domingo, 29 de maio de 2011

TRISTEZA NA GERAÇÃO DA FELICIDADE

cada busca por pequenos acontecimentos
pequenos detalhes,
que dão algum sentido ao transbordamento da alma
alma que não se encaixa nos caminhos mecânicos do dia a dia
e o vazio se faz presente nos segundos que preenchem o tempo
e tudo ou muita coisa é sobre o nada
os mínimos estímulos que causam uma sensação um pouco diferente
são reverenciados e aclamados como os salvadores da existência

e a procura desencontrada do outro
que não está em nenhum lugar
e não se importa em não estar
gera a grande frustração
e talvez até alimenta o desejo e a esperança
de um dia, quem sabe,
encontrar algo que
acorde lá dentro
e queira assumir
o que se quer

por que tanta tentativas
e a procura pelo entendimento
se o momento é tão bom
mas é só isso
e é só

não esperemos mais nada
porque não é para esperar
tudo  flutuante
e tão pouco profundo
onde ficou a intensidade
o que fizeram com ela?
que tempos são hoje
que corrompeu tanto as sensações dos Homens
que não quer mais querer
e não se permite ser

o bom  tem prazo de validade
ultrapassar os limites
implica em perder o controle do sentimento
e isso hoje não pode
isso hoje não pode

temos que fingir
temos que esconder
temos que ocultar
temos que tampar
temos que oprimir
temos que silenciar

que tristeza
na geração da felicidade
da mídia
das fotos incríveis
do facebook bombástico
de gente alegre e vivaz

vou de novo calar meu coração
disfarçar o vazio
fazer parte do jogo
que ninguém sabe jogar

e é uma pena mesmo...




sexta-feira, 13 de maio de 2011

UMA DESSAS

Alternativos, cults, antenados, in, out,

young, cores, maquiagens, cabelos, vestidos, tênis, óculos, gel
a pouca luz e a música correndo solta no salão
a voz bonita que canta a poesia
é caetano, é tango
e a plateia alucinada canta
e o arrependimento da sensação de que falei demais com ele
pequei pelo excesso
mas assim sou eu, nervosa e descontrolada
e a guitarra alta enlouquecida
dói os ouvidos
por fora revolução
por dentro bossa nova
um pequeno deslize
e percebo a forte vocação
para ser mãe de marmanjos frustrados
a salvadora dos sensíveis incompreendidos marginais
prefiro comprar umas poesias do rapaz que vende seu livro
e me dá um autógrafo dizendo que meu sorriso o encanta
saio do inferninho cult
e ando entre os bêbados que sobram nas calçadas
brincando de ser felizes
dançando em desequilíbrio
inebriados por sons que saem de todos os lugares
de baixo, de cima, de lado
abro a porta do tradicional restaurante
e encontro uma casal acabado
ela triste de tanto beber
e ele cuidando para ela não cair
vamos pegar um táxi
que lá dentro tá tocando MPB FM
e é uma boa maneira de ir para casa
se despedindo das luzes das cidades
o apartamento é um abraço acolhedor
agora ouço um pianinho
e penso:
no fundo só queria ir ao cinema abraçadinha e tomar um bom vinho

sábado, 7 de maio de 2011

ANTHEM

Passos incertos até a janela


os olhos desgarrados da mãe

não pensam duas vezes em olhar

para um lugar distante e proibido



aquele vai virando fumaçada na memória

até que um dia ele possa se apagar

e virar cores, lembranças soltas, perdidas na curva



o viajante se encanta com as luzes do entardecer

e para tudo somente para admirar

pode ficar horas pensando

sua vida é ele que faz



o cheiro da noite faz o coração disparar

um flash de ansiedade invade o corpo

e é preciso seguir na calada, sob as estrelas,

às vezes a lua cheia

solene e austera



como um filme oriental

o tempo é outro e tudo é relativo

nada é tão grande quanto os detalhes

que transformam o sentido

e mudam a história



a pele ainda tem o mesmo cheiro

talvez nova textura

mas o cheiro...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

EFEITOS

Um dia desses vou encontrar você na rua e certamente vou sorrir

Mas nunca saberá de nada que eu senti.

Quem sabe você ainda ouve o som da minha voz

ao se deparar com uma risada solta perdida em seus lençóis



Num lapso de memória já tentei reconstituir

o que aconteceu com a gente e fez a nossa história simplesmente se esvair

Talvez quando o sol aparecer no seu quarto de dormir

ainda possa existir um lugar que fomos felizes antes de partir



Mas nunca saberei.

Só posso imaginar.

