Ainda choro
mas sei que é purificação
Então rezo
Pra lapidar todo esse amor
E fazer uma obra de arte
Que traga mais Luz.
Ainda sinto
uma tristeza no interior
então me lembro
da vontade de continuar
O desejo de aprender
Estou
cada vez mais perto de mim
Me peguei flutuando no mar
Descobri o quanto posso dançar.
E agora não quero parar.
Estou amando cada vez mais
Essa vida que sabe o que faz
Coração que até bate demais
Pulso firme que sabe ensinar
Às vezes, confesso, tento entender
mas depois eu penso, pra que?
se o passado não dá pra voltar
e o futuro eu posso mudar
o presente eu vivo pra ser
eu sou pra viver
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
sábado, 11 de janeiro de 2014
domingo, 1 de dezembro de 2013
SONHOS II
Tudo ia bem pelo menos pra mim que não via nada errado
Nem um sinal de escuridão na nossa luz a dois.
Não sei se tava cega ou passei despercebida
Você não me avisou que eu já estava sem saída
E me segurou enquanto pode, pra me largar de repente assim no meio
de um nada.
E agora meu amor, estou aqui sozinha tentando entender em que
ponto eu errei.
Talvez não tava olhando para você do mesmo jeito,
Mas o que fazer se não tive outra escolha, senão lutar até não
mais poder.
Tudo tava indo bem pelo menos pra mim que te amava feito mais que
já amei.
E não te ouvi quando você disse “calma!”
“Nada é para sempre, estamos juntos agora, mas do futuro eu não
sei.”
Tudo tava indo bem até você me segurar quando não tão bem assim,
eu senti e quis caminhar.
Me prendeu à promessas de um futuro belo.
Eu corri atrás de um eu melhor pra gente ser feliz.
Me iludi com as fagulhas de segundos que o teu desespero me fez
acreditar,
E você de repente me disse que tava louco, apaixonado por outra
pessoa
Aaaaaaaaahhhh!
Mas não tem revolta não! Eu já sei o que fazer.
Vou rimar aqui até não poder, até te expulsar de
mim
Sou piegas, cafona, melodramática,
Mas o que é o fim de um amor senão tudo isso misturado e eu
um pouco de mais de tudo isso, enfim?
Sempre alguém me diz “esquece isso e segue em frente”
Mas o que fazer quando de repente a gente sente
Uma pontada louca aguda dentro do peito que chega sem
perguntar e te deixa fraco assim?
Mas não tem revolta não
Esse rasgo um dia sara
E você não saberá
Que sozinha no meu quarto
Eu chorei por ti até não mais me aguentar
Tudo bem, não tem segredo não
É só viver o dia a dia
E quando isso passar
Vai voltar a alegria
E vou rir, eu sei, rir, mas rir assim, até me acabar!
...
E vou rir, eu sei, rir, mas rir assim, até me acabar!
...
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Ele diz que esse som é triste
Mas eu digo que é o que me
deixa bem
São notas que inspiram e
trazem para o ambiente um pouco de paz
Aí eu paro, olho pra essa
janela nova
(ainda vou me acostumar com
ela)
Porque está mais longe do céu,
apesar de ter um passarinho bem perto
Mas é que o céu é muito
importante
E olhando pra ela, com um
pedacinho de azul no canto esquerdo
Penso no quanto desviamos de
certos caminhos que outrora eram tão certeiros
Tudo depende do ponto de vista
Dói em mim brigar com alguém
para defender algo que acredito
Penso logo o quanto quero as
coisas do meu jeito
E que isso pode ser resquício
de uma infãncia mimada e protegida da
real realidade
Mas meu analista diz que
defender algo é parte do crescimento
E que brigar, às vezes, é
importante.
Mas se me faz sofrer é que
aindo me afeto demais com as coisas
E logo eu, tu, ele, que penso que sei um pouco do mundo
Não sei de nada
Toda hora levo um arrastão de
sabedoria dos outros
Me surpreendendo comigo mesma
Pois parece que quanto mais
envelheço, mais não sei nada
Ou quando era mais jovem, era
mais sábia
E não quero congelar como
muitos, que depois de uma certa idade
Não se interessam mais em
crescer
Às vezes tenho certeza que a
reclusão é a minha salvação
Tenho medo de isso aumentar e
me desviar do mundo
Como a religião faz com
muitas pessoas
Acho que tenho vocação para
ser só dos outros
Porque quando sou de mim, não
sei aonde segurar
Ou me deparo com tamanha
insegurança e medo
Que entendo a alegria
de estar fora de casa
Esse lugar que é cheio de
espelhos imaginários.
Não vou apresentar solução
para esse discurso
Vou deixar seguir com a vida
Queria ser mais calma
Como as pessoas que vejo nas
fotos virtuais
Mas o virtual também é falso
Por isso vou pisar na areia e
olhar o mar
O eterno professor do
movimento.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Então, eu cheguei aqui.
Um lar acolhedor.
Depois de tudo o que se passou.
São tantos erros que cometi.
Faz parte do crescer
Que bom é amadurecer
Escolhas certas são consequencias
Caminhos tortos que tracei
Experiencias que passei
Muito coisa para aprender
Já posso até dizer
O que eu tenho é porque errei e aprendi
Já sou aquilo que perdi
Também sou o que escolhi
E serei o que ainda não vivi.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Você foi uma fonte de inspiração e continua sendo, porque
não acaba o que fica.
Você me ensinou a escutar e continua ensinando, porque as
músicas ainda tocam no meu som.
Você me ensinou a chorar e ainda choro, porque foi embora.
Você me ensinou a sorrir e ainda sorrio, porque tenho memória
Você me ensinou a querer mais e ainda quero, porque
consegui.
Às vezes me conecto com você, sem você saber. É quando quero
te recriar.
E a profundidade que
você deixou, me faz te agradecer por tudo o que ficou.
Me faz pensar o quanto foi bom te amar.
Me faz amar o quanto foi bom ter você.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Prostração
É como uma massa
invisível pesada e densa,
que nasce na frente do meu corpo e me impede de qualquer passo adiante.
Cansada, acabo cedendo, não luto com a massa e deito na cama.
Pego um livro e solto-o, acabo ligando a televisão.
Lá dentro da caixa, só merda, me torno imbecil,
sofro, mas não faço nada. A massa continua presente, ela vence, não tenho forças
sofro, mas é só por dentro, não consigo nem chorar.
Sou um personagem dos contos de Kafka ou Murilo Rubião.
Deitada na cama, me
sinto pequena e oprimida.
A massa invisível cresce, já não consigo levantar.
Sede, quero beber água.
Nem isso.
Virei barata.
A manhã começa, as horas passam.
É preciso trabalhar. Tem muita coisa a fazer, tá tudo se atropelando.
Não vou conseguir.
A massa cresce,
quero levantar,
virei um piolho,
quero beber água,
cada vez mais difícil,
a TV me apodrece,
minha alma tá indo indo embora,
virei bicho,
meu corpo sua,
virei lixo,
o telefone toca,
não atendo,
minhas mãos sumiram.
Ah, mas também não me amolem!
Sonho em ser bebê.
Um bebê rico de berço de ouro.
Me pegam no colo, me dão de mamá e me fazem carinho.
Não preciso pensar em nada.
Arroto sem ser julagada,
um bebê, isso sim.
Sou Bukovski na versão mulher.
Mas sou pior, porque nem bebo pra desculpar a porra da zona que faço.
Se eu fosse uma mulherzinha inha inha,
estaria agora no salão de beleza
esquecendo de tudo, lendo uma revista e falando foda-se.
Mas resolvi ser outra coisa
e também falo foda-se.
Mulherzinha é o caralho.
Odeio salão de beleza
e essa merda de cultura que cultua essa merda
Bom dia, segunda feira
Vou ficar aqui na cama
há há há
To perdendo tempo
Time is money?
Foda-se!
que nasce na frente do meu corpo e me impede de qualquer passo adiante.
Cansada, acabo cedendo, não luto com a massa e deito na cama.
Pego um livro e solto-o, acabo ligando a televisão.
Lá dentro da caixa, só merda, me torno imbecil,
sofro, mas não faço nada. A massa continua presente, ela vence, não tenho forças
sofro, mas é só por dentro, não consigo nem chorar.
Sou um personagem dos contos de Kafka ou Murilo Rubião.
A massa invisível cresce, já não consigo levantar.
Sede, quero beber água.
Nem isso.
Virei barata.
A manhã começa, as horas passam.
É preciso trabalhar. Tem muita coisa a fazer, tá tudo se atropelando.
