quinta-feira, 28 de abril de 2011

VENTO BOM

Atravessava a vida com olhos cheios d´água


Tentando compreender os desalentos de um amor

Para transformar a imagem guardada em paz



Então fez uma curva despercebida

E se deparou com um sorriso deixado no passado

Abrindo os braços sem julgamentos



Que a fez feliz e a deixou leve

De uma culpa que nunca existiu

Porque o amor vem da verdade



Viva vida cheia de voltas

Agradeceu às novas chances

E a capacidade que o sentimento tem de se renovar

E amadurecer


Porque nunca somos os mesmos

Depois de tantas experiências

E escutar tanto a própria alma


Hoje sinte o vento

E vê que ele é bom

Trás a brisa delicada

A conduz ao lar acolhedor


Vento mineiro que dobra a serra

Penetra no corpo vivido

Que não quer mais o inatingível


Quer o carinho mais possível

Quer dar o sorriso mais pleno

Quer a possibilidade de amar

Mais livre, sem condições

Sem imposições.

.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A VEIA VIBRA

Lábios de cetim

é como um blues
que toca escondido
proseando palavras raras
na noite solitária
do apartamento infinito

olhos tão profundos
de amêndoa doce
tempero fino
que faz meu coração bater

e a vida ganha outras cores
ao som do piano
do gênio anjo
que deixa sua música pro mundo
mas eu digo que é pra mim.

O som dá uma virada
notas mostram outros caminhos
o incógnito faz vibrar
as veias dcorpo como cordas de violão
em seu momento auge
pleno e soberano.

e cresce, cresce, até não poder mais
para depois deixar  suspirar quase
que implorando
porque nem sempre cabemos no contexto,
mas e daí.

ah! como é bom sentir
o clímax
os acordes eletrizantes
que nos sorriem
como quem diz

Uhuuuuuu!!!!

sábado, 16 de abril de 2011

MUDANÇAS ou ALEGRIA EM TOM MENOR

Parti me jogando na estrada
Pisando com passos tão fundos
Andei até outras moradas
Enquanto meu amor esperava

Me vi do outro do mundo
Tentando esquecer minhas falas
Perdeu-se o passado futuro
Pra reencontrar vidas raras

Outrora o que teve sentido
Deixou no caminho as amarras
Sou eu que construo o segundo
E o fim da história não acaba

No céu tem um rosto que chora
Memória que pouco durou
Semente plantada germina
Meu todo já se transformou

O rio que se distancia
Me faz encontrar outras fontes
Os pés viajantes sedentos
Querendo alcançar o horizonte

Se o mundo por fora é tão grande
Por dentro o medo desata
Sou eu o maior navagante
De um sonho que a vida acata...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

MOVIMENTOS

Toda palavra

tem uma alma

É como espinho e flor

que vai

e volta com o vento

sopra e transforma

a dor...


Das profundezas

retorna a valsa

que foi escrita além

do som

que invade o silêncio

vibra e termina

bem...

.

domingo, 3 de abril de 2011

MAIS UMA

Toda essa dança conduz

caminhos tortuosos
e a vida faz questão de rir


ri e zomba da mediocridade
que não soube
a melhor verdade
e deixou o amor partir


vemos de repente
o amadurecer chegar tão lentamente
ele vem pra nos dizer que aquele agora já se foi
e se não olhar pra frente
é outro modo de regredir.

e se estou mais sábia
minha pele mais vivida
meu olhar já tem história
suficiente pra saber mudar

penso quanta coisa
foi embora
e se errei
há tanta coisa
que pode chegar

passa vida, ironia
se diverte com aqueles
que não souberam enxergar


mas que bom, há esperanças
sou um ser que não se cansa
de agarrar as chances que
o destino ainda vai me dar.

