quinta-feira, 27 de março de 2014

E você me atirou no mundo
E eu tive que reaprender a andar
E me ferir pra curar
Reconhecer um novo olhar
Nos diversos olhos que encontro no caminho

E você me rebatizou
E vaguei sem chão, mas céu azul
Chorei sem fim
Também ri como a primeira vez

Você me refez
Me despertei
Aprendi a tocar
Reconquistei o que se perdeu em mim
Me desarmei para lutar

Não entendi, mas sei
Morri. 
Mas ressuscitei
E agora
Multiplicar, expandir, explanar
Abrir os braços
E voei.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Meu corpo é meio sírio, russo e turco.   
Sem o quê da mulher brasileira:
Peitinho empinado, a bunda comprada, o nariz afilado.
Nasci com a sina da mãe judia
Em tempos de mães solteiras
Saio na rua e não sou a mingnon
 Mais violão que violinha
Ainda assim estou lá, na academia 
Enquanto subo a escada parada
E a TV se impondo, bem grande, até demais.
 Me obrigando assistir a atriz bela corpão
A que todos querem ter ou ser
E eu meio síria, russa, turca
Meio jovem em corpo de matrona
Meio mulher com jeito de menina
Ou menina sem jeito pra mulher
Cabelos sem escova
Gordurinhas
Comendo salada e o congelado ligth da nova alimentação
Qual o limite da saúde e a escravidão?
E todos esperam isso de mim, de nós?
Salto longo, saia curta, roupa conceitual?
Oh, good
Culpa dos pais?
Mas se conheço muitas outras meios.
Meio portuguesas, polacas, italianas, turcas, sírias e coisas mais.
E não seriam também brasileiras?
Então que palhaçada é essa?
Se é o Brasil da miscigenação?!
Somos todo corpo padrão!





sexta-feira, 21 de março de 2014

Sem fim
Não há o recomeço
Os que não o querem
São os sedutores histéricos
Com medo do futuro
Abrem portas e não fecham
Deixam chamas espalhadas
Pra quem sabe, um dia
Voltar para qualquer coisa

O fim pode ser bom
Porque nele nascem nossos melhores outros
Mudamos de pele e seguimos 
Novos
E somos também o que perdemos

quarta-feira, 19 de março de 2014

Você não poderia viver comigo
Não seria justo eu aqui de costas pra ti
Janela fechada, o sol queimando
Eu aqui, mulher sem sexo
E o mundo lá fora, meninas tão belas de salto
Eu aqui, ganhando dinheiro
Pagando meus sonhos, os quais te excluí

 E você não poderia mesmo viver assim
Nas minhas sombras ocultas
Tu és homem, e eu só escrevo teatro
Tú és Bukowski, eu Cecília Meirelles
Sou doce e sincera
Tú és seco e malandro
Whisky na água de coco.

Vai mesmo te achar bem distante
Eu aqui continuo fingindo
O que você já não se engana.
Passou os tempos de vítima
Virei a víbora no corpo de Medéia
Matei os nossos não filhos
Fui eu que fiz tudo daqui
Sentada
E essa sina de querer conquistar o mundo
A insegurança de quem já foi criança sofrida

Me perdi
Te perdi
Disse sim

Mas era fim

domingo, 16 de março de 2014

Pós um domingo

Porque não sabemos o que nos espera, mas sabemos de tudo, no fundo, de tudo, sabemos.  Somos líquidos e profanos. Desafiamos o que pode acontecer sem poder acontecer, para assim, vivos, vivermos. Ateus ou não, estamos salvos, às vezes de nós mesmo, da expectativa infame, a histeria disfarçada de excitação, que nos engana, dança e brinca na rua, nos faz de peão e, girando, vemos o todo e puft! O chão! 

Mas o chão que em vez da dor, acolhe, te coloca frente a frente com o que já era, já era. E no final, esse final que não existe antes da morte, rimos. Rimos da graça, do que já era entendido sem querer ser de fato ser. 

 E mesmo o filósofo mais filósofo, mais cético, mais filósofo, sabe que sim. Então, tudo bem. Que saibamos evoluir (que arrogância esse início de frase) a cada vez que. A cada vez quê? Melhor é rir dos tolos, dos idiotas ou frágeis, idiota ou simplesmente frágeis, carentes, enrolados, enfim... rir, apesar de infinitas coisas que um idiota ou frágil possa ser. E todos já tivemos momentos de idiotas e frágeis, então, tudo bem. Tudo bem mesmo. Voltemos pra casinha, pro cobertor de lã, que ali todo mundo é rei e não há como se ferir. Depois, saímos de novo para o que pensamos saber, mas tudo será diferente. 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Me secri

E o que me resta é escrever algumas palavras sem sentidos
Porque sentido já e uma palavra sem forma
E o conflito do saber ganhar dinheiro
para se dar ao luxo de divagar numa tarde improdutiva

Improdutiva pra fora
Pra dentro, outra vida
Oh, senhor, me traga um vidente!
que ele (pode ser ela tb) me tire a inquietude
Ofusque essa ansiedade voraz
Que come as horas 

E escrevo ao léu para o céu!
Para ninguém

Como ser, assim, numa caixa fechada
querendo estar o tempo todo pra fora?

Flutuaria se soubesse

Admiro muito os poetas
Que falam de si, sem "eu"

Tudo bem, não sou poeta
Sou romântica.