Não vou conseguir.
A massa cresce,
quero levantar,
virei um piolho,
quero beber água,
cada vez mais difícil,
a TV me apodrece,
minha alma tá indo indo embora,
virei bicho,
meu corpo sua,
virei lixo,
o telefone toca,
não atendo,
minhas mãos sumiram.
Ah, mas também não me amolem!
Sonho em ser bebê.
Um bebê rico de berço de ouro.
Me pegam no colo, me dão de mamá e me fazem carinho.
Não preciso pensar em nada.
Arroto sem ser julagada,
um bebê, isso sim.
Sou Bukovski na versão mulher.
Mas sou pior, porque nem bebo pra desculpar a porra da zona que faço.
Se eu fosse uma mulherzinha inha inha,
estaria agora no salão de beleza
esquecendo de tudo, lendo uma revista e falando foda-se.
Mas resolvi ser outra coisa
e também falo foda-se.
Mulherzinha é o caralho.
Odeio salão de beleza
e essa merda de cultura que cultua essa merda
Vou ficar aqui na cama
há há há
To perdendo tempo
Time is money?
Foda-se!
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
SAMBA DA IMPERFEIÇÃO
Eu tô com uma angústia no meu peito
Dizem que alguém ta me seguindo
Invado os templos sem respeito
Eu rezo pra quem não ta ouvindo
Eu sigo falhando pela vida
Sem medo de ser de outra corrente
Sou buda, sou padre, sou ferida
To longe, to perto, to ausente
REFRÃO
A morte me chega e eu to cantando
A vida ta indo e eu faço arte
O mundo passou me visitando
Espalho meu som por toda parte
Eu
ando nas ruas talento
Tentando
encontrar a minha história
Sou
pedra, sou caco, sou tormento
Sou
gente perdida na memória x3
____
Escrevi
o meu nome na calçada
Delataram
como pichação
Perturbei
meus vizinhos na noitada
Fui
destaque da televisão
Tentei
libertar meus conhecidos
Falaram
que eu to condenado
Fugi pra
um lugar desconhecido
Deixei
um poema inacabado
Deixei
um poema inacaba...
A morte me chega e eu to cantando
A vida ta indo e eu faço arte
O mundo passou me visitando
Espalho meu som por toda parte
Eu ando nas ruas talento
Tentando encontrar a minha história
Sou pedra, sou caco, sou tormento
Sou gente perdida na memória x3
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Já andei tão longe e cheguei aqui
Como eu cheguei aqui? Pois tudo o que andei me fez parar tão perto de mim, e tão igual ao que já fui, ao que já fiz, ao que senti, ao que vivi.
Quando eu percebi eu já fui tão longe
e agora não posso voltar, porque voltar seria desistir de amar.
E o amor é o que pode me salvar.
É o que me sustenta não chão, o que me suspende no ar.
Já sou sua, já és meu. Isso não é posse, é poesia.
Agora já era. Tudo o
que você mentir, eu vou acreditar.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
NASCI UM BUFÃO
Em tempos de muitas certezas,
Em tempos de regras ao ar
Tem vezes que tudo se
perde, se pira, se solta
Momento de
descontrolar.
A melhor conduta pra se
portar
Tentei triste e sozinha
Um jeito, em vão, de
me adaptar
Mas certo nem sempre é
o bom
E se implicam com meu
jeito entortado
Melhor ter nariz de
palhaço.
Vou andar pelas ruas
empestadas
Comemorando a
imperfeição
Meu nome não é mais
“Desculpas”
Agora me chamo Bufão
Já tenho alguns anos
de vida
E ainda preciso nascer
Crescer me olhando de
fato
Para o mundo de fato me
ver.
.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
ISSO FOI APENAS UMA CENA CURTA
(O casal está em harmonia. Constantemente se olham amigavelmente fazendo gestos de cordialidade. No silêncio, são extremamente gentis um com outro. Bebem vinho)
Regina: Eu fico muto feliz que a gente tenha conseguido finalmente chegar a essa harmonia.
Luíz: Eu também.
Regina: Mais vinho?
Luíz: Um pouco.
(ela o serve)
Regina: É muito bom concordarmos um com o outro dessa forma.
Luíz: Muito bom.
Regina: Sem ser como esses casais.
Luíz: Sem ser como todos os casais que passam por isso.
Regina: Todos, menos nós.
Luíz: Então, quase todos.
Regina: Isso. Quase todos.
Luíz: Mais vinho?
Regina: Um pouco.
(ele a serve)
Regina: (respira fundo) Hm... como é bom...
Luíz: O quê?
Regina: Respirar. Já parou para pensar nisso? Como é bom respirar.
(ele respira fundo)
Luíz: Realmente é muito bom. Respirar.
(os dois respiram)
Luíz: Nós estamos respirando.
Regina: Sim, finalmente. Estamos respirando. Mais vinho?
Luíz: Um pouco.
(ela o serve)
Regina: Sabe? Eu estou realmente feliz.
Luíz: Feliz?
Regina: Sim. Em poder passar por isso desse jeito.
Luíz: Você quer dizer, leve.
Regina: Pode ser. Leve. Você se sente leve?
Luíz: Como uma pena. Mais vinho?
Regina: Um pouco. (ele a serve)
Regina: Como uma pena. Gostei. Nós somos diferentes.
Luíz: Ainda bem.
Regina: Eu sinto que somos uma espécie de evolução social.
Luíz: Você sente?
Regina: Você não?
Luíz: Pode ser. Talvez vez você esteja querendo dizer que não fazemos parte das porcentagens.
Regina: Isso. Das cotas.
Luíz: Status quo.
Regina: Estatísticas.
Luíz: Não mesmo.
Regina: Não. Mais vinho?
Luíz: Um pouco.
(ela o serve)
Regina: Não mesmo.
Luíz: Não. Mais vinho?
Regina: Um pouco.
(ele a serve)
Regina: Como é bom ter paz quando o momento pede guerra.
Luíz: Gostei.
Regina: Do quê?
Luíz: Dessa frase. Como é bom ter paz quando o momento pede guerra. Parece nome de peça.
Regina: Peça?
Luíz: Peça curta. Cena.
Regina: Tipo esquete?
Luíz: Isso, esquete. Cena curta.
Regina: Como se isso fosse uma cena?
Luiz: Não, não! Não que estejamos fazendo uma cena.
Regina: Não, imagina. Mais vinho?
Luíz: Um pouco.
(ela o serve)
Luíz: Não se deve fazer cena quando o momento é a própria dose de realidade. Aí, mais um nome. Mais vinho?
Regina: Um pouco.
(ele a serve. Tempo de silêncio)
Luíz: Nossa última refeição.
Regina: O último vinho juntos.
Luíz: Um brinde aos últimos momentos.
(brindam. Bebem mais. silêncio)
Regina: O último momento... Quem disse isso?
Luíz: Vamos apreciá-lo devagar.
(silêncio)
Regina: Mais nada a dizer.
Luíz: Nada.
Regina: É bom assim.
Luíz: É bom.
Regina: Ótimo.
Luíz: Excelente.
Regina: Magnífico
Luíz: Estupendo.
Regina: Incrível.
Luíz: Gratificante.
(tempo. Ela bebe)
Regina: Gratificante por quê?
Luíz: Não sei... Gratificante. Mais vinho?
(silêncio)
Luíz: Mais vinho?
Regina: (tempo) Explica.
Luíz: O quê?
Regina: O gratificante. O que é gratificante?
Luíz: Gratificante? Sei lá... foi só uma expressão, um modo de dizer.
Regina: Desenvolva.
Luíz: Oi?
Regina: Desenvolva.
Luíz: Cuidado para não entrarmos no status quo...
Regina: Desenvolva.
Luíz: As estatísticas.
Regina: Desenvolva.
Luíz: A gente tava indo tão bem.
Regina: Desenvolva.
Luíz: Estávamos conseguido, meu bem, não perca o foco.
Regina: De-sen-vol-va.
Luíz: A gente tava concordando com tudo, Regina, não estraga.
Regina: Tudo bem. Eu não vou estragar. Um pouco. (Ele a serve. tempo) Eu só não concordo que a gente concorde dessa maneira.
Luíz: Que maneira?
Regina: O que você quis dizer com gratificante?
Luíz: Eu não quis dizer nada com gratificante. Eu poderia nem ter dito gratificante.
Regina: Mas você disse !
Luíz: Eu disse que nós somos uma evolução social.
Regina: Você não disse isso. Eu disse isso.
Luíz: Cadê a evolução? Os evoluídos não discutem por causa de uma palavrinha.