sábado, 26 de março de 2011

PERCEPÇÕES DE UMA NOITE

Fico um pouco triste
quando vejo que a espectativa é falsa.
E ter que se acostumar a não criá-las.
Tão bom seria ser inteiramente feliz
no presente, sem medo do depois.
Não se iludir com falsos adjetivos e promessas,
ou fingir que "tá tudo bem", "não é nada",
mas por dentro querer sorrir genuinamente.
São verdadeiras lições do clichê do "o que já foi, já foi"
e ter que engolir em seco e olhar pra frente.
Não tocar no que já está fechado,
nem ousar reabrí-lo,
para o clichê não voltar e ter que dizer: "você já sabia".
Então me entrego ao meu silêncio,
à noite solitária,
à paz dos livres no mundo,
ao mistério do amanhã,
ao que depende só de mim,
às minhas proprias fraquezas,
que lutam contra a força de vontade,
me exaurem no fnal do dia,
me entrengam ao desperdício do nada,
quando eu poderia estar mais ligada,
mais ativa,
mais.
Mas, mas, mas vou fingir que "tudo é assim mesmo",
" e eu sempre fico bem no final".
"Não vou mais me iludir com os mordes e assopra"
que, por coincidência, ou por minha própria escolha,
teimam em me prestigiar.
Não, não, não.
É tempo de avançar.
Deixar quieto, não por medo.
Deixar quieto para vir o melhor.

sexta-feira, 25 de março de 2011

O ...

O som inpspira a imagem
me faz delirar em pensamentos distantes
que transportam meu corpo ao outro.
outro lugar, outra visão, outro encontro.

Dias, horas, e o corte seco em busca de sarar
quero tudo, quero todos, quero ser
sem apenas imaginar,
quero ser sentindo a pele rasgar
dos pés à alma,
não passar por cima, passar por dentro
profundamente, intensamente.

Sem o mistérios, tudo é sem cor
administrar o tempo
é estar em evolução
tantos, tantos tantos

o que?

Como?

Hein?

silêncio para a ouvir a resposta
é preciso parar,  perceber
palavras, palavras, palavras
muitas vezes elas não servem pra nada
são apenas letras soltas no espaço

é preciso não deixar fugir, ir embora
aquilo que entrou na vida para ficar

Às vezes tudo o que sobra é o vazio
E um pouco de música
para ajudar

por dentro há o oco,
preenche tudo sem preencher nada
e o que somos pra fora, não tem nada a ver
com o que somos.

Mas só existimos por causa deles, dos outros
nos vemos através deles, erramos através deles
então que seja
abaixo o impossível

faço dessas palavras sem nexo e sentido
meu atestado de lucidez.

.

quinta-feira, 10 de março de 2011

THE END- CURTA METRAGEM





The End faz parte do Projeto AMORES  de Helio Ishii
The End: 
de: Renata Mizrahi
com: Marilene Grama e Osvaldo Gonçalves
Dir: Helio Ishii
Dir Fotografia: Erick Mammoccio

quarta-feira, 9 de março de 2011

JOAQUIM E AS ESTRELAS PELO RIO

Minha peça Joaquim e as Estrelas vai rodar o Rio em Março nos Sescs e em Abril nos Sesis
abaixo a programação de março
avisem aos amigos =)





LOCAIS EM MARÇO

SESCs (sempre às 16h)
12/03 – Madureira
13/03 – Nova Iguaçu
19/03 – Caxias
20/03 – Ramos
26/03 – Eng. De Dentro
27/03 – São Gonçalo

ABRIL - SESIS - CIRCUITO CBTIJ
10/04 - domingo - Unidade Duque de Caxias
15/04 - sexta - Unidade Macaé
16/04 - sábado - Unidade Campos
17/04 - domingo - Unidade Itaperuna
30/04 - sábado - Unidade Jacarepaguá


Joaquim e as Estrelas é uma peça infantil inédita da autora Renata Mizrahi com direção de Diego Molina e co-direção de Gisela de Castro. É um projeto da Cia Teatro de Nós com parceria da Zucca Produções Artísticas.A recebeu o patrocínio do Oi Futuro e estreou em Julho de 2010 no Oi Futuro em Ipanema no RJ. Recebeu prêmio de melhor texto no  Prêmio zilka salaberry 2010. Foi indicada a 4 categorias no prêmio Zilka Salaberry de teatro Infantil 2010 : melhor texto (Renata Mizrahi), melhor ator (João Velho), melhor atriz (Elisa Pinheiro), melhor iluminação (Anderson Ratto). O texto também foi finalista do concurso nacional de dramaturgia Ana Maria Machado 2009 realizado pelo CEPETIN - Centro de Pesquisas e Estudos do Teatro Infantil.


