domingo, 4 de fevereiro de 2018


Não subestimes minhas lágrimas
Elas nunca caem à toa
Elas vazam quando os olhos, a fortaleza da alma, fragilizam
Viram os cristais mais límpidos e raros.

Não subestime meu coração
Ele bate abertamente
Te amou sem prestar atenção no chão.
Te desejou sem pensar no futuro.

Não subestime meus sentimentos.
São pedras na forma bruta tentando vestir a máscara de proteção.
São a solidão quando cai a noite e a coragem quando levanta o dia.
Se escondem por trás de um sorriso, se revelam na frente dele.

É incrível como o roteiro perfeito se desfaz rapidamente
Os planejamentos são metáfora de um sossego inexistente
Me apego no sorriso mais lindo que a vida me presenteou
Sou a mulher-deusa, humana e imperfeita

E que assim seja
E que assim cresça
Que assim permaneça

E prevaleça.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Luz


Tudo bem
Podemos avançar
Através desse ser
Que surgiu de um real desejo
Chegou para iluminar
E só por ser, ensinar 

A mim e a você

Hamlet

Eu tinha a Fatinha. Sim, eu tinha, tinha, a Fatinha. E ela tinha a mim. O que mais me lembra na Fatinha, eram os olhos, como brilhavam. Eu a chamava: Fatinha dos olhos que brilham. E eram meio puxados, os olhos. Ela também vivia sorrindo. Eu era apaixonado pela energia dela. Eu era apaixonado por ela. A Fatinha morava com a família num apartamento bem pequeno do meu prédio. Um apartamento desses de sufocar a alma. E por isso ela vivia o tempo todo fora de casa, olhando o céu. Respirando profundamente. Para mim ela aliviava o coração. A gente se encontrava depois da escola e ficava no alto de uma pequena colina na margem do fim da cidade, vendo o entardecer. Na nossa cidade, o por do sol era o mais bonito do mundo. E olha que o mundo é grande. Cada instante ele nos surpreendia mais. Era a melhor hora do dia. Era a hora que a gente compartilhava sonhos.  A Fatinha queria ser astronauta. Para ficar mais perto das estrelas, morar no céu e respirar direito. Eu queria ser médico para cuidar da Fatinha caso ela precisasse de alguma coisa e tivesse que descer do céu. A gente foi crescendo e a Fatinha foi deixando de olhar para o céu, de olhar para o por do sol, para mim. De olhar. Aí, do nada, ela me disse que desistiu de ser astronauta. Eu não entendia. “Por que, Fatinha?” E ela respondia: “Olha para mim! eu não posso! Eu não devo!”. “Por que, Fatinha?” ”Olha para mim ! Eu não posso! Eu não devo!”  “Eu não posso, eu não devo.” (pausa) Ela casou com o Antônio, o filho do coronel. A festa foi na hora do por do sol, num imenso jardim florido. Eu estava lá. Ela me convidou . Mas não olhou para o céu, nem para o sol. Nem para mim. Não olhou. Ela foi morar na maior casa da cidade, que ficava na maior fazenda da região. Eu achava que ela era muito feliz agora que tinha todo o espaço do mundo. E olha que o mundo é grande. Um dia, eu soube que Fatinha se matou. Se enforcou na corda do banheiro do chuveiro. Fatinha, a menina do sorriso mais lindo e dos olhos brilhantes, se matou com a  corda do chuveiro do banheiro da maior fazendo da região, em meio a todo espaço do mundo. E olha que. E eu... Eu já tinha desistido de ser médico. E eu... E eu ...

E eu odeio levar choques. Eu odeio levar choques, eles me estrangulam, eu sinto a garganta se fechar, eu ouço os órgãos do meu corpo mexerem. Eu não suporto mais levar choques. Eu não sei quando eles começaram e porque começaram. A cidade é pequena, eu conheço quase todo mundo e ninguém me conta, ninguém me responde, como é que foi que eles começaram. Eu lembro da minha mãe. Ela tinha um aquário e eu ajudava a cuidar dos peixes. Me lembro que ela me alertava para o choque e um dia eu levei choque no aquário que tinha uma corrente elétrica. Acho que foi ali que começou a minha vida de choques. Eu não me lembro mais o que aconteceu. Até hoje eu... Até hoje eu...