OS DONOS DA LUZ

Quem será que reinventa a Luz
Quando estamos atrelado aos erros.
Mas quem sabe erro é um acerto de contas com crescimento.
Quando nasce o sol e vemos o dia disparar o tempo,
Nos faz agir antes do pensamento,
Caímos na armadilha do momento.
E quem será que reinventa a Luz
Quando ela nos diz que o tempo é lento.


Quem será que reinventa a Luz
Quando precisamos valorizar o presente,
Sem passados que passaram e futuro inexistentes.
E o tempo obedece o agora?
Seria bom lançarmos a corda,
Para segurará-lo e não mandá-lo embora.
Quando tempo eleva a Luz,
Viramos a corda.


Quem será que reinventa Luz
Quando somos outros e não podemos,
Ou queremos e não sabemos como,
Ou precisamos ser outros podendo e sabendo,
E, sendo, seremos melhores outros.


Quem será que reinventa a Luz
Quando passamos na estrada,
Pisamos com passos tão fundos
Chegamos em outras moradas,
Até o outro lado do mundo
Só pra entender nossas falas.


Quem será que reinventa a Luz
Quando nos perdemos no tempo,
E reinventamos o amor
Para não nos perdemos na dor.


Quem será que nos dirá que a Luz se reinventará,
Quando respirarmos lentamente, olharmos para frente,
Abrirmos os braços intensamente
E ver o tempo elevando a Luz.
Para sermos a corda que enlaça o presente.

.

A CHEGADA



Depois de um mergulho em uma janela de um quadro de Dalí
Uma festa que não soube acabar
No coração carnaval todo dia
A euforia de sair do lugar
Continua a pulsar , o sangue correr, o corpo sentir
a alma querer
Mas como voltar?

Se não somos mais o que antes
E os que ficaram estariam iguais?

Resgatar o tempo real 
Mas está tudo distante
Acalmar o anseio de mais
É negar o se transformar
 Mas como se faz
Para se adaptar
 ao tudo que estava aqui
 antes de ir
 Como voltar?
Se reencaixar

Se vira aí!
Dá um jeito
Ou não
Oh não!






quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Ainda choro
mas sei que é purificação
Então rezo
Pra lapidar todo esse amor
E fazer uma obra de arte
Que traga mais Luz.

Ainda sinto
uma tristeza no interior
então me lembro
da vontade de continuar
O desejo de aprender

Estou 
cada vez mais perto de mim
Me peguei flutuando no mar
Descobri o quanto posso dançar.
E agora não quero parar.

Estou amando cada vez mais
Essa vida que sabe o que faz
Coração que até bate demais
Pulso firme que sabe ensinar

Às vezes, confesso, tento entender
mas depois eu penso, pra que?
se o passado não dá pra voltar
e o futuro eu posso mudar
o presente eu vivo pra ser

eu  sou pra viver


sábado, 11 de janeiro de 2014



Se quiseres agora
Não posso mais
As palavras perderam a força de tanto esperar
Amor é ação.
Palavra é dúvida.






domingo, 1 de dezembro de 2013

SONHOS II

Tudo ia bem pelo menos pra mim que não via nada errado
 Nem um sinal de escuridão na nossa luz a dois.
Não sei se tava cega ou passei despercebida
Você não me avisou que eu já estava sem saída
E me segurou enquanto pode, pra me largar de repente assim no meio de um nada.

E agora meu amor, estou aqui sozinha tentando entender em que ponto eu errei.
 Talvez não tava olhando para  você do mesmo jeito,
Mas o que fazer se não tive outra escolha, senão lutar até não mais poder.

Tudo tava indo bem pelo menos pra mim que te amava feito mais que já amei.
E não te ouvi quando você disse “calma!”
“Nada é para sempre, estamos juntos agora, mas do futuro eu não sei.”

Tudo tava indo bem até você me segurar quando não tão bem assim, eu senti e quis caminhar.
 Me prendeu à promessas de um futuro belo.
Eu corri atrás de um eu melhor pra gente ser feliz.
Me iludi com as fagulhas de segundos que o teu desespero me fez acreditar,
E você de repente me disse que tava louco, apaixonado por outra pessoa

Aaaaaaaaahhhh!

Mas não tem revolta não! Eu já sei o que fazer.
 Vou  rimar aqui até não poder,  até te expulsar de mim
Sou piegas, cafona, melodramática,
 Mas o que é o fim de um amor senão tudo isso misturado e eu um pouco de mais de tudo isso, enfim?

Sempre alguém me diz “esquece isso e segue em frente”
Mas o que fazer quando de repente a gente sente
 Uma pontada louca aguda dentro do peito que chega sem perguntar e te deixa fraco assim?

Mas não tem revolta não
 Esse rasgo um dia sara
E você não saberá
Que sozinha no meu quarto
Eu chorei por ti até não mais me aguentar


Tudo bem, não tem segredo não
É só viver o dia a dia
E quando isso passar
Vai voltar a alegria
E vou rir, eu sei, rir, mas rir assim, até me acabar!



...