É o primeiro infantil da autora Renata Mizrahi. Com música original de Isadora Medella e Renata Mizrahi, a peça tem 60 minutos de duração, e conta a história de um menino, Joaquim, que é apaixonado pelas estrelas. Porém elas estão muito tristes, pois a maioria das pessoas deixou de olhar para o céu. Sentindo-se desvalorizadas, as estrelas começam a se apagar e Joaquim fica desesperado. Deixa de comer, de ir para escola, de brincar. Até que numa noite, ele sonha que uma estrela lhe diz que se ele quiser muito que elas voltem, as pessoas deveriam voltar a olhar para céu. Joaquim, então, tem a missão de fazer com que as pessoas dêem importância para o céu. Aos poucos as estrelas vão voltando a aparecer e Joaquim diz o nome de cada uma, mostrando a todos o quanto gosta e sabe sobre elas. Mais uma vez, o céu fica todo iluminado e Joaquim consegue que todos voltem a valorizá-lo.

O ator Leandro Muniz (substituindo João Velho) vive o personagem Joaquim. Também estão no elenco Elisa Pinheiro, Renata Mizrahi (substituindo Gisela de Castro), Morena Cattoni, Marcio Freitas, Peter Boos e Carolina Godinho. A peça também conta com cenário de Doris Rollemberg e figurinos de Mauro Leite

Focado no público infantil é uma peça também para toda a família, na medida em que o texto resgata de forma divertida a alegria de compartilhar a beleza que está ao alcance de todos. Uma peça que se propõe a fazer uma reflexão sobre o papel do teatro infantil, que tem a grande função de formar platéia e opinião a partir de trabalhos de qualidade que além de entreter possam educar.

quarta-feira, 2 de março de 2011

F!

O tempo passa e ainda assim tem gente que não entende nada.

Nem sempre a música pode ser ouvida ou sentida se não estivermos atentos.
Esse é só um modo de ver a vida
De tantos expostos e oferecidos como mercadorias banais
Mas sem desespero porque o tempo pode mudar
Salvem os que sabem dançar
Salvem os que sabem olhar além e realmente enxergar
Talvez o tempo para esses passe de modo diferente
E quem sabe a música não cessará.
É só um ponto de vista
De tanto milhares
Mas um ponto pode até imperar soberano em reinos mágicos
O carnaval se faz presente, mas a alegria é interna
Mil vezes cantar por dentro
Mas todo disfarce é legítimo se vem com promessas de esperanças
Falso são os que tem medo e julgam para não serem julgados
Se escondem em teoremas pós-graduados para não se exporem ao mundo e sentirem a vida escorrer pelas veias, com todo o pacote: sofrimentos, paixões, alegrias, medos, tristezas, tesão.
A alegria genuína é uma aquisição rara e para obtê-la é preciso se esforçar
Foram-se tempos das egóicas crises do próprio umbigo
É fácil apontar, difícil agir.
Vieram os tempos de heróicas tentativas
Para o riso ser honesto
E que o amor seja mesmo piegas
E seja mesmo cafona
E seja mesmo
Porque às vezes é até bom
Ser sem se preocupar
E para aqueles que olham de cima, possuidores de uma verdade medíocre
Digamos
FODAM- SE!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

LINHAS

O tempo passa e lá são vão palavras soltas

tapeiam a história fingindo-se donas
escondem seus erros
como senhorinhas frágeis
atadas às surpresas após as curvas.