Até hoje eu olho para o céu e converso com ela. A Fatinha. Como se ela tivesse virado astronauta e tivesse entre as estrelas acenando para mim. Um dia ela vai descer e eu poderei cuidar dela, como combinamos. Fatinha está lá, sorrindo no por do sol mais bonito do mundo. E eu... E eu...

E eu brincava com o Rogerio de se esconder na barraca improvisada e fingir que a gente estava no meio de uma floresta selvagem perdidos e sem alimentos e íamos ter que caçar e enfrentar onças. A gente se divertia. Nossa cidade era quente, mas a gente colocava casaco para fingir que estava com frio, de noite, no meio da floresta selvagem. A gente também se comunicava por uma radio imaginaria, para pedir resgate imaginário. E o Rogério era muito gente boa. Ele era muito gente boa. O sonho dele era ter um carro igual do nosso amigo Antônio, o filho do coronel. Não era um carro. Era O carro. Mas o Rogerio, jamais ia ter aquele carro, a não ser que... Eu nunca entendi como o Rogério virou traficante e se viciou em craque. Ele era muito gente boa. Muito gente boa.  A foi crescendo e o Rogerio me deu de presente um livro no dia do meu aniversario. Era a peça Hamlet. Hamlet? Que porra é essa, Rogério? Eu lia e não entendia nada. Ele me falava de ser. De existência. Eu achava que era o efeito das drogas, mas ele olhava nos meus olhos e dizia: “não! Não é isso! Não é isso!” e ficava alterado, seu rosto vermelho horas, ficava muito alterado “não é isso! Não é isso!”. Eu o amava muito, ele era muito gente boa,  e não gostava de ver ele tão vermelho, parecia que ia explodir. Uma vez, numa dessas brigas, ele estava tão vermelho que  para calar sua raiva, eu o beijei na boca. (pausa) E ele me deu um soco na cara: “porra, cara, ta maluco, ficou maluco, ta maluco?” Eu disse que só queria calar a boca dele, para ele não explodir, porque o amava. Ele nunca mais falou comigo. Eu tentei ler o Hamlet de novo e acho que entendi mais. Eu queria dizer para ele que entendia mais do Hamlet, mas ele nunca mais falou comigo. Nunca mais. Meu professor de catecismo soube do beijo, até hoje eu não sei como, e me mandou rezar cinco dias seguidos. Eu também não entendi, principalmente depois que ele me mandou repetir o beijo com ele, mas eu não repeti, porque eu não o amava. A minha professora de matemática também soube do beijo , eu também não sei como, e chorou na minha frente depois da aula, quando a gente estava sozinho na sala. “eu estou decepcionadíssima com você”, ela repita essa frase gritando. Eu ficava desesperado de ver ela chorar até que  ela me agarrou e tirou a minha roupa e colocou meu pau dentro do sexo dela e começou a se mexer e eu gozei. Fiquei cinco dias lendo Hamlet, tentando entender um pouco mais das coisas.

Um dia  eu soube que meu amigo Rogerio se matou de tanto craque dentro do carro que ele conseguiu comprar, igual a do nosso amigo Antônio, filho do coronel, casado com a Fatinha. E eu li o Hamlet mais cinco dias e eu ... entendi um pouco mais. E eu chorei e quase morri. Decidi sair da cidade, mas minha mãe disse que se eu fizesse isso,  ela ia morrer de solidão. Esse foi outro choque.