Regina: Mas não é uma palavrinha qualquer. Você disse gratificante.
Luíz: E?
Regina: Para tudo tem um limite.
Luíz: Para tudo tem seu momento.
Regina: Cala a boca. Gratificante o quê? Se separar de mim é gratificante? Você poderia ao menos ser um pouco mais educado.
Luíz: Eu nem pensei no que falei.
Regina: Mas falou.
Luíz: Eu poderia ter dito por exemplo, dignificante.
Regina: Mas não falou! Mais vinho?
Luíz: Eu sabia que não ia dar certo. Não conseguiríamos. Até concordando a gente briga. Uma merda essa história de leveza, de diferentes. Diferentes o caralho. Não há casal que se separe que consiga sair do padrão. Putz, outro nome para esquete. Um pouco.
(ela o serve)
Regina: Você adora se sair de vítima, quando você é que sempre estraga tudo. Gratificante digo eu!
Luíz: Você parou de respirar.
Regina: Gratificante se separar, né? Depois de tudo o que fiz por você. Depois de todos esses anos de merda que eu perdi com você.
Luíz: Não esquece da yoga, Regina. Respira e solta. Lembra?
Regina: Cala a boca, Luiz.
Luíz; Amanhã você não me verá mais. Ainda dá tempo para recuperar todos esses anos perdidos de merda.
Regina: Não foi isso o que eu quis dizer!
Luíz: Mas disse!
(tempo)
Regina: Isso não devia estar acontecendo.
Luíz: A gente se separar?
Regina: Não! Esses insultos. Por que, para se separar, é preciso haver insultos?
Luíz: Estamos expurgando nossas frustrações. Às vezes é preciso expurgar as frustrações.
Regina: Mas tínhamos combinado que não deixaríamos isso acontecer.
Luíz: Isso foi antes do vinho. Mais vinho?
Regina: Um pouco.
(ele a serve)
Luíz: E se mudássemos de assunto?
Regina: Tipo o quê?
(tempo)
Luíz: Sabia que os casos mais graves de acne aumentam o risco de suicídio?
Regina: E daí?
Luíz: E daí, que o nosso filho é um adolescente.
Regina: E daí?
Luíz: E daí que ele tem acnes.
Regina: E daí?
Luíz: Isso não te preocupa?
Regina: Nosso filho não vai morrer.
Luíz: Nunca se sabe. Os tempos de hoje...
Regina: Por que gratificante?
Luíz: Caralho! Você não desiste!
Regina: Por quê? Por quê? Por quê?
Luíz: Por que não falamos das acnes? Saiu no jornal, então deve ser importante. Temos um filho adolescente.
Regina: Foda-se as acnes. Foda-se o nosso filho. Estamos falando da nossa separação. Dos anos lindos e bostas juntos que vão ser rompidos, dos nosso corpos que serão afastados, da nossa alma rasgada, um corte na nossa história. Será que você não entende? Você poderia ter dito tudo, tudo Luíz. Tudo, menos gratificante. Mais vinho?
Luíz: Um pouco! (ela o serve. tempo)Vamos acabar com isso agora.
Regina: Não! Vamos acabar com isso agora!
Luíz: Não! Vamos acabar com isso agora!
Regina: Não! Vamos acabar com isso agora!
Luíz: Não! Vamos acabar com isso agora!
Regina: Não! Vamos acabar com isso agora!
Luíz: Se estamos concordando, por que estamos brigando?!
Regina: Estamos expurgando nossas frustrações. Foda- se as estatísticas. É preciso expurgar as frustrações.
Luíz: Outro nome bom. Olha quanto nome bom daria para uma cena curta!
Regina: Foda-se os nomes! Você está com ideia fixa em nomes!
Luíz: E você está com ideia fixa em gratificante!
Regina e Luíz: Mais vinho?
Regina e Luiz: Um pouco.
(eles se servem. tempo)
Luíz: Desculpa. Eu não queria dizer gratificante.
Regina: Desculpa, eu não queria me tornar o que eu me tornei.
Luíz: Desculpa, eu não queria te fazer se tornar o que você se tornou.
Regina: Desculpa, eu não queria te fazer me fazer eu me tornar o que eu me tornei
Luíz: Desculpa, eu não queria me separar de você. (tempo)
Regina: Não?
(tempo)
Luíz: Mais vinho?
Regina: Não? (tempo) Um pouco.
Luíz: Desculpa, acabou.
Regina: Eu sei.
Luíz: O vinho.
Regina: Oi?
Luíz: O vinho acabou.
Regina: O vinho. (tempo) E agora, o que fazemos?
Luíz: E se mudássemos de assunto?
Regina: Mudar de assunto? É isso? Então, tá bom. Se é isso. Vamos mudar de assunto.
Luíz: Tem certeza que não quer falar das acnes? Eu acho mesmo um assunto importante. Temos um filho adolescente.
Regina: Por que você quer tanto falar das acnes?
Luíz: Porque amanhã eu vou embora e não conversaremos mais sobre trivialidades.
Regina: Você tem mesmo que ir embora amanhã? (tempo. Ele não responde) Mais vinho? Ah! Esqueci. Acabou.
Luíz: É. Acabou.
Regina: O vinho.
Luíz: É. O vinho acabou.
(tempo)
Regina: Acabou.
Luíz: Acabou.
Regina: (respira) Então tá...
Luíz: (respira) Então tá...
Regina: Voltamos à cordialidade. Isso foi apenas uma cena curta.
Luíz: Isso não foi apenas uma cena curta.
Regina: Sim, isso foi. Mas vamos acabar com ela.
Luíz: Como?
Regina: Me fale das acnes.
FIM
Regina: Eu fico muto feliz que a gente tenha conseguido finalmente chegar a essa harmonia.
Luíz: Eu também.
Regina: Mais vinho?
Luíz: Um pouco.
(ela o serve)
Regina: É muito bom concordarmos um com o outro dessa forma.
Luíz: Muito bom.
Regina: Sem ser como esses casais.
Luíz: Sem ser como todos os casais que passam por isso.
Regina: Todos, menos nós.
Luíz: Então, quase todos.
Regina: Isso. Quase todos.
Luíz: Mais vinho?
Regina: Um pouco.
(ele a serve)
Regina: (respira fundo) Hm... como é bom...
Luíz: O quê?
Regina: Respirar. Já parou para pensar nisso? Como é bom respirar.
(ele respira fundo)
Luíz: Realmente é muito bom. Respirar.
(os dois respiram)
Luíz: Nós estamos respirando.
Regina: Sim, finalmente. Estamos respirando. Mais vinho?
Luíz: Um pouco.
(ela o serve)
Regina: Sabe? Eu estou realmente feliz.
Luíz: Feliz?
Regina: Sim. Em poder passar por isso desse jeito.
Luíz: Você quer dizer, leve.
Regina: Pode ser. Leve. Você se sente leve?
Luíz: Como uma pena. Mais vinho?
Regina: Um pouco. (ele a serve)
Regina: Como uma pena. Gostei. Nós somos diferentes.
Luíz: Ainda bem.
Regina: Eu sinto que somos uma espécie de evolução social.
Luíz: Você sente?
Regina: Você não?
Luíz: Pode ser. Talvez vez você esteja querendo dizer que não fazemos parte das porcentagens.
Regina: Isso. Das cotas.
Luíz: Status quo.
Regina: Estatísticas.
Luíz: Não mesmo.
Regina: Não. Mais vinho?
Luíz: Um pouco.
(ela o serve)
Regina: Não mesmo.
Luíz: Não. Mais vinho?
Regina: Um pouco.
(ele a serve)
Regina: Como é bom ter paz quando o momento pede guerra.
Luíz: Gostei.
Regina: Do quê?
Luíz: Dessa frase. Como é bom ter paz quando o momento pede guerra. Parece nome de peça.
Regina: Peça?
Luíz: Peça curta. Cena.
Regina: Tipo esquete?
Luíz: Isso, esquete. Cena curta.
Regina: Como se isso fosse uma cena?
Luiz: Não, não! Não que estejamos fazendo uma cena.
Regina: Não, imagina. Mais vinho?
Luíz: Um pouco.
(ela o serve)
Luíz: Não se deve fazer cena quando o momento é a própria dose de realidade. Aí, mais um nome. Mais vinho?
Regina: Um pouco.
(ele a serve. Tempo de silêncio)
Luíz: Nossa última refeição.
Regina: O último vinho juntos.
Luíz: Um brinde aos últimos momentos.
(brindam. Bebem mais. silêncio)
Regina: O último momento... Quem disse isso?