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Delicado
é todo amor inciado
e quando fim, 
ter cuidado
para a dor
que vem 
arrebatada
não ser
tão
maior que 
o amor
que se
vai
desnorteado

sexta-feira, 31 de agosto de 2012




Ele diz que esse som é triste
Mas eu digo que é o que me deixa bem

São notas que inspiram e trazem para o ambiente um pouco de paz

Aí eu paro, olho pra essa janela nova

(ainda vou me acostumar com ela)

Porque está mais longe do céu, apesar de ter um passarinho bem perto

Mas é que o céu é muito importante

E olhando pra ela, com um pedacinho de azul no canto esquerdo

Penso no quanto desviamos de certos caminhos que outrora eram tão certeiros

Tudo depende do ponto de vista

Dói em mim brigar com alguém para defender algo que acredito

Penso logo o quanto quero as coisas do meu jeito

E que isso pode ser resquício de uma infãncia mimada e protegida da  real realidade

Mas meu analista diz que defender algo é parte do crescimento

E que brigar, às vezes, é importante.

Mas se me faz sofrer é que aindo me afeto demais com as coisas

E logo  eu, tu, ele, que penso que sei um pouco do mundo

Não sei de nada

Toda hora levo um arrastão de sabedoria dos outros

Me surpreendendo comigo mesma

Pois parece que quanto mais envelheço, mais não sei nada

Ou quando era mais jovem, era mais sábia

E não quero congelar como muitos, que depois de uma certa idade

Não se interessam mais em crescer

Às vezes tenho certeza que a reclusão é a minha salvação

Tenho medo de isso aumentar e me desviar do mundo

Como a religião faz com muitas pessoas

Acho que tenho vocação para ser só dos outros

Porque quando sou de mim, não sei aonde segurar

Ou me deparo com tamanha insegurança e medo

Que entendo a alegria de estar fora de casa

Esse lugar que é cheio de espelhos imaginários.

Não vou apresentar solução para esse discurso

Vou deixar seguir com a  vida

Queria ser mais calma

Como as pessoas que vejo nas fotos virtuais

Mas o virtual também é falso

Por isso vou pisar na areia e olhar o mar

O eterno professor do movimento.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012


Então, eu cheguei aqui.

Um lar acolhedor.

Depois de tudo o que se passou.



São tantos erros que cometi.

Faz parte do crescer

Que bom é amadurecer



Escolhas certas são consequencias

Caminhos tortos que tracei

Experiencias que passei



Muito coisa para aprender

Já posso até dizer

O que eu tenho é porque errei e aprendi



Já sou aquilo que perdi

Também sou o que escolhi

E serei o que ainda não vivi.

quarta-feira, 20 de junho de 2012


Você foi uma fonte de inspiração e continua sendo, porque não acaba o que fica.

Você me ensinou a escutar e continua ensinando, porque as músicas ainda tocam no meu som.

Você me ensinou a chorar e ainda choro, porque foi embora.

Você me ensinou a sorrir e ainda sorrio, porque tenho memória

Você me ensinou a querer mais e ainda quero, porque consegui.



Às vezes me conecto com você, sem você saber. É quando quero te recriar.

 E a profundidade que você deixou, me faz te agradecer por tudo o que ficou.

Me faz pensar o quanto foi bom te amar.

Me faz amar o quanto foi bom ter você.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Decai o nível
D
  e
   c
    a
     i
o
nível
da
poesia.

Quando se tem tanta coisa pra falar, mas a ocupação
que ocupa a ação,
te faz  e  s  v  a  z  i  a  r ,
Não morra antes de morrer!

Viver é arricar.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Prostração

É como uma massa invisível pesada e densa,
que nasce na frente do meu corpo e me impede de qualquer passo adiante.
Cansada, acabo cedendo, não luto com a massa e deito na cama.

Pego um livro e solto-o, acabo ligando a televisão.
Lá dentro da caixa, só merda, me torno imbecil,
sofro, mas não faço nada. A massa continua presente, ela vence, não tenho forças
sofro, mas é só por dentro, não consigo nem chorar.


Sou um personagem dos contos de Kafka ou Murilo Rubião.
Deitada na cama, me sinto pequena e oprimida.
A massa invisível cresce, já não consigo levantar.
Sede, quero beber água.
Nem isso.
Virei barata.

A manhã começa, as horas passam.
É preciso trabalhar. Tem muita coisa a fazer, tá tudo se atropelando.
Não vou conseguir.
A massa cresce,
quero levantar,
virei um piolho,
quero beber água,
cada vez mais difícil,
a TV me apodrece,
minha alma tá indo indo embora,
virei bicho,
meu corpo sua,
virei lixo,
o telefone toca,
não atendo,
minhas mãos sumiram.
Ah, mas também não me amolem!


Sonho em ser bebê.
Um bebê rico de berço de ouro.
Me pegam no colo, me dão de mamá e me fazem carinho.
Não preciso pensar em nada.
Arroto sem ser julagada,
um bebê, isso sim.


Sou Bukovski na versão mulher.
Mas sou pior, porque nem bebo pra desculpar a porra da zona que faço.
Se eu fosse uma mulherzinha inha inha,
estaria agora no salão de beleza
esquecendo de tudo, lendo uma revista e falando foda-se.
Mas resolvi ser outra coisa
e também falo foda-se.
Mulherzinha é o caralho.
Odeio salão de beleza
e essa merda de cultura que cultua essa merda

Bom dia, segunda feira
Vou ficar aqui na cama
há há há
To perdendo tempo
Time is money?
Foda-se!