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Então eu acordei sobressaltado. Dentro de mim voava os órgãos por todos os lados . Eu estava tão cheio de vida que nada me bastava, então me concentrava em todos os detalhes do mundo. Porque meu coração estava disparado de tanto querer. Eu começo a entender que o amor é uma coisa que eu guardo e mostro o tempo todo. Eu o conquistei quando nasci e ele anda comigo aonde eu for. As vezes algo me provoca  a coloca-lo para pra fora.  Algumas horas eu perco o controle, porque eu não sei muito a medida das coisas. Algumas pessoas se assustam e fogem. Algumas não. Todas as pessoas se assustam e fogem. Todas. Eu aqui, não consigo olhar nos olhos de ninguém. Nos olhos. De verdade. Eu aqui... Eu procuro, eu busco. Talvez eu nunca mais as encontrarei de verdade. Agora eu vou ficar triste, e não sei quanto tempo isso vai durar. Eu tenho medo da minha tristeza, pois é quando eu afasto o outro de mim. Eles escutam meus gemidos de dor, angustia, minhas pontadas no peito que escapolem a qualquer hora do dia, eu não posso controlar isso. E não me entendem, porque não há nenhum motivo aparente. Aparente. Eu acho que é porque eu amo demais e todo esse amor não cabe no mundo. E meu peito dói, o ar passa por fora da garganta e eu crio um espaço inflado no meu corpo. Eu começo a morrer de tanta vida. E todo mundo percebe. Eu tento me esconder, mas são as horas que eu mais apareço, apareço de tanto existir de verdade. E a coisa que mais me assusta é ficar sozinho. E a coisa que mais me assusta é ficar sozinho. E a coisa que mais me assusta é ficar sozinho. Eu disfarço. Pronto, agora estou sorrindo. Agora estou ótimo. É melhor que me vejam assim. Estou perfeito. Minha vida é perfeita. Eu tenho uma casa. Eu tenho um carro. Eu tenho filho. Eu tenho uma casamento estável. Eu tenho saúde. Eu tenho aposentadoria, plano de saúde, canal a cabo, internet, aplicação no banco, mei, inss, pis. Pronto. Agora eu sou perfeito. Estou dentro. Totalmente dentro. Já vão começar a sorrir para mim de mim. Já vão começar a se aproximarem de mim de novo. Talvez me convidarem para suas festas de aniversário, ou churrasco de bodas e chás de fraldas nos domingos a tarde a céu aberto no jardim de algum parque desta cidade. Que lindo!
Ainda assim vou procurar em cada canto, alguma espécie de pessoa que encaram o universo como eu. Me olham nos olhos e viramos cúmplices. A gente ri em silencio em  fagulhas de segundo de sonhos reais .









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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

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Então eu acordei sobressaltado. Dentro de mim voava os órgãos por todos os lados . Eu estava tão cheio de vida que nada me bastava, então me concentrava em todos os detalhes do mundo. Porque meu coração estava disparada de tanto querer. Eu começo a entender que o amor é uma coisa que eu guardo e mostro o tempo todo. Eu o conquistei quando nasci e ele anda comigo aonde eu for. As vezes algo me provoca  a coloca-lo para pra fora.  Algumas horas  eu perco o controle, porque eu não sei muito a medida das coisas.
Alguma pessoas se assustam e fogem. Talvez eu nunca mais as encontrarei de verdade. Fico triste, mas passa. Me interessam mesmos as  outras, que encaram o universo como eu. Me olham nos olhos e viramos cúmplices. A gente ri em silencio em  fagulhas de segundo de sonhos reais .

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Ao mesmo tempo

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A revolução interna não acontece na sequencia das coisas ordenadas metodicamente pela vida que segue.
E o arrebatamento ao mesmo tempo, que te eleva e te testa com todas as forças, pelos poros e as veias, pelos gestos e pensamentos, chacoalha e reverbera a cada instante.
Nos segundos intensos te faz metralhar passados recentes para dar espaço ao concreto presente em cada novo gesto repleto de sentimento.
O coração bate feito a voz que sai no canto querendo respirar para além corpo e invadir o espaço feito pássaro eterno.
A sombra e a Luz te habita ao mesmo tempo com a mesma intensidade.
Acorda-te e olha para o céu. Encontre os pontos que mudarão seu olhar para ti mesmo.
Encontre as frestas que farão pensar por novos caminhos. E que esses caminhos te encham de confiança, te encham de solitute. Te encham de você por inteiro, ao mesmo tempo que metralhas seus medos.  Te deixe perceber que sempre será ao mesmo tempo. Sempre. E que seja mesmo. E que seja em frente.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A encruzilhada

Estava caminhando quando se deparou com dois caminhos
Olhou várias vezes para cada um deles.
Ficou horas no meio, escolhendo qual deles seguir
Teve momentos que pisou com firmeza em um.
Era o mais iluminado, de linha reta e uma estrada longa e chão plano.
Chegaria mais rápido, em algum lugar, era evidente.
Mas recuou.
Olhou para o outro.
Não era tão iluminado e tinhas muitas curvas. Subidas e descidas. E muito mistério.
Não dava para ver após a primeira curva.
Demoraria mais tempo a chegar em um lugar, era evidente.
Fez um esforço: olhar para dentro de si.
Se viu, se ouviu.  Respirou.
Seria mais fácil ir correndo em linha reta.
Mas pegou o caminho das curvas, subidas e descidas.
Sabia que mesmo demorando mais tempo
Precisava confiar na sua força de saber chegar
Sem saber o que virá após a curva
Porque não importava o tempo curto
E sim a qualidade dele.
Seguiu.