Luíz: Vamos apreciá-lo devagar.
(silêncio)
Regina: Mais nada a dizer.
Luíz: Nada.
Regina: É bom assim.
Luíz: É bom.
Regina: Ótimo.
Luíz: Excelente.
Regina: Magnífico
Luíz: Estupendo.
Regina: Incrível.
Luíz: Gratificante.
(tempo. Ela bebe)
Regina: Gratificante por quê?
Luíz: Não sei... Gratificante. Mais vinho?
(silêncio)
Luíz: Mais vinho?
Regina: (tempo) Explica.
Luíz: O quê?
Regina: O gratificante. O que é gratificante?
Luíz: Gratificante? Sei lá... foi só uma expressão, um modo de dizer.
Regina: Desenvolva.
Luíz: Oi?
Regina: Desenvolva.
Luíz: Cuidado para não entrarmos no status quo...
Regina: Desenvolva.
Luíz: As estatísticas.
Regina: Desenvolva.
Luíz: A gente tava indo tão bem.
Regina: Desenvolva.
Luíz: Estávamos conseguido, meu bem, não perca o foco.
Regina: De-sen-vol-va.
Luíz: A gente tava concordando com tudo, Regina, não estraga.
Regina: Tudo bem. Eu não vou estragar. Um pouco. (Ele a serve. tempo) Eu só não concordo que a gente concorde dessa maneira.
Luíz: Que maneira?
Regina: O que você quis dizer com gratificante?
Luíz: Eu não quis dizer nada com gratificante. Eu poderia nem ter dito gratificante.
Regina: Mas você disse !
Luíz: Eu disse que nós somos uma evolução social.
Regina: Você não disse isso. Eu disse isso.
Luíz: Cadê a evolução? Os evoluídos não discutem por causa de uma palavrinha.
Regina: Mas não é uma palavrinha qualquer. Você disse gratificante.
Luíz: E?
Regina: Para tudo tem um limite.
Luíz: Para tudo tem seu momento.
Regina: Cala a boca. Gratificante o quê? Se separar de mim é gratificante? Você poderia ao menos ser um pouco mais educado.
Luíz: Eu nem pensei no que falei.
Regina: Mas falou.
Luíz: Eu poderia ter dito por exemplo, dignificante.
Regina: Mas não falou! Mais vinho?
Luíz: Eu sabia que não ia dar certo. Não conseguiríamos. Até concordando a gente briga. Uma merda essa história de leveza, de diferentes. Diferentes o caralho. Não há casal que se separe que consiga sair do padrão. Putz, outro nome para esquete. Um pouco.
(ela o serve)
Regina: Você adora se sair de vítima, quando você é que sempre estraga tudo. Gratificante digo eu!
Luíz: Você parou de respirar.
Regina: Gratificante se separar, né? Depois de tudo o que fiz por você. Depois de todos esses anos de merda que eu perdi com você.
Luíz: Não esquece da yoga, Regina. Respira e solta. Lembra?
Regina: Cala a boca, Luiz.
Luíz; Amanhã você não me verá mais. Ainda dá tempo para recuperar todos esses anos perdidos de merda.
Regina: Não foi isso o que eu quis dizer!
Luíz: Mas disse!
(tempo)
Regina: Isso não devia estar acontecendo.
Luíz: A gente se separar?
Regina: Não! Esses insultos. Por que, para se separar, é preciso haver insultos?
Luíz: Estamos expurgando nossas frustrações. Às vezes é preciso expurgar as frustrações.
Regina: Mas tínhamos combinado que não deixaríamos isso acontecer.
Luíz: Isso foi antes do vinho. Mais vinho?
Regina: Um pouco.
(ele a serve)
Luíz: E se mudássemos de assunto?
Regina: Tipo o quê?
(tempo)
Luíz: Sabia que os casos mais graves de acne aumentam o risco de suicídio?
Regina: E daí?
Luíz: E daí, que o nosso filho é um adolescente.
Regina: E daí?
Luíz: E daí que ele tem acnes.
Regina: E daí?
Luíz: Isso não te preocupa?
Regina: Nosso filho não vai morrer.
Luíz: Nunca se sabe. Os tempos de hoje...
Regina: Por que gratificante?
Luíz: Caralho! Você não desiste!
Regina: Por quê? Por quê? Por quê?
Luíz: Por que não falamos das acnes? Saiu no jornal, então deve ser importante. Temos um filho adolescente.
Regina: Foda-se as acnes. Foda-se o nosso filho. Estamos falando da nossa separação. Dos anos lindos e bostas juntos que vão ser rompidos, dos nosso corpos que serão afastados, da nossa alma rasgada, um corte na nossa história. Será que você não entende? Você poderia ter dito tudo, tudo Luíz. Tudo, menos gratificante. Mais vinho?
Luíz: Um pouco! (ela o serve. tempo)Vamos acabar com isso agora.
Regina: Não! Vamos acabar com isso agora!
Luíz: Não! Vamos acabar com isso agora!
Regina: Não! Vamos acabar com isso agora!
Luíz: Não! Vamos acabar com isso agora!
Regina: Não! Vamos acabar com isso agora!
Luíz: Se estamos concordando, por que estamos brigando?!
Regina: Estamos expurgando nossas frustrações. Foda- se as estatísticas. É preciso expurgar as frustrações.
Luíz: Outro nome bom. Olha quanto nome bom daria para uma cena curta!
Regina: Foda-se os nomes! Você está com ideia fixa em nomes!
Luíz: E você está com ideia fixa em gratificante!
Regina e Luíz: Mais vinho?
Regina e Luiz: Um pouco.
(eles se servem. tempo)
Luíz: Desculpa. Eu não queria dizer gratificante.
Regina: Desculpa, eu não queria me tornar o que eu me tornei.
Luíz: Desculpa, eu não queria te fazer se tornar o que você se tornou.
Regina: Desculpa, eu não queria te fazer me fazer eu me tornar o que eu me tornei
Luíz: Desculpa, eu não queria me separar de você. (tempo)
Regina: Não?
(tempo)
Luíz: Mais vinho?
Regina: Não? (tempo) Um pouco.
Luíz: Desculpa, acabou.
Regina: Eu sei.
Luíz: O vinho.
Regina: Oi?
Luíz: O vinho acabou.
Regina: O vinho. (tempo) E agora, o que fazemos?
Luíz: E se mudássemos de assunto?
Regina: Mudar de assunto? É isso? Então, tá bom. Se é isso. Vamos mudar de assunto.
Luíz: Tem certeza que não quer falar das acnes? Eu acho mesmo um assunto importante. Temos um filho adolescente.
Regina: Por que você quer tanto falar das acnes?
Luíz: Porque amanhã eu vou embora e não conversaremos mais sobre trivialidades.
Regina: Você tem mesmo que ir embora amanhã? (tempo. Ele não responde) Mais vinho? Ah! Esqueci. Acabou.
Luíz: É. Acabou.
Regina: O vinho.
Luíz: É. O vinho acabou.
(tempo)
Regina: Acabou.
Luíz: Acabou.
Regina: (respira) Então tá...
Luíz: (respira) Então tá...
Regina: Voltamos à cordialidade. Isso foi apenas uma cena curta.
Luíz: Isso não foi apenas uma cena curta.
Regina: Sim, isso foi. Mas vamos acabar com ela.
Luíz: Como?
Regina: Me fale das acnes.
FIM
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Adiante
É com você que quero
errar para aprender
E assim me reconhecer nos
conhecendo mais além
E a vontade de
construir, de evoluir, de melhorar
Que vou chorar depois
cantar de alegria
E sendo assim, serás
também
E quando houver desconexão
Vamos nos ouvir,
prestar atenção, nos dar as mãos e prosseguir
terça-feira, 15 de novembro de 2011
JORNADA
Quero ser uma mulher
tão forte e leve,
Vou na direção da paz
Se faltar carinho, vou desenhar com as mãos.
Quero cultivar delicadeza.
Desejar amor.
Que sempre recomeça
quando algo pode declinar.
Vou chegar pelo mar
navegando em silêncio e palavras,
Pois o tempo sempre
deixa um espaço para colocar as coisas no lugar.
Vou na direção da paz
E saber ouvir os anjos
espirituais,
Os anos só existem para nos ajudar nas respostas.
Se faltar carinho, vou desenhar com as mãos.
Se faltar olhar, vou
respirar.
Se faltar calor, vou
caminhar.
E o destino nunca vai
me deixar na solidão.
Quero cultivar delicadeza.
E faze-la imperar em
meu ser.