Cada passo motiva a trama
revela planos impulsiona
sou eu que escrevo o drama
mas é ele que me engana.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SIMPLES CANÇÃO

Quais os sinais eu posso acreditar

quando ainda sonho com você
apesar de tentar tanto esquecer
e ofuscar esse amor com mil coisas a fazer


essa canção é muito simples
não pretende ser maior
fala de alguém já se foi
viajando para longe
mas por dentro não consegue se afastar


O que se faz quando se ama
e não se pode aproximar


nem o tempo é perfeito
quando trabalha para o acaso nos juntar

chorar não é nenhum apego
é a lembrança que se vai
se despedindo lentamente
cada imagem é a saudade
que o presente luta para se livrar

o que se faz ao acordar
quando no sonho tudo é bom
integrados em assuntos como amigos ou amantes
abrir os olhos é tirar a dúvida com a ilusão

O que se faz para esquecer
quando a memória quer ficar

é tentar seguir em frente
subindo e descendo para quem sabe um dia a história se fechar

.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

SEM MAIS

Não queria, mas é assim, necessário.

Porque às vezes é preciso parar,
Senão ficam apenas fantasias
Com doses de dores em frascos de ilusão.


Se tivesse o mínimo, talvez faria o contrário
Mas nem o mínimo me é concedido
Negocio meu destino para não me perder
Em falsos encantos, certeiras ciladas


Faço uma balburdia em copo d'água
Me surpreendo com minhas próprias profundidades
Não consigo lhe dar com o “não”
Mas o aceito sem contestar


Envergonhado fico com esse sofrimento
Como se ele não me fosse de direito
A fraqueza é involuntária
E o desejo uma obsessão

Só me resta seguir numa única direção
Ela me guiará para o lado oposto
O outro lado
O lado de lá

E, lamentando, um dia esquecerei
Talvez duvidando do próprio esquecimento
Ou injuriando-o com manhas infantis
De quem não obteve o que gostaria

Mas o que consola é que nem sempre a malcriação faz sentido

E muitas vezes a manha não tem razão
Então vou, lançando-me em mistérios
Quem sabe, sem mais, consigo
Ir sem olhar pra trás

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

SEM PRETENSÃO

O amor é o existir com temperos finos.
É o gás, o combustível, o essencial
É a simplicidade, como esse pequeno ensaio
O que falta no vazio
Oportunidade



O amor também é sofrimento prolongado
Do apaixonado
perguntando como desapaixonar
É tentar selecionar as lembranças para não se auto machucar

O amor é o encontro passional
Mas o permanecer é maturidade
É construção que vem do nada
Até levantar uma cidade

O amor é liberdade
Integração
É fantasia sexual
É fantasia solitária
É fantasiar a fantasia
Imaginação

É sorrir com olhos
É permissão
É carinho
É gostoso
É bom

O amor é escrever essas palavras
Sem necessariamente amar
Porque se não acreditar no amor
Ele nunca virá

...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O MENINO QUE GOSTAVA DE LER

Esse continho faz parte do projeto  "O LIVRO QUE EU LI"
um texto infantil que estimula a literatura para as crianças.
Vamos fazer uma única apresentação na Colônia de Férias em Vila Cruzeiro
 essa quarta, dia 26, às 19 horas.
Aproveitando que estaremos lá, vamos homenagear Otávio Júnior, morador de Vila Crizeiro,  que dedica sua vida ao estímulo da leitura. Eis o continho abaixo baseado em seu depoimento para  Saraiva
A peça ( O Livro que eu li), é um projeto para as escolas/Ongse todos aqueles que tem interesse nesse trabalho...



Ele era tão menino, igual a todos os outros meninos

Na comunidade onde morava tudo era sempre igual

Não tinha outra diversão, senão jogar futebol.

E era isso que o menino fazia, todo dia, ele ia, ao campinho central.



Um dia, a caminho do campinho, o menino teve uma visão.

Não foi atrás da árvore, no topo da montanha, além do arco-íris.

Foi dentro de um lixão

O menino viu, com seus próprios olhos.

Não era uma lâmpada do Aladim, nem um bilhete premiado.



Era um livro. O livro do Don Raton

O menino, hipnotizado, pegou o livro na mão.

E naquele minuto ele já não era um menino como qualquer outro menino

Naquele minuto tudo mudou.