sexta-feira, 8 de julho de 2016

A cidade disfarça em cores e arquiteturas modernas
As dores dos espíritos
Pelos sangues jorrados dos povos indígenas
E até aqueles que não sabem chorar
Se  debatem sobre travesseiros
Nem o verão  mais quente aquece
A frieza dos desalmados


quinta-feira, 7 de julho de 2016


Em campos grandes com jeito de cidades pequenas
Sou forçada a orar por mim
No espelho o reflexo de passados recentes
Surpreende as novas marcas do corpo
Que clamam para não passar da hora
Antes que o presente sucumba de medo
De sonhos estranhos
Paralelos do por do sol
O coração que é sábio
Me desacelera
E renovo a cada instante

domingo, 19 de junho de 2016


Quando de repente foi arrebatado de lembranças,
Segundos depois, a água escorreu dos olhos.
Deixou.
A correnteza passou deixando um espaço livre.
Olhou de novo a janela
Eram as possibilidades
De dentro.

sábado, 11 de junho de 2016

“Bom dia” na multidão de uma noite fria.



E a gente que estava juntos, deitados, numa noite dessas, vendo o filme dos Irmãos, na plena intimidade que se espalhava pelos corpos, protegidos da rua, da noite, do mundo, na falsa proteção de nós, expondo o melhor  e o pior um do outro, no paraíso do apartamento, no detalhe de uma conversa fútil e profunda , de insights e sorrisos. E de uma hora para hora, num corte seco do tempo, temos a capacidade de fingir a não intimidade de forma excepcional. O paraíso se torna o inferninho da multidão, numa noite fria de encontros, nos deparamos com nossos olhos que não olham nos olhos e comentamos superficialmente sobre tudo o que não sabemos fazer, para mostrar qualquer espécie de educação em meio a mutilação da civilidade :   Oi! Oi! (tempo, olhos não nos olhos) Cheguei agora. Legal. Eu já tô aqui há um tempo. (tempo, olhos não nos olhos) Bom, vou lá. Aniversário... Tchau. E a saída forçada de cena, tentando eliminar a memória recente de um lugar sólido, desmanchado no ar. Somos seres infelizmente aptos a ir contra a natureza, a ir fingir o conforto no desconforto, a acreditar que nunca fomos íntimos, nos apoiando na ideia realista de que nunca mais seremos.   Mas o que alivia é que a memória não é tão desapegada  da alma, e nos faz ser quem somos. Olhar para frente, sendo tudo o que perdemos. E eu, que sempre observarei as ansiedades de corações vazio perdidos na noite, e de vez em quando, serei um coração perdido vazio na noite em busca de sorrisos e olhares cúmplices, vou sempre voltar para a casa com a sensação de aquele musical que passava na madrugada do canal tal,  é a  esperança  dos sonhos. Durmo com a imagem mais linda de três coisas que fazem  da fantasia a melhor realidade e o sofá quentinho o melhor point da noite: Bom dia na madrugada chuvosa, dança transgredindo um apartamento, e a paixão de três amigos e dois amantes.

 

segunda-feira, 30 de maio de 2016


E quando penso que estou no topo
A vida me manda descer em queda brusca
Volto a encontrar meu “eu” em profundo sofrimento
Que se reconstitui através das lágrimas
A solidão, extensão de mim
Me faz andar de novo
Dessa vez quero encará-la sem medo, com  maestria
Começo rastejando, aos poucos os pés sustentam as pernas,
Ergo a cabeça e vou
Novamente
Reconstrução
Não me interessa mais o topo
Quero chegar longe
Num caminho sem fim.

terça-feira, 17 de maio de 2016

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Evoluir é aprender a ser pássaro
Voar pleno e livre
E quanto mais longe, melhor
Sozinho ou em bando
Sem as amarras do ego
Que nos escravizam ao chão
E cortam as asas dos outros

sábado, 16 de abril de 2016

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015


É platônico
E por isso te farei feliz
Por amor a ti, a mim.
E assim nos protegeremos
Das dores da realidade.
A fantasia será  nossa verdade.
Sendo nossa, só minha.




