ontem o tempo todo
para o ontem não me destruir no hoje, onde eu quero mais é ser rebelde.
Se rebelde for querer ser simplesmente feliz






terça-feira, 18 de novembro de 2014

Ao mesmo tempo

Porque tenho me atropelado mais que posso
Com medo sem sentido da passagem do tempo
Pensando que minha pele está envelhecendo a cada gole de gás de cola zero
Porque atento demais para futilidades
E leio as sutilezas de colegas invisíveis
Que me ensinam que não posso perder certas palavras
Aquelas que me aprofundam em abismos particulares
E quando o caminhão passa sobre minha pele
Eu grito para meus amigos concretos me salvarem da cama
Me tirarem da exaustão
Que me façam olhar além
Eu queria ser polvo para meus braços acariciarem vários amores ao mesmo tempo
E ao mesmo tempo é algo tão pesado
Queria eu ressuscitar Manoel de barros
Ou a época  de vazios ao vento
Talvez  ela nunca existiu
Porque a alma é toda feita de desejo
E eu só posso seguir em frente
Pra me afastar de mim

Sendo eu mesma cada vez mais.

sábado, 11 de outubro de 2014

Galápagos

Terminei um texto que rasgou a pele da minha alma
Que revelou em mim vulcões escondidos
Que me fez reolhar o mundo e me repensar
E criei novas fontes de águas  além dos olhos
Me redescobri ainda mais intensa
E por ser tão intensa, me quero mais leve
Agora vago flutuando essa semana pós o ponto final
E cuido para todo o mar revolto em meu sangue
Não extrapole para territórios distantes
Nao importa a tartaruga
E sim o meu abismo
Galápagos




domingo, 5 de outubro de 2014

campo aberto

Que se ela deve ser encontrada dentro da gente
Da maneira mas íntima
E como explicar essa dor toda que interrompe o dia?
Que a histeria possa morrer para não matar os poros da minha pele
Ser pleno e atento
Nas respostas fragmentadas
E quem nos vela?
De cima.
Oh grande senhor.
Oh grande mistério.
Nos diz que é assim mesmo!
O que seria evoluir?
E reencontrar um lugar, uma essência.
Responda, oh , oh, oh!
Como não se apegar às coisas que hora são tão lindas
E ao mesmo tempo tão cruéis
E como não se desconectar de si mesmo
Quando a falta fica maior que a plenitude?
Quando o acumulo de traumas vêm como um tsunami
E nos lembra de sentir medo, que atraem pesadelos perdidos no tempo.
E como alcançar o coração do outro com o nosso coração
E os tempos desiguais pedem calma
 Pra sintonia ser conexão de almas
 As vezes é rock n roll
 Eu sou chorinho de final de tarde
E agora preciso sorrir para disfarçar
Um intensidade de choques elétricos que sou
E o que é humanidade
Se muitas vezes somos todos animais
Disputando territórios subjetivos

E choro.