domingo, 7 de agosto de 2011

DECLARAÇÃO DE AMOR E DESEJO

Eu quero ser a fonte dos novos sonhos
E poder correr livre sem olhar pra trás
A dor que me transformou, vou deixar no caminho
Pra permitir que o novo amor possa chegar com toda merecida honraria


Eu quero estar de olhos abertos bem atentos a tudo o que é novo
E aceitá-lo como um presente da vida
Que vou recompensar com toda a minha delicadeza
Cuidando daquilo que me faz feliz


Eu quero ser melhor e maior que tudo o que já fui
Para assumir as novas escolhas
E não ter medo de me soltar no vento
Que me leva par um novo lar


Eu já sinto a veia vibrar novamente
E ouço o corpo falar
A troca mais perfeita
É o desejo de estar junto sem se preocupar.

Para F. L. L.

domingo, 31 de julho de 2011

MÍNIMO PENSAMENTO PARA UM DOMINGO

O tempo é raro e não dá espaço para o temer

Quero estar onde estão os sonhos desse novo lugar que construo

Como um trem, que anda veloz pelo caminho misterioso



Mesmo sem saber o que virá

Eu posso ir além da curva

Sem sentir pavor ou pesar



Vou descartar muita coisa no caminho

Sem me culpar

Porque isso também é parte do avançar

domingo, 24 de julho de 2011

DOIS

(UM)
Ele é noite,
Ela é dia
Ele é etílico
Ela é chocólatra
Ele é o excretor
Ela é a poetiza
Ele fala tudo o que pensa
Ela é relações pública
Ele não tem medo da boemia
Ela não tem medo de elevador
Ele ia de fusca para a Macumba
Ela ia de monza para o Pepê
Ele não completou Filosofia
Ela não completou História
Ele quer ter uma casa no mar
Ela tem uma casa nas montanhas
Ele morou fora
Ela nunca saiu da cidade
Ele teve uma esposa
Ela teve namorados
Ele leva a vida tranquila
Ela não tem tempo pra nada
Ele quer construir um amor
Ela quer construir um amor
E ele quer que seja com ela
E ela quer que seja com ele
Mesmo assim
ou

(DOIS)
Ele quer aproveitar com ela o dia
Ela quer descobrir com ele a noite
Ele quer ser mais saudável
Ela também
Ele aprende com ela a delicadeza
Ela aprende com ele a mostrar seu lado obscuro
Ele quer medir mais suas palavras como ela
Ela procura dizer o que pensa como ele
Ele quer pegar o elevador até décimo andar para vê-la
Ela quer andar à noite pela boemia de mãso dadas
Ele gosta de ter ido de fusca pra Macumba
Ela ama a sua infância na praia do Pepê
Ele adora filosofar para ela
Ela é apaixonada pelas histórias que conta para ele
Ele se conheceu melhor no casamento
Ela cresceu nos relacionamentos
Ele morou em muitos lugares
Ela quer conhecer esses lugares
Ele vai levá-la para a praia
Ela vai levá-lo para a serra
Ele quer se dedicar mais aos seus projetos
Ela quer ter mais tempo para passar com ele
Ele quer construir um amor
Ela quer construir um amor
E ele quer que seja com ela
E ela quer que seja com ele

Exatamente assim...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O PALHAÇO E A BAILARINA

A poesia é a síntese das palavras. É aquilo que o acaso imaginou. É o êxtase que faz do real a maravilha. É o impossível que já se realizou .

O palhaço encontrou a bailarina. E num instante o tumulto se esvaiu. Era como se o mundo fosse um pingo. E a solidão da folia sucumbiu.

O palhaço cumprimentou a bailarina. A bailarina pela primeira vez chorou. Não chorou por medo do palhaço. E sim porque finalmente alguém sorriu.

O palhaço não sorriu por estar bêbado. Muito menos por causa do batuque ensurdecedor. Se sorriu foi porque viu na bailarina, a beleza escondida atrás da dor.

Eles eram colegas de trabalho. Mas no trabalho nem diziam “oi”. A opressão do corporativismo rompe. E no carnaval sem perceber ela se foi.

Ele pede a mão da bailarina. Só queria dançar pelo salão. Já eram mais de cinco da matina. O clareza dispensava a escuridão.