Voltou para casa, a chuva caiu, o tempo fechou.

Enquanto esperava melhorar, o menino leu.

Leu, leu, leu, leu e... terminou.



Dentro dele algo aconteceu.

Respiração forte, adrenalina, muita emoção.

Chorou, riu, pulou, berrou, silenciou!



Ficou com fome. Muita fome. Fome de mais história.

Queria imaginar mais, rir mais, chorar mais e mais e mais...



Procurou algum livro dentro de casa, mas seu irmão lhe falou:

“ Pra que você quer ler? É tão chato...”

“Chato? Chato por quê?”

“ Ué? Porque é obrigação”

Obrigação? - o menino pensou- como pode ser obrigação algo que é tão legal?

Não entendeu. Será que o livro que leu era uma exceção?

Tinha que saber. Tinha que ler.



O menino, pela primeira vez saiu da comunidade.

Foi se embrenhar na cidade.

Enfrentou, carros, ônibus, bicicletas, caminhão.



Ouviu falar de um lugar onde as pessoas iam só pra ler.

Eram as Bibliotecas! Ele precisava conhecer!



Desse jeito, o menino conheceu a cidade do Rio de Janeiro.

A biblioteca Nacional, ficava no Cinelândia, a Estadual na Av. Presidente Vargas

e o Museu República, tão lindo, no Catete.

Ele passou a ler o dia inteiro.



Conheceu um monte autor genial

Era o menino descobrindo a Literatura Nacional.



Percebeu que na escola era um dos poucos que gostava de ler.

Foi aí que o menino passou a escrever.

Queria dizer para seus amigos que a leitura não era apenas uma obrigação.

Podia ser sim uma grande diversão.

Imagina descobrir lugares desconhecidos, personagens fantásticos, histórias engraçadas, emocionantes e até de terror?

E para isso não dependiam de nada. Apenas de querer.



Foi aí que surgiu O Livro Encantado.

O primeiro texto que o menino escreveu.

Ele mesmo fez o cenário com a própria mão, utilizando papelão.

Era uma importante produção.



Todo mundo adorou. Principalmente os professores de literatura.

A peça do menino falava da alegria de ler.

E os alunos foram ficando curiosos, querendo entender.

Pediam livros emprestados para saber.



Eram tantos alunos que os livros foram acabando

E aí, o menino conseguiu que as pessoas fossem doando.



Pronto! Sua vida fazia sentido.

Percebeu sua missão.



A partir desse momento, o menino não parou mais

Começou mais uma empreitada

Incentivar a literatura em todo o Rio de janeiro.

Começaria na sua região: Vila Cruzeiro


O menino foi crescendo e ficando cada vez mais esperto.

Ia a todo evento de leitura que sabia, sendo longe ou perto.



A cada dia, o menino conquistava mais seu espaço

Recebia mais doações e montou um acervo.

Não havia nada que o impedia de crescer.

Deu o nome do projeto de ler é 10 e nem sem dinheiro , ele deixou de acontecer

O projeto está em expansão e já conquistou o Complexo do Alemão.

Um dia pretende conquistar toda cidade.

Já atende a mais de 20 comunidades.



Hoje sua vida é realmente uma alegria

até porque a criançada adora ler mais poesia

É a ebulição cultural na periferia.



Viva o menino Otávio Junior!

Nos mostrou que a vida pode ter muita fantasia!


http://www.youtube.com/watch?v=k_8EH6KtxNE&NR=1


Projeto O Livro que eu Li

Texto: Renata Mizrahi
Concepção: Natasha Corbelino e Renata Mizrahi
Direção: Morena Cattoni
Elenco: Dulce Penna e Natasha Corbelino
Voz em Off: Luíza Alexander
Projeto Visual: Letícia Rumjanek
Músicas: Renata Mizrahi
Arranjos: Alberto kuri
Trilha sonora: Bruno Alexander
Produção: Natasha Corbelino

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

CARTA AO VENTO

Às vezes, só somos dignos dos nossos olhos quando realmente enxergamos.