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

SAMBA DA IMPERFEIÇÃO


Eu tô com uma angústia no meu peito
Dizem que alguém ta me seguindo
Invado os templos sem respeito
Eu rezo pra quem não ta ouvindo

Eu sigo falhando pela vida
Sem medo de ser de outra corrente
Sou buda, sou padre, sou ferida
To longe, to perto, to ausente


REFRÃO
A morte me chega e eu  to cantando
A vida ta indo e eu faço arte
O mundo passou me visitando
Espalho meu som por toda parte 
Eu ando nas ruas talento
Tentando encontrar a minha história
Sou pedra, sou caco, sou tormento
Sou gente perdida na memória x3

____
Escrevi o meu nome na calçada
Delataram como pichação
Perturbei meus vizinhos na noitada
Fui destaque da televisão

Tentei libertar meus conhecidos
Falaram que eu to condenado
Fugi pra um lugar desconhecido
Deixei um poema inacabado
Deixei um poema inacaba...

REFRÃO
A morte me chega e eu to cantando
A vida ta indo e eu faço arte
O mundo passou me visitando
Espalho meu som por toda parte
Eu ando nas ruas talento
Tentando encontrar a minha história
Sou pedra, sou caco, sou tormento
Sou gente perdida na memória x3







segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Já andei tão longe e cheguei aqui


Como eu cheguei aqui? Pois tudo o que andei me fez parar tão perto de mim, e tão igual ao que já fui, ao que já fiz, ao que senti, ao que vivi.
Quando eu percebi eu já fui tão longe
e agora não posso voltar, porque voltar seria desistir de amar.

E o amor é o que pode me salvar.
É o que me sustenta não chão, o que me suspende no ar.


Já sou sua, já és meu. Isso não é posse, é poesia.
Por você eu já posso viver.

Agora já era. Tudo o que você mentir, eu vou acreditar.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

NASCI UM BUFÃO


Em tempos de muitas certezas,  

Em tempos de regras ao ar

Tem vezes que tudo se perde, se pira, se solta

Momento de descontrolar.


Em tempos de ouvir te dizerem

A melhor conduta pra se portar

Tentei triste e sozinha

Um jeito, em vão, de me adaptar


Nem sempre é o certo o que faço

Mas certo nem sempre é o bom

E se implicam com meu jeito entortado

Melhor ter nariz de palhaço.



Vou andar pelas ruas empestadas

Comemorando a imperfeição

Meu nome não é mais “Desculpas”

Agora me chamo Bufão



Já tenho alguns anos de vida

E ainda preciso nascer

Crescer me olhando de fato

Para o mundo de fato me ver.

.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

ISSO FOI APENAS UMA CENA CURTA

(O casal está em harmonia. Constantemente se olham amigavelmente fazendo gestos de cordialidade. No silêncio, são extremamente gentis um com outro. Bebem vinho)
Regina: Eu fico muto feliz que a gente tenha conseguido finalmente chegar a essa harmonia.
Luíz: Eu também.
Regina: Mais vinho?
Luíz: Um pouco.
(ela o serve)
Regina: É muito bom concordarmos um com o outro dessa forma.
Luíz: Muito bom.
Regina: Sem ser como esses casais.
Luíz: Sem ser como todos os casais que passam por isso.
Regina: Todos, menos nós.
Luíz: Então, quase todos.
Regina: Isso. Quase todos.
Luíz: Mais vinho?
Regina: Um pouco.
(ele a serve)
Regina: (respira fundo) Hm... como é bom...
Luíz: O quê?
Regina: Respirar. Já parou para pensar nisso? Como é bom respirar.
(ele respira fundo)
Luíz: Realmente é muito bom. Respirar.
(os dois respiram)
Luíz: Nós estamos respirando.
Regina: Sim, finalmente. Estamos respirando. Mais vinho?
Luíz: Um pouco.
(ela o serve)
Regina: Sabe? Eu estou realmente feliz.
Luíz: Feliz?
Regina: Sim. Em poder passar por isso desse jeito.
Luíz: Você quer dizer, leve.
Regina: Pode ser. Leve. Você se sente leve?
Luíz: Como uma pena. Mais vinho?
Regina: Um pouco. (ele a serve)
Regina: Como uma pena. Gostei. Nós somos diferentes.
Luíz: Ainda bem.
Regina: Eu sinto que somos uma espécie de evolução social.
Luíz: Você sente?
Regina: Você não?
Luíz: Pode ser. Talvez vez você esteja querendo dizer que não fazemos parte das porcentagens.