A bailarina já não tinha sapatilha. Eram apenas pequenos pés no chão. Mesmo assim rodopiou feito Ana Botafogo. E o palhaço não soltava a sua mão.

Eram apenas colegas de trabalho. Mas agora eram homem e mulher. O palhaço a bailarina dançam. Ele se chamava Paulo e ela se chamava Ester.

O momento transforma tudo em eternidade. E num instante o que não era transformou. O palhaço quis beijar a bailarina. E cautelosa por fim ela deixou.

Eles eram colegas de trabalho. Mas agora pertenciam ao carnaval. O palhaço e bailarina juntos. Eram como a lua completando o sol.

De repente a multidão invade. E o salão parecia explodir. O palhaço e bailarina correm. Quem sabe já não era hora de partir?

Eles param em frente ao horizonte. Rio de janeiro, praia, mar, calor. Quarta Feira de Cinzas vem surgindo. E com ela se consome o amor.

Amanhã é dia de trabalho. Quem sabe eles já se digam “olá”. Mas se não, o que importa é o hoje. O agora é que vai ficar.

Daqui a pouco eles vão se despedir. Esse momento deve acontecer. O palhaço e a bailarina juntos. Isso nunca iriam esquecer.


O palhaço amanhã é Paulo. A bailarina talvez seja Ester. E quem sabe nem se digam nada. Porque Paulo não sabe quem ela é.

Mas quando Paulo for palhaço. E Ester quem sabe bailarina. Dancem juntos por toda eternidade. Agora sim. Como homem e mulher.

FIM

quinta-feira, 14 de julho de 2011

TANTO QUERER

- Eu te quero!

- Eu não te quero agora!

-  Não?

-  Mentira, te quero agora.

-  Mas agora eu não!

- Por quê?

- Me dá a lua primeiro.

- Só tenho o sol.

- EU quero descanso de janeiro.

- Prefiro o caos do carnaval

- Eu quero ir embora.

- Eu te quero mal.

- Eu vou embora então.

- E eu te quero bem.

- Me solta.

- Eu te amo.

- Tanto tempo juntos

- Quanta harmonia.

- Adeus.

- E eu te quero sem fim.

- Mesmo eu querendo tudo?

- Até o que não há em mim.

(Se beijam.)

FIM







Namoradinhos


Só com você 

E é com você

Que eu gosto

De estar

E deixar crescer

A vontade de ver

De caminhar

Só para parar e beijar

E sorrir

E rir com os olhos

Vamos viajar

Vamos nos espalhar pelos cantos

Tomando um vinho

Redescobrindo a cidade

O Centro, Glória, Catete, Largo do Machado, Ipanema, Copacabana...

Passeando nas nossas histórias

No querer contar

No querer ser

A gente juntos

Passo a passo

Seguindo em um, seguindo em dois...


sábado, 2 de julho de 2011

ALMA

A alma do artista é uma pedra preciosa.
Já nasceu livre.
E quando presa, sofre.
Se domada, chora.
Sem espaço, morre.





segunda-feira, 27 de junho de 2011

Posso sofrer por amor, mas pelo menos eu sei que eu amei

Amo, porque respiro. Não sufoco. Respiro

A alma diz: " você veio nesse mundo para amar"

E eu digo: "é o que mais eu sei fazer.

Eu sei amar. é meu maior talento."

Amor por tudo, alegria. Amor pelo outro, construção.

Que bom. Posso não saber muitas coisas dessa vida, mas pelo menos isso eu entendi