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

De repente adoeceu de tristeza

amar, um verbo que vai

 
Mas somos amigos, é óbvio.
O que chamas de deslize, chamo de amor experimentado em outros territórios
Nossa amizade é um grande oceano onde sempre me joguei em qualquer parte sem medo dos tubarões.
Agora conheço seu toque, e conheces o meu
E a textura real de sua pele, muito além de beijinhos e abraços de despedidas
E  conheces a minha
Sabemos: foi natural e bom
Um presente, naquele nosso presente, onde compartilhamos sonhos
E um prazer imenso de ficar juntos
E essa vai ser uma das primeiras poesias que não te mostrarei, diferente das tantas outras em que você sempre foi  a primeira cobaia de minhas palavras
Se um dia descobri-la
Talvez já estaremos em outros campos
Pois que agora escrevo-a em meio ao mar revolto
E, entre as ondas, tentando me salvar
Em busca de uma areia que me acolha
E de um sol que acarinhe meu corpo, como quem diz “tá tudo bem”.
E não a toa, o tempo lá fora chora. Faz aumentar minha melancolia
E eu entendi que te amo mais que nunca
Esse medo inesperado de me jogar  em nossas  águas tão límpidas,
Me faz tremer. Mas sei que passa.
Como disse: Tudo é uma grande poesia etérea, descarnada. O mais belo oceano, o único que existe.
Sei me adaptar ao seu bel prazer, para não te perder, nos perder. Teus olhos são preciosos para mim.
Te quero além dos conceitos sociais
És homem, sou mulher
E somos amantes.
Sendo amar, ir além.
Além de mim.
Além de nós.
Além.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Rocha de Areia

Eu vi!

As mãos se uniram.
Perdi a fala.

Desesperadamente
Olhei pela janela
Respirei para.
Dentro, sou  água
na rocha de areia
Desmontei
Transferi
Tento olhar pra frente
Aonde moram as respostas?
No tempo certo




quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Como eu poderia te dizer isso?

Era para estar agora fazendo um texto genial que pudesse mudar o mundo
Para um trabalho revolucionário
E pagar  mais um mês de aluguel

Aí ouvi uma certa canção, que você me mandou sem eu saber.
Que eu acredito que é pra mim
E essa crença faz tudo ser real
E verdade

Que dizia o quanto eu gostaria de te dizer
que ainda penso em você
que ainda rezo por você

E todo instante parou
Porque pensei em você
entre todos os amores, pensei em você
Quando você me dizia em silencio pra eu te acarinhar
E te levar para o meio da natureza
Pra você tomar banho de rio
Pra gente se olhar sorrindo
E nos agradecer com todo cuidado
Longe dos espinhos do mundo
E as dores do coração


E eu queria salvar você e proteger você
Destas dores do coração.

Eu queria salvar para voar com você.

E eu pensei que a gente se encontraria
Em cima do fio entre duas montanhas
Como dois equilibristas no meio do abismo
No meio do caminho, em cima do fio.

E nessa tarde ouvi a antiga canção
Numa voz rouca 
De entrar pela pele

Que me fez reviver um lugar muito nosso
e suspender o tempo
Recriar  aquelas canções que criamos juntos
Agora guardadas em uma esquina
Entre os sonhos secretos  de um casal
que um dia soltou as mãos
Mas nunca parou de se amar
Sendo amar um ato de querer bem.


Etenarmente bem.



quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Se Eu Fosse Lupicínio



Você correu de novo
Pra minha direção
E quando menos percebi voltei a te olhar

Virei a Ama do Abraço
Te acolhi e recolhi dentro de mim
Meus segredos para te contar

Dessa vez tinha motivos
Minha certeza não iria me enganar

Se tem uma coisa que  entendi
É que eu não tenho medo de me arriscar

E de repente
A certeza virou areia no deserto, ventania
Me perguntei
Se foi sonho, miragem, fantasia
Ou só uma onda do mar

Sumiste novamente
Justamente
Quando as almas estavam mais presentes
E eu queria me entregar

Mas se eu pudesse penetrar em sua mente
Talvez desse meia volta ao entrar

Já vivi algumas coisas e agora posso até ensinar
Não estranhe se ao seguir em frente,  nunca mais me encontrar

Nada é mais triste que uma despedida
Onde o silêncio diz tudo por medo de falar


sábado, 3 de outubro de 2015

Ele explicou tudo porque nasceu com a culpa maior que os olhos
Depois se arrependeu
Mas já tinha mandando a carta
Ser ele mesmo é aprender a não se justificar
O que o consolou foi a noite
Quando acordou sentiu uma leveza no errar
Ser ele mesmo é se explicar para cuidar
Pensou que  quando o "se"voltar bravejante
Ele já estaria distante