Regina: Isso. Das cotas.
Luíz: Status quo.
Regina: Estatísticas.
Luíz: Não mesmo.
Regina: Não. Mais vinho?
Luíz: Um pouco.
(ela o serve)
Regina: Não mesmo.
Luíz: Não. Mais vinho?
Regina: Um pouco.
(ele a serve)
Regina: Como é bom ter paz quando o momento pede guerra.
Luíz: Gostei.
Regina: Do quê?
Luíz: Dessa frase. Como é bom ter paz quando o momento pede guerra. Parece nome de peça.
Regina: Peça?
Luíz: Peça curta. Cena.
Regina: Tipo esquete?
Luíz: Isso, esquete. Cena curta.
Regina: Como se isso fosse uma cena?
Luiz: Não, não! Não que estejamos fazendo uma cena.
Regina: Não, imagina. Mais vinho?
Luíz: Um pouco.
(ela o serve)
Luíz: Não se deve fazer cena quando o momento é a própria dose de realidade. Aí, mais um nome. Mais vinho?
Regina: Um pouco.
(ele a serve. Tempo de silêncio)
Luíz: Nossa última refeição.
Regina: O último vinho juntos.
Luíz: Um brinde aos últimos momentos.
(brindam. Bebem mais. silêncio)
Regina: O último momento... Quem disse isso?
  Luíz: Vamos apreciá-lo devagar.
(silêncio)
Regina: Mais nada a dizer.
Luíz: Nada.
Regina: É bom assim.
Luíz: É bom.
Regina: Ótimo.
Luíz: Excelente.
Regina: Magnífico
Luíz: Estupendo.
Regina: Incrível.
Luíz: Gratificante.
(tempo. Ela bebe)
Regina: Gratificante por quê?
Luíz: Não sei... Gratificante. Mais vinho?
(silêncio)
Luíz: Mais vinho?
Regina: (tempo) Explica.
Luíz: O quê?
Regina: O gratificante. O que é gratificante?
Luíz: Gratificante? Sei lá... foi só uma expressão, um modo de dizer.
Regina: Desenvolva.
Luíz: Oi?
Regina: Desenvolva.
Luíz: Cuidado para não entrarmos no status quo...
Regina: Desenvolva.
Luíz: As estatísticas.
Regina: Desenvolva.
Luíz: A gente tava indo tão bem.
Regina: Desenvolva.
Luíz: Estávamos conseguido, meu bem, não perca o foco.
Regina: De-sen-vol-va.
Luíz: A gente tava concordando com tudo, Regina, não estraga.
Regina: Tudo bem. Eu não vou estragar. Um pouco. (Ele a serve. tempo) Eu só não concordo que a gente concorde dessa maneira.
Luíz: Que maneira?
Regina: O que você quis dizer com gratificante?
Luíz: Eu não quis dizer nada com gratificante. Eu poderia nem ter dito gratificante.
Regina: Mas você disse !
Luíz: Eu disse que nós somos uma evolução social.
Regina: Você não disse isso. Eu disse isso.
Luíz: Cadê a evolução? Os evoluídos não discutem por causa de uma palavrinha.
Regina: Mas não é uma palavrinha qualquer. Você disse gratificante.
Luíz: E?
Regina: Para tudo tem um limite.
Luíz: Para tudo tem seu momento.
Regina: Cala a boca. Gratificante o quê? Se separar de mim é gratificante? Você poderia ao menos ser um pouco mais educado.
Luíz: Eu nem pensei no que falei.
Regina: Mas falou.
Luíz: Eu poderia ter dito por exemplo, dignificante.
Regina: Mas não falou! Mais vinho?
Luíz: Eu sabia que não ia dar certo. Não conseguiríamos. Até concordando a gente briga. Uma merda essa história de leveza, de diferentes. Diferentes o caralho. Não há casal que se separe que consiga sair do padrão. Putz, outro nome para esquete. Um pouco.
(ela o serve)
Regina: Você adora se sair de vítima, quando você é que sempre estraga tudo. Gratificante digo eu!