O tempo ainda é o melhor amigo da cura



Jamais entenderá

o efeito que causou

a minha vida estar tão distante da sua



Um dia desses vou te encontrar ao acaso em qualquer lugar

e conseguirei disfarçar muito bem minha profunda solidão.

Ainda penso quantas coisas valeriam retomar

Mas vou fingir que tudo não passou de uma ilusão



Eu vou me declarar

O amor também é dor

E ainda acredito fortemente em sonhos



O sol já vai chegar

meu corpo vai sentir

vou me banhar de luz entre as voltas que esse mundo faz questão de dar.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O RETORNO

O site Drama Diário está entrando no seu quarto ano de existência com uma nova proposta:


Dramaturgia em série. Cada um dos sete autores irá atualizar o site com textos inéditos diariamente, mas aos invés de cenas curtas, com temas pré-definidos, os autores se lançam ao desafio da continuidade. Um capítulo por semana, sete histórias diferentes, podendo resultar num roteiro de cinema, uma novela, um seriado, ou até mesmo numa peça de teatro.


Segunda é meu dia e comecei com um mini novelina: O Retorno!


http://www.dramadiário.com/

quinta-feira, 28 de abril de 2011

VENTO BOM

Atravessava a vida com olhos cheios d´água


Tentando compreender os desalentos de um amor

Para transformar a imagem guardada em paz



Então fez uma curva despercebida

E se deparou com um sorriso deixado no passado

Abrindo os braços sem julgamentos



Que a fez feliz e a deixou leve

De uma culpa que nunca existiu

Porque o amor vem da verdade



Viva vida cheia de voltas

Agradeceu às novas chances

E a capacidade que o sentimento tem de se renovar

E amadurecer


Porque nunca somos os mesmos

Depois de tantas experiências

E escutar tanto a própria alma


Hoje sinte o vento

E vê que ele é bom

Trás a brisa delicada

A conduz ao lar acolhedor


Vento mineiro que dobra a serra

Penetra no corpo vivido

Que não quer mais o inatingível


Quer o carinho mais possível

Quer dar o sorriso mais pleno

Quer a possibilidade de amar

Mais livre, sem condições

Sem imposições.

.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A VEIA VIBRA

Lábios de cetim

é como um blues
que toca escondido
proseando palavras raras
na noite solitária
do apartamento infinito

olhos tão profundos
de amêndoa doce
tempero fino
que faz meu coração bater

e a vida ganha outras cores
ao som do piano
do gênio anjo
que deixa sua música pro mundo
mas eu digo que é pra mim.

O som dá uma virada
notas mostram outros caminhos
o incógnito faz vibrar
as veias dcorpo como cordas de violão
em seu momento auge
pleno e soberano.

e cresce, cresce, até não poder mais
para depois deixar  suspirar quase
que implorando
porque nem sempre cabemos no contexto,
mas e daí.

ah! como é bom sentir
o clímax
os acordes eletrizantes
que nos sorriem
como quem diz

Uhuuuuuu!!!!

sábado, 16 de abril de 2011

MUDANÇAS ou ALEGRIA EM TOM MENOR

Parti me jogando na estrada
Pisando com passos tão fundos
Andei até outras moradas
Enquanto meu amor esperava

Me vi do outro do mundo
Tentando esquecer minhas falas
Perdeu-se o passado futuro
Pra reencontrar vidas raras

Outrora o que teve sentido
Deixou no caminho as amarras
Sou eu que construo o segundo
E o fim da história não acaba

No céu tem um rosto que chora
Memória que pouco durou
Semente plantada germina
Meu todo já se transformou

O rio que se distancia
Me faz encontrar outras fontes
Os pés viajantes sedentos
Querendo alcançar o horizonte

Se o mundo por fora é tão grande
Por dentro o medo desata
Sou eu o maior navagante
De um sonho que a vida acata...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

MOVIMENTOS

Toda palavra

tem uma alma

É como espinho e flor

que vai

e volta com o vento

sopra e transforma

a dor...


Das profundezas

retorna a valsa

que foi escrita além

do som

que invade o silêncio

vibra e termina

bem...