Declamar pelos cantos
A poesia no ato de
viver.
Desejar amor.
Não vou mais me
machucar.
Pois o que sou agora é o que
realmente importa.
Dedicado à amiga Clara Linhart que me ajudou a enxergar
Dedicado à amiga Clara Linhart que me ajudou a enxergar
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Um dia estranho
Copacabana, todo dia, dia a dia é sempre igual:
Obras, carros, apitos,
sinais, alarmes, tiros, confusão
É ela, espremida,
invadida, poluída, populada
Que se não fosse a
praia, a orla, a brisa desviada
Entre prédios
acimentados, empilhados lado a lado, colados sem permissão
Já estaria saturada,
morta, apodrecida, ferida sem saída.
De repente, um silêncio degradante, ao longe o rádio do vizinho, ou da vila lá de trás.
Vez em quando um
latido, alguns pequenos barulhinhos,
Poucos carros, pessoa
lentas na calçadas, até o som de passarinhos
Assim, quase
triste, sem sentido, um dia estranho e perturbador,
Um mercado aberto
lotado, um jornaleiro fechado, sinais parados.
Então entendi. Era um feriado.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
O CORPO E A ALMA
Meu corpo mora em um
lugar onde o tempo é vento
Como nos clipes
musicais
Todo instante, novo
movimento
O coração batendo
rápido
E em cada segundo já
passou milhares de acontecimentos
Minha alma mora em um
lugar onde o tempo é lento
Como nos contos de
Guimarães e Gabriel
Todo pássaro traz um
momento
O coração batendo
calmo
E cada segundo é
sempre um grande acontecimento.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
MILAGRE
Às vezes recebemos presentes raros,
Em horas não marcadas, em dias não combinados,
Que abalam nossos falsos apoios em verdades pré-estabelicidas,
Desbancando os planejamentos que fazemos para alguma coisa qualquer,
Que nos fazem sentir no controle de sei lá o quê.
Mas a beleza pode estar presente aí:
No caminho obscuro que se ilumina aos poucos.
Nunca saberemos de tudo. Nunca mesmo.
Quem acha que sim, sofrerá até o fim.
O tempo prático luta com o cosmos subjetivo.
O amor se apodera intrinsecamente dos poros
Sem pedir permissão.
E quando nos vemos ,
Estamos tomados,
Estamos amando,
E sendo amados.
Existe sim um lugar além do que não se pode ver.Que não é pra ser longe,
Tá mais pra ser dentro.
Talvez é lá que fica a alma,
Que nos enlaça em abraços
E nos explica o que ela quer de verdade.
E, entendendo-a, não há nada mais o que temer.
E aprende a receber
Os milagres.
Para meu grande amigo F.C
Em horas não marcadas, em dias não combinados,
Que abalam nossos falsos apoios em verdades pré-estabelicidas,
Desbancando os planejamentos que fazemos para alguma coisa qualquer,
Que nos fazem sentir no controle de sei lá o quê.
Mas a beleza pode estar presente aí:
No caminho obscuro que se ilumina aos poucos.
Nunca saberemos de tudo. Nunca mesmo.
Quem acha que sim, sofrerá até o fim.
O tempo prático luta com o cosmos subjetivo.
O amor se apodera intrinsecamente dos poros
Sem pedir permissão.
E quando nos vemos ,
Estamos tomados,
Estamos amando,
E sendo amados.
Existe sim um lugar além do que não se pode ver.
Tá mais pra ser dentro.
Talvez é lá que fica a alma,
Que nos enlaça em abraços
E nos explica o que ela quer de verdade.
E, entendendo-a, não há nada mais o que temer.
De alguma forma vamos um dia aplaudir o destino
Como quem aplaude o belo músico ao pianoE aprende a receber
Os milagres.
Para meu grande amigo F.C
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
A PRIMEIRA VEZ QUE ELA DISSE "EU TE AMO"
Cris: Olha Pedro, melhor a gente não avançar com essa história.
Pedro: É?
Cris: Eu já tô vendo que não vai dar certo.
Pedro: É?
Cris: É. Não vai dar certo, a gente é muito diferente.
Pedro: É?
Cris: Você não vê isso? É tão claro, é tão óbvio.
Pedro: É?
Cris: Claro, evidente, óbvio.
Pedro: É?
Cris: Pra começar você é um cara da noite. Adora ficar horas em um bar bebendo sem hora pra sair, depois vagar pelas ruas desertas da cidade, sem nenhum medo. Eu não. Eu sou do dia. Não bebo, adoro acordar cedo, ver o sol, passear, entende? Isso pode ser um problema nas nossas vidas, você não acha?
Pedro: É?
Cris: Você fala tudo o que pensa, não tem papas na língua. Eu não. Eu me preocupo com o que vou dizer. Eu acho que a gente deve ter cuidado com as palavras. Acho mesmo. Isso pode ser um problema nas nossas vidas, você não acha?
Pedro: É?
Cris: E tem uma coisa importante. Você morre de medo de elevador. Eu moro no décimo andar! E agora? Como a gente vai fazer? Isso vai ser um problemas nas nossas vidas, você não acha?
Pedro: É?
Cris: Você, Pedro, é formado em filosofia. Filosofia , entende? É muito cabeça pra mim. Tudo bem que estudo letras. Mas é diferente. As minhas histórias são diferentes de seus discursos, entende?
Isso pode ser um problema nas nossas vidas, você não acha?
Pedro: É?
Cris: Ah! Tem outra coisa muito importante. Muito mesmo. Eu sei que você é louco pelo mar, eu sei que seu sonho é ter uma casa em frente à praia. Mas e a minha casinha nas montanhas. Estrategicamente perto das cachoeiras. Cachoeiras, tá entendendo? Você ama o mar e eu tenho uma casinha nas montanhas. Isso pode ser um problema nas nossas vidas, você não acha?
Pedro: É?
Cris: agora, isso é muito sério. Você foi ca-sa-do! Você teve uma esposa, uma mulher, que morou com você por um tempo. E eu só tive namorados. São experiências muito diferentes, entende? Isso pode ser um problema nas nossas vidas, você não acha?
Pedro: É?
Cris: E para completar, você tem uma vida muito mais tranquila que a minha. Eu até te invejo o jeito que você leva a vida. Você medita, isso é incrível. Eu invejo pessoas que meditam. Porque eu eu, eu Pedro, não tenho tempo pra nada. Entendeu isso? Minha vida é frenética, eu estudo, trabalho, trabalho e estudo. E não consigo ficar sem fazer nada por menos de cinco minutos. Sou frenética, frenética, frenética! Isso pode ser um problema nas nossas vidas, você não acha?
Pedro: É?
(tempo. Cris com pesar)
Cris: É.
(silencio)
Pedro: É. (Tempo) Eu entendo você.
Cris: (decepcionada) É?
Pedro: Eu entendo a sua preocupação.
Cris: É?
Pedro: Eu também andei pensando sobre a gente. Sobre tudo isso aí que você falou.
Cris: É?
Pedro: Em como pode ser legal, eu acordar mais cedo pra você me levar para fazer um monte de passeios durante o dia e eu te mostrar como a cidade pode ser linda de noite, entre bares, músicas, e gente de todos os tipos.
Cris: É?
Pedro: Eu adoraria aprender a ter a sua delicadeza. Pra deixar meu modo de falar com as pessoas mais sofisticado, mas cuidadoso, como você mesma diz. Eu me espelharia em você, e você poderia aprender comigo a falar mais o que sente, o que pensa com os outros. Não deixarem as pessoas se aproveitarem da sua delicadeza e saber se colocar mais.
Cris: É?
Pedro: E é verdade. Eu morro de medo de elevador. Não sei o que acontece comigo. Só de pensar começa a dar brotoeja. Deve ser algum trauma de infância , sei lá. Mas só de saber que dez andares dentro daquela caixa pequena, significam você abrir a porta do seu apartamento pra mim e a gente passar uma noite maravilhosa juntos, eu encaro meu medo. (ri) O meu medo vira fichinha. Nada pode ser tão melhor que pegar o elevador pra te ver.
Cris: É?
Pedro: Eu adoro ficar filosofando pra você, aos quatro cantos e a gente conversar até não poder mais. E eu fico louco de alegria ao ver seus olhinhos brilhando quando você me conta uma história, um conto que você tá lendo, sua paixão pelas histórias, pelo ser humano. Meu discurso te inspira, suas histórias me apaixonam.
Cris : É?