Então se sofro por amor, não é sofrimento, é felicidade

Porque me faz sentir a vida de verdade

 Respiro, ele vem

O vento traz

E quando o vento certo chegar

Estarei pronta para mais

domingo, 26 de junho de 2011

A PRÓXIMA




Muitas vezes a gente se dá conta
Que há um livro em nossas vidas aberto em uma página que teima em não virar
Tudo bem , é mesmo preciso ler muitas vezes a mesma história
Pois alguma hora ela fará sentido e essa página vai ter que mudar
Mil desculpas às pessoas envolvidas, não é apego, é apenas uma lentidão em apreender
Se o tempo cronológico fosse lógico, certamente eu já saberia como esquecer
Ainda bem que há momentos como agora, como esse, em que a música toca lenta e faz refletir
E no meio de uma multidão sedenta por fortes sensações quem vem de um lugar inexplicável
Fico no pequeno mundo, no cantinho, escrevendo isso aqui
Eu já li essa página tantas vezes, cada letra, ponto e vírgula
Me pergunto o que ainda faço repetindo e repetindo na exaustão?
Deve ser por isso que ainda choro com a mesma passagem
Tentado entender o mais que entendido sem chegar a nenhuma conclusão
É preciso a sutileza de um segundo solto que faz um clique, um estalo, um abalo,um insight
Tá na hora de aceitar novas perguntas, conhecer outros parágrafos, além dela tem ainda muito mais.
Esse livro que é tão grande, e ainda nem chegou no meio, está aflito pra continuar
Estou farta da mesma história, ela tem que evoluir, então quando terminar de escrever essa memória
Suspirando, certamente e finalmente essa página...
Aaaaaaah!
Eu vou virar!



















sexta-feira, 17 de junho de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

São as músicas do Robeto Carlos que tocam todas ao mesmo tempo
é um querer que alguém seja parecido no metrô
é procurar na rua cheia de gente alguma pista
é chorar e sorrir ao lembrar de uma sensação não esquecida
é querer ver muito mesmo sabendo que nada pode acontecer
é ignorar que um outro amor já foi preenchido
é tentar encontrar desesperadamente um novo grande amor da vida

é se sentir um personagem de melodrama rasgado
é tentar fingir que a distância é só uma longa caminhada que tem hora pra acabar
é ser cafona, clichê, dramático, exagerado, emcionado sem se importar
é ouvir todas as canções de amor querendo ser o cantor só pra reconquistar
é não se preocupar em perder tempo ao deitar na cama e imaginar
é ter pena de si por uns segundo sabendo que imediatamente tudo pode mudar

saudade é dizer ainda te amo no silêncio, e no impedimento do silêncio... silenciar

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A verdadeira rede






Ao virar ao se aproximar, viu do outro lado da rua um sorriso acenando.
E logo depois os braços que se abriram para um longo e confortável abraço.
Sua manhã se coloriu, e mesmo já sabendo tudo o que dizem sobre o sentido da existência, aquele momento confirmou ainda mais o quanto é bom viver nos detalhes dos olhos do outro.
O mundo é frio, já dizia o sábio, portanto é preciso acalentá-lo. Afinal, o que fica na lembrança e faz a alma explodir de alegria?
Naquela manhã de inverno, com o céu azul de querer parar tudo, lembrou como é bom  ter a rede. A verdadeira, a nossa, a que a gente escolhe a dedo para fazer dessa vida a melhor de todas.
Entre o sol, a rua, as pessoas e o café, eram os dois sendo felizes, compartilhando metáforas que os tornava cúmplices de algo maior. Suas almas agradeciam o encontro, agradeciam tudo, mais que tudo.
Na manhã, viram juntos todo amor transbordante que eram capazes de dar às pessoas que rodeavam suas vidas.
O que fica na lembrança e faz a alma explodir de alegria?
Saber que nunca estamos sozinhos, porque temos amigos.

Para Robby A.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

FIM DA SEMANA

Ah, essa noite que termina a semana
traz tantos pensamentos acumulados
para dar conta das tarefas
que nos impomos para fazer da vida mais emocionante

quantas impressões e ideias perdidas
todas incríveis e avassaladoras
E o fim do que nem começou é o mistério
traz um milhão de sensações
e muita angustia junto com uma certa dose de esperança
de que há algo sempre melhor
que nos está reservado
em algum canto esquecido do planeta

Eu já cansei de me repetir
mas por hora só tenho isso a dizer
trilhar caminhos incessantes
Escolher e não olhar pra trás
não é tarefa fácil nos dias
das cinco mil novidades a cada segundo

e a sensação da constante perda
quanta crueldade despejada no agora
quero estar distante, longe
no meio das montanhas de paz
mas a verdade é que não é isso de fato
quero estar no meio de um mone de gente
e nunca me entediar

sou o retrato mais clichê da minha geração
e mesmo assim me sinto desencaixado
no masculino sim
porque sou homem também
sou tudo o que eu quiser
no mundo que eu criei
para não me perder
nem pirar.