Luíz: Você parou de respirar.
Regina: Gratificante se separar, né? Depois de tudo o que fiz por você. Depois de todos esses anos de merda que eu perdi com você.
Luíz: Não esquece da yoga, Regina. Respira e solta. Lembra?
Regina: Cala a boca, Luiz.
Luíz; Amanhã você não me verá mais. Ainda dá tempo para recuperar todos esses anos perdidos de merda.
Regina: Não foi isso o que eu quis dizer!
Luíz: Mas disse!
(tempo)
Regina: Isso não devia estar acontecendo.
Luíz: A gente se separar?
Regina: Não! Esses insultos. Por que, para se separar, é preciso haver insultos?
Luíz: Estamos expurgando nossas frustrações. Às vezes é preciso expurgar as frustrações.
Regina: Mas tínhamos combinado que não deixaríamos isso acontecer.
Luíz: Isso foi antes do vinho. Mais vinho?
Regina: Um pouco.
(ele a serve)
Luíz: E se mudássemos de assunto?
Regina: Tipo o quê?
(tempo)
Luíz: Sabia que os casos mais graves de acne aumentam o risco de suicídio?
Regina: E daí?
Luíz: E daí, que o nosso filho é um adolescente.
Regina: E daí?
Luíz: E daí que ele tem acnes.
Regina: E daí?
Luíz: Isso não te preocupa?
Regina: Nosso filho não vai morrer.
Luíz: Nunca se sabe. Os tempos de hoje...
Regina: Por que gratificante?
Luíz: Caralho! Você não desiste!
Regina: Por quê? Por quê? Por quê?
Luíz: Por que não falamos das acnes? Saiu no jornal, então deve ser importante. Temos um filho adolescente.
Regina: Foda-se as acnes. Foda-se o nosso filho. Estamos falando da nossa separação. Dos anos lindos e bostas juntos que vão ser rompidos, dos nosso corpos que serão afastados, da nossa alma rasgada, um corte na nossa história. Será que você não entende? Você poderia ter dito tudo, tudo Luíz. Tudo, menos gratificante. Mais vinho?
Luíz: Um pouco! (ela o serve. tempo)Vamos acabar com isso agora.
Regina: Não! Vamos acabar com isso agora!
Luíz: Não! Vamos acabar com isso agora!
Regina: Não! Vamos acabar com isso agora!
Luíz: Não! Vamos acabar com isso agora!
Regina: Não! Vamos acabar com isso agora!
Luíz: Se estamos concordando, por que estamos brigando?!
Regina: Estamos expurgando nossas frustrações. Foda- se as estatísticas. É preciso expurgar as frustrações.
Luíz: Outro nome bom. Olha quanto nome bom daria para uma cena curta!
Regina: Foda-se os nomes! Você está com ideia fixa em nomes!
Luíz: E você está com ideia fixa em gratificante!
Regina e Luíz: Mais vinho?
Regina e Luiz: Um pouco.
(eles se servem. tempo)
Luíz: Desculpa. Eu não queria dizer gratificante.
Regina: Desculpa, eu não queria me tornar o que eu me tornei.
Luíz: Desculpa, eu não queria te fazer se tornar o que você se tornou.
Regina: Desculpa, eu não queria te fazer me fazer eu me tornar o que eu me tornei
  Luíz: Desculpa, eu não queria me separar de você. (tempo)
Regina: Não?
(tempo)
Luíz: Mais vinho?
Regina: Não? (tempo) Um pouco.
Luíz: Desculpa, acabou.
Regina: Eu sei.
  Luíz: O vinho.
Regina: Oi?
Luíz: O vinho acabou.
Regina: O vinho. (tempo) E agora, o que fazemos?
Luíz: E se mudássemos de assunto?
  Regina: Mudar de assunto? É isso? Então, tá bom. Se é isso. Vamos mudar de assunto.
Luíz: Tem certeza que não quer falar das acnes? Eu acho mesmo um assunto importante. Temos um filho adolescente.
Regina: Por que você quer tanto falar das acnes?
Luíz: Porque amanhã eu vou embora e não conversaremos mais sobre trivialidades.
Regina: Você tem mesmo que ir embora amanhã? (tempo. Ele não responde) Mais vinho? Ah! Esqueci. Acabou.
Luíz: É. Acabou.
Regina: O vinho.
Luíz: É. O vinho acabou.
(tempo)
Regina: Acabou.
Luíz: Acabou.
Regina: (respira) Então tá...
Luíz: (respira) Então tá...
Regina: Voltamos à cordialidade. Isso foi apenas uma cena curta.
Luíz: Isso não foi apenas uma cena curta.
Regina: Sim, isso foi. Mas vamos acabar com ela.
Luíz: Como?
Regina: Me fale das acnes.

FIM

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Adiante


É com você que quero errar para aprender

E assim me reconhecer nos conhecendo mais além


É com você que quero compartilhar a nossa força

E a vontade de construir, de evoluir, de melhorar


É com você que vou sofrer depois sorrir

Que vou chorar depois cantar de alegria


É com você que vou ser eu, o melhor de mim

E sendo assim, serás também


E quando houver desconexão

Vamos nos ouvir, prestar atenção, nos dar as mãos e prosseguir


É com você que vou valorizar o quanto é bom estar com alguém que faz o amor amar.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

JORNADA

Quero ser uma mulher tão forte e leve,

Que sempre recomeça quando algo pode declinar.

Vou chegar pelo mar navegando em silêncio e palavras,

Pois o tempo sempre deixa um espaço para colocar as coisas no lugar.


Vou na direção da paz

E saber ouvir os anjos espirituais,

Os anos só existem para nos ajudar nas respostas.


Se faltar carinho, vou desenhar com as mãos.

Se faltar olhar, vou respirar.

Se faltar calor, vou caminhar.

E o destino nunca vai me deixar na solidão.


Quero cultivar delicadeza.

E faze-la imperar em meu ser.

Declamar pelos cantos

A poesia no ato de viver.


Desejar amor.

Não vou mais me machucar.

Pois o que sou agora é o que realmente importa.




Dedicado à amiga Clara Linhart que me ajudou a enxergar

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Um dia estranho



Copacabana, todo dia, dia a dia é sempre igual:  

Obras, carros, apitos, sinais, alarmes, tiros, confusão

É ela, espremida, invadida, poluída, populada

Que se não fosse a praia, a orla, a brisa desviada

Entre prédios acimentados, empilhados lado a lado, colados sem permissão

Já estaria saturada, morta, apodrecida, ferida sem saída.


De repente, um silêncio degradante, ao longe o rádio do vizinho, ou da vila lá de trás.

Vez em quando um latido, alguns pequenos barulhinhos,

Poucos carros, pessoa lentas na calçadas, até o som de passarinhos

Assim, quase triste, sem sentido, um dia estranho e perturbador,

Um mercado aberto lotado, um jornaleiro fechado, sinais parados.


Então entendi. Era um feriado.






quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O CORPO E A ALMA


Meu corpo mora em um lugar onde o tempo é vento

Como nos clipes musicais

Todo instante, novo movimento

O coração batendo rápido

E em cada segundo já passou milhares de acontecimentos



Minha alma mora em um lugar onde o tempo é lento

Como nos contos de Guimarães e Gabriel

Todo pássaro traz um momento

O coração batendo calmo

E cada segundo é sempre um grande acontecimento.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

MILAGRE

Às vezes recebemos presentes raros,
Em horas não marcadas, em dias não combinados,
Que abalam nossos falsos apoios em verdades pré-estabelicidas,
Desbancando os planejamentos que fazemos para alguma coisa qualquer,
Que nos fazem sentir no controle de sei lá o quê.