Pedro: E fiquei pensando de eu te levar pra conhecer a melhores praias desse país, numa viagem linda pelo litoral, e você poderia me mostrar a serra. Eu adoraria conhecer sua casinha, deitados na rede comendo fruta fresca e nadando no rio.
Cris: É?
Pedro: E eu não cometeria os mesmo erros que cometi no casamento com você. Porque se tem uma coisa importante que aconteceu, é que eu pude me conhecer melhor, e isso pra mim é fundamental para construir uma relação. Eu tenho certeza que você deve ter crescido muito nos seus relacionamentos. Essa união de experiencia ia fazer da gente um casal incrível.
Cris: É?
Pedro: E eu acho o máximo essa sua dedicação frenética aos seus projetos pessoais, aos seus empreendimentos. Isso me ajuda com os meus projetos que também quero realizar. Eu poderia te ensinar a meditar pra te ajudar a ficar menos ansiosa. A gente poderia se dar bem nisso.
Cris: É?
Pedro: É. (tempo) Mas eu entendo que isso pode ser só uma idealização minha. Eu entendo o que você falou, o seu medo. E te respeito e não quero ser um problema na sua vida. Como você mesma disse, nossas diferenças são claras, óbvias e evidentes.
Cris: É?
Pedro: Bom, então eu acho melhor eu ir, né? É melhor, eu acho... (tempo) É... Então... Tchau.
(ele vai saindo)
Cris: Pedro!
(ele se vira pra ela)
Cris: Eu te amo.
FIM
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
SEM DESPEDIDAS
Todo amor perdido
é feito de abismos,
um diálogo inacabado.
É produto de um vazio,
uma falta inexplicável,que só o tempo é capaz de transformar.
Será que depois de tantas voltas,
é possível reencontrar a fonte dos sonhos,deixada pra trás?
Ou perceber um jeito
de olhar pra frente
sem que a ferida interfira no passo?
Pois a pior partida
É quando a morte chega
mesmo sem morrer.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
FRANCISCO E O MUNDO
Estréia amanhã!13/108/2011
FICHA TÉCNICA
idealização do projeto e argumento: Diego Molina, Paulo Giardini e Renata Mizrahi
texto: Renata Mizrahi
direção: Diego Molina
produção: Maria Alice Silvério Lima
elenco: Alexandre Barros, João Vithor Oliveira, Marcia Brasil, Marino Rocha e Paulo Giardini
standin: Bruno Chaves
vozes em off: Eliane Giardini, Paulo Betti e Isadora Medella
cenário: Ana Machado / com colaboração de Aurora dos Campos
projeções cenográficas: André Rumjanek
figurino e visagismo: Bruno Perlatto
iluminação: Anderson Ratto
trilha sonora original e direção musical: Isadora Medella
direção de movimento e preparação corporal: Juliana Medella
design gráfico e ilustrações: Letícia Rumjanek
fotos: Pimenteira Laboratório de Ideias
assessoria de imprensa: Armazém Comunicação
intérprete de Libras: Jadson Abraāo e Davi do Rosário – JDL Acessibilidade na Comunicação
audiodescrição: Nara Monteiro – Cinema Falado
assistência de direção: Alexandre Barros
assistência de figurinos: Stefânia Ferreira
assistência de produção: Valéria Alves
cenotécnica Maranhão e equipe
costureiras: Márcia Jackson (figurinos) e Rosângela Lapas (cenário)
produção e realização: Companhia Teatro de Nós
FRANCISCO E O MUNDO
um espetáculo da Companhia Teatro de Nós
sábados e domingos, às 18:30h
de 13 de agosto a 25 de setembro
de 13 de agosto a 25 de setembro
Centro de Referência Cultura Infância Teatro Municipal do Jockey
ingresso: R$ 20,00 (inteira)
classificação: livre
acessibilidade – sessões com intérpretes de Libras e audiodescrição
Intérpretes de Libras nos dias: 13/08 (Sáb.), 21/08 (Dom.), 27/08 (Sáb.), 04/09 (Dom.), 10/09 (Sáb.), 18/09 (Dom.) e 24/09 (Sáb.).
Audiodescrição nos dias: 27/08 (sáb.) e 18/09 (dom.).
Para mais informações, visite: www.teatrodenos.com
Audiodescrição nos dias: 27/08 (sáb.) e 18/09 (dom.).
Para mais informações, visite: www.teatrodenos.com
FICHA TÉCNICA
idealização do projeto e argumento: Diego Molina, Paulo Giardini e Renata Mizrahi
texto: Renata Mizrahi
direção: Diego Molina
produção: Maria Alice Silvério Lima
elenco: Alexandre Barros, João Vithor Oliveira, Marcia Brasil, Marino Rocha e Paulo Giardini
standin: Bruno Chaves
vozes em off: Eliane Giardini, Paulo Betti e Isadora Medella
cenário: Ana Machado / com colaboração de Aurora dos Campos
projeções cenográficas: André Rumjanek
figurino e visagismo: Bruno Perlatto
iluminação: Anderson Ratto
trilha sonora original e direção musical: Isadora Medella
direção de movimento e preparação corporal: Juliana Medella
design gráfico e ilustrações: Letícia Rumjanek
fotos: Pimenteira Laboratório de Ideias
assessoria de imprensa: Armazém Comunicação
intérprete de Libras: Jadson Abraāo e Davi do Rosário – JDL Acessibilidade na Comunicação
audiodescrição: Nara Monteiro – Cinema Falado
assistência de direção: Alexandre Barros
assistência de figurinos: Stefânia Ferreira
assistência de produção: Valéria Alves
cenotécnica Maranhão e equipe
costureiras: Márcia Jackson (figurinos) e Rosângela Lapas (cenário)
produção e realização: Companhia Teatro de Nós
domingo, 7 de agosto de 2011
DECLARAÇÃO DE AMOR E DESEJO
Eu quero ser a fonte dos novos sonhos
E poder correr livre sem olhar pra trás
A dor que me transformou, vou deixar no caminho
Pra permitir que o novo amor possa chegar com toda merecida honraria
Eu quero estar de olhos abertos bem atentos a tudo o que é novoE aceitá-lo como um presente da vida
Que vou recompensar com toda a minha delicadeza
Cuidando daquilo que me faz feliz
Eu quero ser melhor e maior que tudo o que já fuiPara assumir as novas escolhas
E não ter medo de me soltar no vento
Que me leva par um novo lar
Eu já sinto a veia vibrar novamenteE ouço o corpo falar
A troca mais perfeita
É o desejo de estar junto sem se preocupar.
Para F. L. L.
E poder correr livre sem olhar pra trás
A dor que me transformou, vou deixar no caminho
Pra permitir que o novo amor possa chegar com toda merecida honraria
Eu quero estar de olhos abertos bem atentos a tudo o que é novo
Que vou recompensar com toda a minha delicadeza
Cuidando daquilo que me faz feliz
Eu quero ser melhor e maior que tudo o que já fui
E não ter medo de me soltar no vento
Que me leva par um novo lar
Eu já sinto a veia vibrar novamente
A troca mais perfeita
É o desejo de estar junto sem se preocupar.
Para F. L. L.
domingo, 31 de julho de 2011
MÍNIMO PENSAMENTO PARA UM DOMINGO
O tempo é raro e não dá espaço para o temer
Quero estar onde estão os sonhos desse novo lugar que construo
Como um trem, que anda veloz pelo caminho misterioso
Mesmo sem saber o que virá
Eu posso ir além da curva
Sem sentir pavor ou pesar
Vou descartar muita coisa no caminho
Sem me culpar
Porque isso também é parte do avançar
domingo, 24 de julho de 2011
DOIS
(UM)
Ele é noite,
Ela é dia
Ele é etílico
Ela é chocólatra
Ele é o excretor
Ela é a poetiza
Ele fala tudo o que pensa
Ela é relações pública
Ele não tem medo da boemia
Ela não tem medo de elevador
Ele ia de fusca para a Macumba
Ela ia de monza para o Pepê
Ele não completou Filosofia
Ela não completou História
Ele quer ter uma casa no mar
Ela tem uma casa nas montanhas
Ele morou fora
Ela nunca saiu da cidade
Ele teve uma esposa
Ela teve namorados
Ele leva a vida tranquila
Ela não tem tempo pra nada
Ele quer construir um amor
Ela quer construir um amor
E ele quer que seja com ela
E ela quer que seja com ele
Mesmo assim
ou
(DOIS)
Ele quer aproveitar com ela o dia
Ela quer descobrir com ele a noite
Ele quer ser mais saudável
Ela também
Ele aprende com ela a delicadeza
Ela aprende com ele a mostrar seu lado obscuro
Ele quer medir mais suas palavras como ela
Ela procura dizer o que pensa como ele
Ele quer pegar o elevador até décimo andar para vê-la
Ela quer andar à noite pela boemia de mãso dadas
Ele gosta de ter ido de fusca pra Macumba
Ela ama a sua infância na praia do Pepê
Ele adora filosofar para ela
Ela é apaixonada pelas histórias que conta para ele
Ele se conheceu melhor no casamento
Ela cresceu nos relacionamentos
Ele morou em muitos lugares
Ela quer conhecer esses lugares
Ele vai levá-la para a praia
Ela vai levá-lo para a serra
Ele quer se dedicar mais aos seus projetos
Ela quer ter mais tempo para passar com ele
Ele quer construir um amor
Ela quer construir um amor
E ele quer que seja com ela
E ela quer que seja com ele
Exatamente assim...