.

domingo, 3 de abril de 2011

MAIS UMA

Toda essa dança conduz

caminhos tortuosos
e a vida faz questão de rir


ri e zomba da mediocridade
que não soube
a melhor verdade
e deixou o amor partir


vemos de repente
o amadurecer chegar tão lentamente
ele vem pra nos dizer que aquele agora já se foi
e se não olhar pra frente
é outro modo de regredir.

e se estou mais sábia
minha pele mais vivida
meu olhar já tem história
suficiente pra saber mudar

penso quanta coisa
foi embora
e se errei
há tanta coisa
que pode chegar

passa vida, ironia
se diverte com aqueles
que não souberam enxergar


mas que bom, há esperanças
sou um ser que não se cansa
de agarrar as chances que
o destino ainda vai me dar.

sábado, 26 de março de 2011

PERCEPÇÕES DE UMA NOITE

Fico um pouco triste
quando vejo que a espectativa é falsa.
E ter que se acostumar a não criá-las.
Tão bom seria ser inteiramente feliz
no presente, sem medo do depois.
Não se iludir com falsos adjetivos e promessas,
ou fingir que "tá tudo bem", "não é nada",
mas por dentro querer sorrir genuinamente.
São verdadeiras lições do clichê do "o que já foi, já foi"
e ter que engolir em seco e olhar pra frente.
Não tocar no que já está fechado,
nem ousar reabrí-lo,
para o clichê não voltar e ter que dizer: "você já sabia".
Então me entrego ao meu silêncio,
à noite solitária,
à paz dos livres no mundo,
ao mistério do amanhã,
ao que depende só de mim,
às minhas proprias fraquezas,
que lutam contra a força de vontade,
me exaurem no fnal do dia,
me entrengam ao desperdício do nada,
quando eu poderia estar mais ligada,
mais ativa,
mais.
Mas, mas, mas vou fingir que "tudo é assim mesmo",
" e eu sempre fico bem no final".
"Não vou mais me iludir com os mordes e assopra"
que, por coincidência, ou por minha própria escolha,
teimam em me prestigiar.
Não, não, não.
É tempo de avançar.
Deixar quieto, não por medo.
Deixar quieto para vir o melhor.

sexta-feira, 25 de março de 2011

O ...

O som inpspira a imagem
me faz delirar em pensamentos distantes
que transportam meu corpo ao outro.
outro lugar, outra visão, outro encontro.

Dias, horas, e o corte seco em busca de sarar
quero tudo, quero todos, quero ser
sem apenas imaginar,
quero ser sentindo a pele rasgar
dos pés à alma,
não passar por cima, passar por dentro
profundamente, intensamente.

Sem o mistérios, tudo é sem cor
administrar o tempo
é estar em evolução
tantos, tantos tantos

o que?

Como?

Hein?

silêncio para a ouvir a resposta
é preciso parar,  perceber
palavras, palavras, palavras
muitas vezes elas não servem pra nada
são apenas letras soltas no espaço

é preciso não deixar fugir, ir embora
aquilo que entrou na vida para ficar

Às vezes tudo o que sobra é o vazio
E um pouco de música
para ajudar

por dentro há o oco,
preenche tudo sem preencher nada
e o que somos pra fora, não tem nada a ver
com o que somos.

Mas só existimos por causa deles, dos outros
nos vemos através deles, erramos através deles
então que seja
abaixo o impossível

faço dessas palavras sem nexo e sentido
meu atestado de lucidez.

.

quinta-feira, 10 de março de 2011

THE END- CURTA METRAGEM





The End faz parte do Projeto AMORES  de Helio Ishii
The End: 
de: Renata Mizrahi
com: Marilene Grama e Osvaldo Gonçalves
Dir: Helio Ishii
Dir Fotografia: Erick Mammoccio

quarta-feira, 9 de março de 2011

JOAQUIM E AS ESTRELAS PELO RIO

Minha peça Joaquim e as Estrelas vai rodar o Rio em Março nos Sescs e em Abril nos Sesis
abaixo a programação de março
avisem aos amigos =)





LOCAIS EM MARÇO

SESCs (sempre às 16h)
12/03 – Madureira
13/03 – Nova Iguaçu
19/03 – Caxias
20/03 – Ramos
26/03 – Eng. De Dentro
27/03 – São Gonçalo

ABRIL - SESIS - CIRCUITO CBTIJ
10/04 - domingo - Unidade Duque de Caxias
15/04 - sexta - Unidade Macaé
16/04 - sábado - Unidade Campos
17/04 - domingo - Unidade Itaperuna
30/04 - sábado - Unidade Jacarepaguá


Joaquim e as Estrelas é uma peça infantil inédita da autora Renata Mizrahi com direção de Diego Molina e co-direção de Gisela de Castro. É um projeto da Cia Teatro de Nós com parceria da Zucca Produções Artísticas.A recebeu o patrocínio do Oi Futuro e estreou em Julho de 2010 no Oi Futuro em Ipanema no RJ. Recebeu prêmio de melhor texto no  Prêmio zilka salaberry 2010. Foi indicada a 4 categorias no prêmio Zilka Salaberry de teatro Infantil 2010 : melhor texto (Renata Mizrahi), melhor ator (João Velho), melhor atriz (Elisa Pinheiro), melhor iluminação (Anderson Ratto). O texto também foi finalista do concurso nacional de dramaturgia Ana Maria Machado 2009 realizado pelo CEPETIN - Centro de Pesquisas e Estudos do Teatro Infantil.