Mas a beleza pode estar presente aí:
No caminho obscuro que se ilumina aos poucos.
Nunca saberemos de tudo. Nunca mesmo.
Quem acha que sim, sofrerá até o fim.


O tempo prático luta com o cosmos subjetivo.
O amor se apodera intrinsecamente dos poros
Sem pedir permissão.
E quando nos vemos ,
Estamos tomados,
Estamos amando,
E sendo amados.


Existe sim um lugar além do que não se pode ver.
Que não é pra ser longe,
Tá mais pra ser dentro.
Talvez é lá que fica a alma,
Que nos enlaça em abraços
E nos explica o que ela quer de verdade.
E, entendendo-a, não há nada mais o que temer.

De alguma forma vamos um dia aplaudir o destino
Como quem aplaude o belo músico ao piano
E aprende a receber
Os milagres.


Para meu grande amigo F.C





quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A PRIMEIRA VEZ QUE ELA DISSE "EU TE AMO"


Cris: Olha Pedro, melhor a gente não avançar com essa história.
Pedro: É?

Cris: Eu já tô vendo que não vai dar certo.

Pedro: É?

Cris: É. Não vai dar certo, a gente é muito diferente.

Pedro: É?

Cris: Você não vê isso? É tão claro, é tão óbvio.

Pedro: É?

Cris: Claro, evidente, óbvio.

Pedro: É?

Cris: Pra começar você é um cara da noite. Adora ficar horas em um bar bebendo sem hora pra sair, depois vagar pelas ruas desertas da cidade, sem nenhum medo. Eu não. Eu sou do dia. Não bebo, adoro acordar cedo, ver o sol, passear, entende? Isso pode ser um problema nas nossas vidas, você não acha?

Pedro: É?

Cris: Você fala tudo o que pensa, não tem papas na língua. Eu não. Eu me preocupo com o que vou dizer. Eu acho que a gente deve ter cuidado com as palavras. Acho mesmo. Isso pode ser um problema nas nossas vidas, você não acha?

Pedro: É?

Cris: E tem uma coisa importante. Você morre de medo de elevador. Eu moro no décimo andar! E agora? Como a gente vai fazer? Isso vai ser um problemas nas nossas vidas, você não acha?

Pedro: É?

Cris: Você, Pedro, é formado em filosofia. Filosofia , entende? É muito cabeça pra mim. Tudo bem que estudo letras. Mas é diferente. As minhas histórias são diferentes de seus discursos, entende?
Isso pode ser um problema nas nossas vidas, você não acha?

Pedro: É?

Cris: Ah! Tem outra coisa muito importante. Muito mesmo. Eu sei que você é louco pelo mar, eu sei que seu sonho é ter uma casa em frente à praia. Mas e a minha casinha nas montanhas. Estrategicamente perto das cachoeiras. Cachoeiras, tá entendendo? Você ama o mar e eu tenho uma casinha nas montanhas. Isso pode ser um problema nas nossas vidas, você não acha?

Pedro: É?

Cris: agora, isso é muito sério. Você foi ca-sa-do! Você teve uma esposa, uma mulher, que morou com você por um tempo. E eu só tive namorados. São experiências muito diferentes, entende? Isso pode ser um problema nas nossas vidas, você não acha?

Pedro: É?

Cris: E para completar, você tem uma vida muito mais tranquila que a minha. Eu até te invejo o jeito que você leva a vida. Você medita, isso é incrível. Eu invejo pessoas que meditam. Porque eu eu, eu Pedro, não tenho tempo pra nada. Entendeu isso? Minha vida é frenética, eu estudo, trabalho, trabalho e estudo. E não consigo ficar sem fazer nada por menos de cinco minutos. Sou frenética, frenética, frenética! Isso pode ser um problema nas nossas vidas, você não acha?

Pedro: É?

(tempo. Cris com pesar)

Cris: É.

(silencio)

Pedro: É. (Tempo) Eu entendo você.

Cris: (decepcionada) É?

Pedro: Eu entendo a sua preocupação.

Cris: É?

Pedro: Eu também andei pensando sobre a gente. Sobre tudo isso aí que você falou.

Cris: É?

Pedro: Em como pode ser legal, eu acordar mais cedo pra você me levar para fazer um monte de passeios durante o dia e eu te mostrar como a cidade pode ser linda de noite, entre bares, músicas, e gente de todos os tipos.

Cris: É?

Pedro: Eu adoraria aprender a ter a sua delicadeza. Pra deixar meu modo de falar com as pessoas mais sofisticado, mas cuidadoso, como você mesma diz. Eu me espelharia em você, e você poderia aprender comigo a falar mais o que sente, o que pensa com os outros. Não deixarem as pessoas se aproveitarem da sua delicadeza e saber se colocar mais.

Cris: É?

Pedro: E é verdade. Eu morro de medo de elevador. Não sei o que acontece comigo. Só de pensar começa a dar brotoeja. Deve ser algum trauma de infância , sei lá. Mas só de saber que dez andares dentro daquela caixa pequena, significam você abrir a porta do seu apartamento pra mim e a gente passar uma noite maravilhosa juntos, eu encaro meu medo. (ri) O meu medo vira fichinha. Nada pode ser tão melhor que pegar o elevador pra te ver.

Cris: É?