Ele é noite,
Ela é dia
Ele é etílico
Ela é chocólatra
Ele é o excretor
Ela é a poetiza
Ele fala tudo o que pensa
Ela é relações pública
Ele não tem medo da boemia
Ela não tem medo de elevador
Ele ia de fusca para a Macumba
Ela ia de monza para o Pepê
Ele não completou Filosofia
Ela não completou História
Ele quer ter uma casa no mar
Ela tem uma casa nas montanhas
Ele morou fora
Ela nunca saiu da cidade
Ele teve uma esposa
Ela teve namorados
Ele leva a vida tranquila
Ela não tem tempo pra nada
Ele quer construir um amor
Ela quer construir um amor
E ele quer que seja com ela
E ela quer que seja com ele
Mesmo assim
ou
(DOIS)
Ele quer aproveitar com ela o dia
Ela quer descobrir com ele a noite
Ele quer ser mais saudável
Ela também
Ele aprende com ela a delicadeza
Ela aprende com ele a mostrar seu lado obscuro
Ele quer medir mais suas palavras como ela
Ela procura dizer o que pensa como ele
Ele quer pegar o elevador até décimo andar para vê-la
Ela quer andar à noite pela boemia de mãso dadas
Ele gosta de ter ido de fusca pra Macumba
Ela ama a sua infância na praia do Pepê
Ele adora filosofar para ela
Ela é apaixonada pelas histórias que conta para ele
Ele se conheceu melhor no casamento
Ela cresceu nos relacionamentos
Ele morou em muitos lugares
Ela quer conhecer esses lugares
Ele vai levá-la para a praia
Ela vai levá-lo para a serra
Ele quer se dedicar mais aos seus projetos
Ela quer ter mais tempo para passar com ele
Ele quer construir um amor
Ela quer construir um amor
E ele quer que seja com ela
E ela quer que seja com ele
Exatamente assim...
segunda-feira, 18 de julho de 2011
O PALHAÇO E A BAILARINA
A poesia é a síntese das palavras. É aquilo que o acaso imaginou. É o êxtase que faz do real a maravilha. É o impossível que já se realizou .
O palhaço encontrou a bailarina. E num instante o tumulto se esvaiu. Era como se o mundo fosse um pingo. E a solidão da folia sucumbiu.
O palhaço cumprimentou a bailarina. A bailarina pela primeira vez chorou. Não chorou por medo do palhaço. E sim porque finalmente alguém sorriu.
O palhaço não sorriu por estar bêbado. Muito menos por causa do batuque ensurdecedor. Se sorriu foi porque viu na bailarina, a beleza escondida atrás da dor.
Eles eram colegas de trabalho. Mas no trabalho nem diziam “oi”. A opressão do corporativismo rompe. E no carnaval sem perceber ela se foi.
Ele pede a mão da bailarina. Só queria dançar pelo salão. Já eram mais de cinco da matina. O clareza dispensava a escuridão.
A bailarina já não tinha sapatilha. Eram apenas pequenos pés no chão. Mesmo assim rodopiou feito Ana Botafogo. E o palhaço não soltava a sua mão.
Eram apenas colegas de trabalho. Mas agora eram homem e mulher. O palhaço a bailarina dançam. Ele se chamava Paulo e ela se chamava Ester.
O momento transforma tudo em eternidade. E num instante o que não era transformou. O palhaço quis beijar a bailarina. E cautelosa por fim ela deixou.
Eles eram colegas de trabalho. Mas agora pertenciam ao carnaval. O palhaço e bailarina juntos. Eram como a lua completando o sol.
De repente a multidão invade. E o salão parecia explodir. O palhaço e bailarina correm. Quem sabe já não era hora de partir?
Eles param em frente ao horizonte. Rio de janeiro, praia, mar, calor. Quarta Feira de Cinzas vem surgindo. E com ela se consome o amor.
Amanhã é dia de trabalho. Quem sabe eles já se digam “olá”. Mas se não, o que importa é o hoje. O agora é que vai ficar.
Daqui a pouco eles vão se despedir. Esse momento deve acontecer. O palhaço e a bailarina juntos. Isso nunca iriam esquecer.
O palhaço amanhã é Paulo. A bailarina talvez seja Ester. E quem sabe nem se digam nada. Porque Paulo não sabe quem ela é.
Mas quando Paulo for palhaço. E Ester quem sabe bailarina. Dancem juntos por toda eternidade. Agora sim. Como homem e mulher.
FIM
O palhaço encontrou a bailarina. E num instante o tumulto se esvaiu. Era como se o mundo fosse um pingo. E a solidão da folia sucumbiu.
O palhaço cumprimentou a bailarina. A bailarina pela primeira vez chorou. Não chorou por medo do palhaço. E sim porque finalmente alguém sorriu.
O palhaço não sorriu por estar bêbado. Muito menos por causa do batuque ensurdecedor. Se sorriu foi porque viu na bailarina, a beleza escondida atrás da dor.
Eles eram colegas de trabalho. Mas no trabalho nem diziam “oi”. A opressão do corporativismo rompe. E no carnaval sem perceber ela se foi.
Ele pede a mão da bailarina. Só queria dançar pelo salão. Já eram mais de cinco da matina. O clareza dispensava a escuridão.
A bailarina já não tinha sapatilha. Eram apenas pequenos pés no chão. Mesmo assim rodopiou feito Ana Botafogo. E o palhaço não soltava a sua mão.
Eram apenas colegas de trabalho. Mas agora eram homem e mulher. O palhaço a bailarina dançam. Ele se chamava Paulo e ela se chamava Ester.
O momento transforma tudo em eternidade. E num instante o que não era transformou. O palhaço quis beijar a bailarina. E cautelosa por fim ela deixou.
Eles eram colegas de trabalho. Mas agora pertenciam ao carnaval. O palhaço e bailarina juntos. Eram como a lua completando o sol.
De repente a multidão invade. E o salão parecia explodir. O palhaço e bailarina correm. Quem sabe já não era hora de partir?
Eles param em frente ao horizonte. Rio de janeiro, praia, mar, calor. Quarta Feira de Cinzas vem surgindo. E com ela se consome o amor.
Amanhã é dia de trabalho. Quem sabe eles já se digam “olá”. Mas se não, o que importa é o hoje. O agora é que vai ficar.
Daqui a pouco eles vão se despedir. Esse momento deve acontecer. O palhaço e a bailarina juntos. Isso nunca iriam esquecer.
O palhaço amanhã é Paulo. A bailarina talvez seja Ester. E quem sabe nem se digam nada. Porque Paulo não sabe quem ela é.
Mas quando Paulo for palhaço. E Ester quem sabe bailarina. Dancem juntos por toda eternidade. Agora sim. Como homem e mulher.
FIM
quinta-feira, 14 de julho de 2011
TANTO QUERER
- Eu te quero!
- Eu não te quero agora!
- Mas agora eu não!
- Eu não te quero agora!
- Não?
- Mentira, te quero agora.
- Mas agora eu não!
- Por quê?
- Me dá a lua primeiro.
- Só tenho o sol.
- EU quero descanso de janeiro.
- Prefiro o caos do carnaval
- Eu quero ir embora.
- Eu quero ir embora.
- Eu te quero mal.
- Eu vou embora então.
- E eu te quero bem.
- Me solta.
- Eu te amo.
- Tanto tempo juntos
- Quanta harmonia.
- Adeus.
- E eu te quero sem fim.
- Mesmo eu querendo tudo?
- Até o que não há em mim.
(Se beijam.)