Consigo ver tudo aquilo que eu não vi.
Você me dizendo “não” através de palavras disfarçadas de cuidados delicados.
Palavras que me confundiam, estando eu, cega.
Me faziam atirar meu corpo, diversas vezes, em chãos de cimentos, com ilusórias pretensões de te fazer mudar.
Mudar? Coitados daqueles que não conseguem enxergar. Talvez por medo da falsa solidão - compartilhando a ideia de que a solidão é falsa – trocamos a plenitude existencial pelo vazio a dois.
Tantas vezes te coloquei (metaforicamente) no colo e fui incapaz de ouvir seu suplício, o seu “Para!” o seu, “Se afasta!”. Ao contrário, quanto mais você gritava no silêncio, mais recebia meu carinho, talvez esse, o meu suplício.
Não vi, não ouvi, não falei. O meu calar sentenciava minha dor e alimentava o nosso fim.
Imaginava o seu momento ideal. O momento do “tudo mudou”, “tudo vai ser diferente”, “Você, finalmente, terá o lugar que merece.” Imaginar, nesse caso, não é um verbo. É um substantivo que prolonga o não agir.
Mas não há culpa na crueldade quando ela vem da egoica carência.
É somente pena perceber que poderíamos viver o nosso tempo de outra forma.
Mas se a tristeza é tão eficaz para o crescimento, então, sinceros agradecimentos.
Agora que enxergo já posso realmente amar. Esse sim, verbo tão necessário.

.





terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O CORPO

O tronco é todo faísca
detonador de raios
horas aceso
elétrico
magnético






Os olhos comprimem águas
de memórias futuras
fecham e abrem
agindo no escuro vazio
esperançosos com a a sonhada visão




A pele enrijece
arrepia
solitária
uiva no silêncio
à espreita de qualquer chance
que possa surgir sem avisar


O coração em disparada
quase sufoca
não aguentando o rojão
e o mistério
eleva com toda força
a batida desvairada
e disrítmica


Os pés estão perdidos
e andando em círculos
entortados
temem o caminho
paralisam
acimentam o medo


Das mãos saem química
explosiva de alta tensão
sofrem
com o não tato
se metem em lugares ermos
úmidos
sombrios


O ventre absorve
os fatos
grita
geme
morre
vive


A cabeça
Ah... cabeça...
pira
feito pião
quando tá para parar
tentando se manter por uma base fina
roda e cai, sem cessar...

...

domingo, 9 de janeiro de 2011

RE COMEÇAR

Um passo

e a lembrança diz

cresça

não se perca

em dispersivos

encontros com a nostalgia



perceba

a história que se faz torta

em pingos soltos de lucidez

seu caos pode virar sua ordem

se olhe

se veja

se conheça

se respeita

se toda

se inteira

no céu com diamantes



e o sol

sol sol

da sua terra

sua herança

que quer te arrancar de casa

a qualquer custo

deixar -se

coragem na dor

algo na chuva diz

mova-se

Re comece

...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

DESNUDO

Dentro o inferno e o céu travam uma luta

A derradeira , a grega, a loucura toda
jorra, domina , paralisa, feito bruxa solta
em escola de criança aprisionada
querendo sair, sem correr
aprendendo no vazio, no silêncio
e chorando aos cantos
sentindo sob a pele a verdade toda errada
que manda sofrer
mas não faz nada
por não saber.




É a sina dos perdidos desvairados
entregues às almas aparentadas dos escritores
dos seculo XIX
ainda hoje, tão distante e tão próximos
de tudo isso misturado
a evolução mal resolvida
os dogma, conceitos e regras malditas
que paralisam a fluidez que não existe
nem nunca existiu.
Apenas fantasias
anseios
assombros
desejos inacabados
e dores.


Também há sombra na beleza
sorriso na escuridão amedrontada
chamando a atenção em vão
através de grunhidos soltos na noite
pesadelo dos mal intencionados
famintos por amores incompreendidos
se acalmam e morrem de insatisfação
exterminam a pulsação movedora da existência
para não se deparar com o não
com a dúvida
com o nada.

...