Pedro: Eu adoro ficar filosofando pra você, aos quatro cantos e a gente conversar até não poder mais. E eu fico louco de alegria ao ver seus olhinhos brilhando quando você me conta uma história, um conto que você tá lendo, sua paixão pelas histórias, pelo ser humano. Meu discurso te inspira, suas histórias me apaixonam.

Cris : É?


Pedro: E fiquei pensando de eu te levar pra conhecer a melhores praias desse país, numa viagem linda pelo litoral, e você poderia me mostrar a serra. Eu adoraria conhecer sua casinha, deitados na rede comendo fruta fresca e nadando no rio.

Cris: É?

Pedro: E eu não cometeria os mesmo erros que cometi no casamento com você. Porque se tem uma coisa importante que aconteceu, é que eu pude me conhecer melhor, e isso pra mim é fundamental para construir uma relação. Eu tenho certeza que você deve ter crescido muito nos seus relacionamentos. Essa união de experiencia ia fazer da gente um casal incrível.

Cris: É?

Pedro: E eu acho o máximo essa sua dedicação frenética aos seus projetos pessoais, aos seus empreendimentos. Isso me ajuda com os meus projetos que também quero realizar. Eu poderia te ensinar a meditar pra te ajudar a ficar menos ansiosa. A gente poderia se dar bem nisso.

Cris: É?

Pedro: É. (tempo) Mas eu entendo que isso pode ser só uma idealização minha. Eu entendo o que você falou, o seu medo. E te respeito e não quero ser um problema na sua vida. Como você mesma disse, nossas diferenças são claras, óbvias e evidentes.

Cris: É?

Pedro: Bom, então eu acho melhor eu ir, né? É melhor, eu acho... (tempo) É... Então... Tchau.

(ele vai saindo)

Cris: Pedro!

(ele se vira pra ela)

Cris: Eu te amo.

FIM



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

SEM DESPEDIDAS


Todo amor perdido    
é feito de abismos,
um diálogo inacabado.

É produto de um vazio,
uma falta inexplicável,
que só o tempo é capaz de transformar.

Será que depois de tantas voltas,
é possível reencontrar a fonte dos sonhos,
deixada pra trás?

Ou perceber um jeito
de olhar pra frente
sem que a ferida interfira no passo?


Pois a pior partida
é a sem despedidas.
É quando a morte chega
mesmo sem morrer.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

FRANCISCO E O MUNDO

Estréia amanhã!13/108/2011





FRANCISCO E O MUNDO
um espetáculo da Companhia Teatro de Nós
sábados e domingos, às 18:30h
de 13 de agosto a 25 de setembro
Centro de Referência Cultura Infância Teatro Municipal do Jockey
ingresso: R$ 20,00 (inteira)
classificação: livre
acessibilidade – sessões com intérpretes de Libras e audiodescrição
Intérpretes de Libras nos dias: 13/08 (Sáb.), 21/08 (Dom.), 27/08 (Sáb.), 04/09 (Dom.), 10/09 (Sáb.), 18/09 (Dom.) e 24/09 (Sáb.).
Audiodescrição nos dias: 27/08 (sáb.) e 18/09 (dom.).
Para mais informações, visite: www.teatrodenos.com

FICHA TÉCNICA
idealização do projeto e argumento: Diego Molina, Paulo Giardini e Renata Mizrahi
texto: Renata Mizrahi
direção: Diego Molina
produção: Maria Alice Silvério Lima
elenco: Alexandre Barros, João Vithor Oliveira, Marcia Brasil, Marino Rocha e Paulo Giardini
standin: Bruno Chaves
vozes em off: Eliane Giardini, Paulo Betti e Isadora Medella
cenário: Ana Machado / com colaboração de Aurora dos Campos
projeções cenográficas: André Rumjanek
figurino e visagismo: Bruno Perlatto
iluminação: Anderson Ratto
trilha sonora original e direção musical: Isadora Medella
direção de movimento e preparação corporal: Juliana Medella
design gráfico e ilustrações: Letícia Rumjanek
fotos: Pimenteira Laboratório de Ideias
assessoria de imprensa: Armazém Comunicação
intérprete de Libras: Jadson Abraāo e Davi do Rosário – JDL Acessibilidade na Comunicação
audiodescrição: Nara Monteiro – Cinema Falado
assistência de direção: Alexandre Barros
assistência de figurinos: Stefânia Ferreira
assistência de produção: Valéria Alves
cenotécnica Maranhão e equipe
costureiras: Márcia Jackson (figurinos) e Rosângela Lapas (cenário)
produção e realização: Companhia Teatro de Nós


domingo, 7 de agosto de 2011

DECLARAÇÃO DE AMOR E DESEJO

Eu quero ser a fonte dos novos sonhos
E poder correr livre sem olhar pra trás
A dor que me transformou, vou deixar no caminho
Pra permitir que o novo amor possa chegar com toda merecida honraria


Eu quero estar de olhos abertos bem atentos a tudo o que é novo
E aceitá-lo como um presente da vida
Que vou recompensar com toda a minha delicadeza
Cuidando daquilo que me faz feliz


Eu quero ser melhor e maior que tudo o que já fui
Para assumir as novas escolhas
E não ter medo de me soltar no vento
Que me leva par um novo lar


Eu já sinto a veia vibrar novamente
E ouço o corpo falar
A troca mais perfeita
É o desejo de estar junto sem se preocupar.

Para F. L. L.