FIM
Namoradinhos
Só com você
E é com você
Que eu gosto
De estar
E deixar crescer
A vontade de ver
De caminhar
Só para parar e beijar
E sorrir
E rir com os olhos
Vamos viajar
Vamos nos espalhar pelos cantos
Tomando um vinho
Redescobrindo a cidade
O Centro, Glória, Catete, Largo do Machado, Ipanema, Copacabana...
Passeando nas nossas histórias
No querer contar
No querer ser
A gente juntos
Passo a passo
Seguindo em um, seguindo em dois...
sábado, 2 de julho de 2011
ALMA
A alma do artista é uma pedra preciosa.
Já nasceu livre.E quando presa, sofre.
Se domada, chora.
Sem espaço, morre.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Posso sofrer por amor, mas pelo menos eu sei que eu amei
Amo, porque respiro. Não sufoco. Respiro
A alma diz: " você veio nesse mundo para amar"
E eu digo: "é o que mais eu sei fazer.
Eu sei amar. é meu maior talento."
Amor por tudo, alegria. Amor pelo outro, construção.
Que bom. Posso não saber muitas coisas dessa vida, mas pelo menos isso eu entendi
Então se sofro por amor, não é sofrimento, é felicidade
Porque me faz sentir a vida de verdade
Respiro, ele vem
O vento traz
E quando o vento certo chegar
Estarei pronta para mais
Amo, porque respiro. Não sufoco. Respiro
A alma diz: " você veio nesse mundo para amar"
E eu digo: "é o que mais eu sei fazer.
Eu sei amar. é meu maior talento."
Amor por tudo, alegria. Amor pelo outro, construção.
Que bom. Posso não saber muitas coisas dessa vida, mas pelo menos isso eu entendi
Então se sofro por amor, não é sofrimento, é felicidade
Porque me faz sentir a vida de verdade
Respiro, ele vem
O vento traz
E quando o vento certo chegar
Estarei pronta para mais
domingo, 26 de junho de 2011
A PRÓXIMA
Muitas vezes a gente se dá conta
Que há um livro em nossas vidas aberto em uma página que teima em não virar
Tudo bem , é mesmo preciso ler muitas vezes a mesma história
Pois alguma hora ela fará sentido e essa página vai ter que mudar
Mil desculpas às pessoas envolvidas, não é apego, é apenas uma lentidão em apreender
Se o tempo cronológico fosse lógico, certamente eu já saberia como esquecer
Ainda bem que há momentos como agora, como esse, em que a música toca lenta e faz refletir
E no meio de uma multidão sedenta por fortes sensações quem vem de um lugar inexplicável
Fico no pequeno mundo, no cantinho, escrevendo isso aqui
Eu já li essa página tantas vezes, cada letra, ponto e vírgula
Me pergunto o que ainda faço repetindo e repetindo na exaustão?
Deve ser por isso que ainda choro com a mesma passagem
Tentado entender o mais que entendido sem chegar a nenhuma conclusão
É preciso a sutileza de um segundo solto que faz um clique, um estalo, um abalo,um insight
Tá na hora de aceitar novas perguntas, conhecer outros parágrafos, além dela tem ainda muito mais.
Esse livro que é tão grande, e ainda nem chegou no meio, está aflito pra continuar
Estou farta da mesma história, ela tem que evoluir, então quando terminar de escrever essa memória
Suspirando, certamente e finalmente essa página...
Aaaaaaah!
Eu vou virar!
sexta-feira, 17 de junho de 2011
CONTINUA!
Nossa campanha para ajudar na volta do Joaquim continua =)
eis o link: http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=37219
obrigada,
Renata.
.
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obrigada,
Renata.
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
São as músicas do Robeto Carlos que tocam todas ao mesmo tempo
é um querer que alguém seja parecido no metrô
é procurar na rua cheia de gente alguma pista
é chorar e sorrir ao lembrar de uma sensação não esquecida
é querer ver muito mesmo sabendo que nada pode acontecer
é ignorar que um outro amor já foi preenchido
é tentar encontrar desesperadamente um novo grande amor da vida
é se sentir um personagem de melodrama rasgado
é tentar fingir que a distância é só uma longa caminhada que tem hora pra acabar
é ser cafona, clichê, dramático, exagerado, emcionado sem se importar
é ouvir todas as canções de amor querendo ser o cantor só pra reconquistar
é não se preocupar em perder tempo ao deitar na cama e imaginar
é ter pena de si por uns segundo sabendo que imediatamente tudo pode mudar
saudade é dizer ainda te amo no silêncio, e no impedimento do silêncio... silenciar
é um querer que alguém seja parecido no metrô
é procurar na rua cheia de gente alguma pista
é chorar e sorrir ao lembrar de uma sensação não esquecida
é querer ver muito mesmo sabendo que nada pode acontecer
é ignorar que um outro amor já foi preenchido
é tentar encontrar desesperadamente um novo grande amor da vida
é se sentir um personagem de melodrama rasgado
é tentar fingir que a distância é só uma longa caminhada que tem hora pra acabar
é ser cafona, clichê, dramático, exagerado, emcionado sem se importar
é ouvir todas as canções de amor querendo ser o cantor só pra reconquistar
é não se preocupar em perder tempo ao deitar na cama e imaginar
é ter pena de si por uns segundo sabendo que imediatamente tudo pode mudar
saudade é dizer ainda te amo no silêncio, e no impedimento do silêncio... silenciar
quinta-feira, 9 de junho de 2011
A verdadeira rede
Ao virar ao se aproximar, viu do outro lado da rua um sorriso acenando.
E logo depois os braços que se abriram para um longo e confortável abraço.
Sua manhã se coloriu, e mesmo já sabendo tudo o que dizem sobre o sentido da existência, aquele momento confirmou ainda mais o quanto é bom viver nos detalhes dos olhos do outro.
O mundo é frio, já dizia o sábio, portanto é preciso acalentá-lo. Afinal, o que fica na lembrança e faz a alma explodir de alegria?
Naquela manhã de inverno, com o céu azul de querer parar tudo, lembrou como é bom ter a rede. A verdadeira, a nossa, a que a gente escolhe a dedo para fazer dessa vida a melhor de todas.
Entre o sol, a rua, as pessoas e o café, eram os dois sendo felizes, compartilhando metáforas que os tornava cúmplices de algo maior. Suas almas agradeciam o encontro, agradeciam tudo, mais que tudo.
Na manhã, viram juntos todo amor transbordante que eram capazes de dar às pessoas que rodeavam suas vidas.
O que fica na lembrança e faz a alma explodir de alegria?
Saber que nunca estamos sozinhos, porque temos amigos.
Para Robby A.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
FIM DA SEMANA
Ah, essa noite que termina a semana
traz tantos pensamentos acumulados
para dar conta das tarefas
que nos impomos para fazer da vida mais emocionante
quantas impressões e ideias perdidas
todas incríveis e avassaladoras
E o fim do que nem começou é o mistério
traz um milhão de sensações
e muita angustia junto com uma certa dose de esperança
de que há algo sempre melhor
que nos está reservado
em algum canto esquecido do planeta
Eu já cansei de me repetir
mas por hora só tenho isso a dizer
trilhar caminhos incessantes
Escolher e não olhar pra trás
não é tarefa fácil nos dias
das cinco mil novidades a cada segundo
e a sensação da constante perda
quanta crueldade despejada no agora
quero estar distante, longe
no meio das montanhas de paz
mas a verdade é que não é isso de fato
quero estar no meio de um mone de gente
e nunca me entediar
sou o retrato mais clichê da minha geração
e mesmo assim me sinto desencaixado
no masculino sim
porque sou homem também
sou tudo o que eu quiser
no mundo que eu criei
para não me perder
nem pirar.
traz tantos pensamentos acumulados
para dar conta das tarefas
que nos impomos para fazer da vida mais emocionante
quantas impressões e ideias perdidas
todas incríveis e avassaladoras
E o fim do que nem começou é o mistério
traz um milhão de sensações
e muita angustia junto com uma certa dose de esperança
de que há algo sempre melhor
que nos está reservado
em algum canto esquecido do planeta
Eu já cansei de me repetir
mas por hora só tenho isso a dizer
trilhar caminhos incessantes
Escolher e não olhar pra trás
não é tarefa fácil nos dias
das cinco mil novidades a cada segundo
e a sensação da constante perda
quanta crueldade despejada no agora
quero estar distante, longe
no meio das montanhas de paz
mas a verdade é que não é isso de fato
quero estar no meio de um mone de gente
e nunca me entediar
sou o retrato mais clichê da minha geração
e mesmo assim me sinto desencaixado
no masculino sim
porque sou homem também
sou tudo o que eu quiser
no mundo que eu criei
para não me perder
nem pirar.
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