É o primeiro infantil da autora Renata Mizrahi. Com música original de Isadora Medella e Renata Mizrahi, a peça tem 60 minutos de duração, e conta a história de um menino, Joaquim, que é apaixonado pelas estrelas. Porém elas estão muito tristes, pois a maioria das pessoas deixou de olhar para o céu. Sentindo-se desvalorizadas, as estrelas começam a se apagar e Joaquim fica desesperado. Deixa de comer, de ir para escola, de brincar. Até que numa noite, ele sonha que uma estrela lhe diz que se ele quiser muito que elas voltem, as pessoas deveriam voltar a olhar para céu. Joaquim, então, tem a missão de fazer com que as pessoas dêem importância para o céu. Aos poucos as estrelas vão voltando a aparecer e Joaquim diz o nome de cada uma, mostrando a todos o quanto gosta e sabe sobre elas. Mais uma vez, o céu fica todo iluminado e Joaquim consegue que todos voltem a valorizá-lo.

O ator Leandro Muniz (substituindo João Velho) vive o personagem Joaquim. Também estão no elenco Elisa Pinheiro, Renata Mizrahi (substituindo Gisela de Castro), Morena Cattoni, Marcio Freitas, Peter Boos e Carolina Godinho. A peça também conta com cenário de Doris Rollemberg e figurinos de Mauro Leite

Focado no público infantil é uma peça também para toda a família, na medida em que o texto resgata de forma divertida a alegria de compartilhar a beleza que está ao alcance de todos. Uma peça que se propõe a fazer uma reflexão sobre o papel do teatro infantil, que tem a grande função de formar platéia e opinião a partir de trabalhos de qualidade que além de entreter possam educar.

quarta-feira, 2 de março de 2011

F!

O tempo passa e ainda assim tem gente que não entende nada.

Nem sempre a música pode ser ouvida ou sentida se não estivermos atentos.
Esse é só um modo de ver a vida
De tantos expostos e oferecidos como mercadorias banais
Mas sem desespero porque o tempo pode mudar
Salvem os que sabem dançar
Salvem os que sabem olhar além e realmente enxergar
Talvez o tempo para esses passe de modo diferente
E quem sabe a música não cessará.
É só um ponto de vista
De tanto milhares
Mas um ponto pode até imperar soberano em reinos mágicos
O carnaval se faz presente, mas a alegria é interna
Mil vezes cantar por dentro
Mas todo disfarce é legítimo se vem com promessas de esperanças
Falso são os que tem medo e julgam para não serem julgados
Se escondem em teoremas pós-graduados para não se exporem ao mundo e sentirem a vida escorrer pelas veias, com todo o pacote: sofrimentos, paixões, alegrias, medos, tristezas, tesão.
A alegria genuína é uma aquisição rara e para obtê-la é preciso se esforçar
Foram-se tempos das egóicas crises do próprio umbigo
É fácil apontar, difícil agir.
Vieram os tempos de heróicas tentativas
Para o riso ser honesto
E que o amor seja mesmo piegas
E seja mesmo cafona
E seja mesmo
Porque às vezes é até bom
Ser sem se preocupar
E para aqueles que olham de cima, possuidores de uma verdade medíocre
Digamos
FODAM- SE!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

LINHAS

O tempo passa e lá são vão palavras soltas

tapeiam a história fingindo-se donas
escondem seus erros
como senhorinhas frágeis
atadas às surpresas após as curvas.


Cada passo motiva a trama
revela planos impulsiona
sou eu que escrevo o drama
mas é ele que me engana.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SIMPLES CANÇÃO

Quais os sinais eu posso acreditar

quando ainda sonho com você
apesar de tentar tanto esquecer
e ofuscar esse amor com mil coisas a fazer


essa canção é muito simples
não pretende ser maior
fala de alguém já se foi
viajando para longe
mas por dentro não consegue se afastar


O que se faz quando se ama
e não se pode aproximar


nem o tempo é perfeito
quando trabalha para o acaso nos juntar

chorar não é nenhum apego
é a lembrança que se vai
se despedindo lentamente
cada imagem é a saudade
que o presente luta para se livrar

o que se faz ao acordar
quando no sonho tudo é bom
integrados em assuntos como amigos ou amantes
abrir os olhos é tirar a dúvida com a ilusão

O que se faz para esquecer
quando a memória quer ficar

é tentar seguir em frente
subindo e descendo para quem sabe um dia a história se fechar

.