domingo, 29 de maio de 2011

TRISTEZA NA GERAÇÃO DA FELICIDADE

cada busca por pequenos acontecimentos
pequenos detalhes,
que dão algum sentido ao transbordamento da alma
alma que não se encaixa nos caminhos mecânicos do dia a dia
e o vazio se faz presente nos segundos que preenchem o tempo
e tudo ou muita coisa é sobre o nada
os mínimos estímulos que causam uma sensação um pouco diferente
são reverenciados e aclamados como os salvadores da existência

e a procura desencontrada do outro
que não está em nenhum lugar
e não se importa em não estar
gera a grande frustração
e talvez até alimenta o desejo e a esperança
de um dia, quem sabe,
encontrar algo que
acorde lá dentro
e queira assumir
o que se quer

por que tanta tentativas
e a procura pelo entendimento
se o momento é tão bom
mas é só isso
e é só

não esperemos mais nada
porque não é para esperar
tudo  flutuante
e tão pouco profundo
onde ficou a intensidade
o que fizeram com ela?
que tempos são hoje
que corrompeu tanto as sensações dos Homens
que não quer mais querer
e não se permite ser

o bom  tem prazo de validade
ultrapassar os limites
implica em perder o controle do sentimento
e isso hoje não pode
isso hoje não pode

temos que fingir
temos que esconder
temos que ocultar
temos que tampar
temos que oprimir
temos que silenciar

que tristeza
na geração da felicidade
da mídia
das fotos incríveis
do facebook bombástico
de gente alegre e vivaz

vou de novo calar meu coração
disfarçar o vazio
fazer parte do jogo
que ninguém sabe jogar

e é uma pena mesmo...




sexta-feira, 13 de maio de 2011

UMA DESSAS

Alternativos, cults, antenados, in, out,

young, cores, maquiagens, cabelos, vestidos, tênis, óculos, gel
a pouca luz e a música correndo solta no salão
a voz bonita que canta a poesia
é caetano, é tango
e a plateia alucinada canta
e o arrependimento da sensação de que falei demais com ele
pequei pelo excesso
mas assim sou eu, nervosa e descontrolada
e a guitarra alta enlouquecida
dói os ouvidos
por fora revolução
por dentro bossa nova
um pequeno deslize
e percebo a forte vocação
para ser mãe de marmanjos frustrados
a salvadora dos sensíveis incompreendidos marginais
prefiro comprar umas poesias do rapaz que vende seu livro
e me dá um autógrafo dizendo que meu sorriso o encanta
saio do inferninho cult
e ando entre os bêbados que sobram nas calçadas
brincando de ser felizes
dançando em desequilíbrio
inebriados por sons que saem de todos os lugares
de baixo, de cima, de lado
abro a porta do tradicional restaurante
e encontro uma casal acabado
ela triste de tanto beber
e ele cuidando para ela não cair
vamos pegar um táxi
que lá dentro tá tocando MPB FM
e é uma boa maneira de ir para casa
se despedindo das luzes das cidades
o apartamento é um abraço acolhedor
agora ouço um pianinho
e penso:
no fundo só queria ir ao cinema abraçadinha e tomar um bom vinho

sábado, 7 de maio de 2011

ANTHEM

Passos incertos até a janela


os olhos desgarrados da mãe

não pensam duas vezes em olhar

para um lugar distante e proibido



aquele vai virando fumaçada na memória

até que um dia ele possa se apagar

e virar cores, lembranças soltas, perdidas na curva



o viajante se encanta com as luzes do entardecer

e para tudo somente para admirar

pode ficar horas pensando

sua vida é ele que faz



o cheiro da noite faz o coração disparar

um flash de ansiedade invade o corpo

e é preciso seguir na calada, sob as estrelas,

às vezes a lua cheia

solene e austera



como um filme oriental

o tempo é outro e tudo é relativo

nada é tão grande quanto os detalhes

que transformam o sentido

e mudam a história



a pele ainda tem o mesmo cheiro

talvez nova textura

mas o cheiro...

quinta-feira, 5 de maio de 2011

EFEITOS

Um dia desses vou encontrar você na rua e certamente vou sorrir

Mas nunca saberá de nada que eu senti.

Quem sabe você ainda ouve o som da minha voz

ao se deparar com uma risada solta perdida em seus lençóis



Num lapso de memória já tentei reconstituir

o que aconteceu com a gente e fez a nossa história simplesmente se esvair

Talvez quando o sol aparecer no seu quarto de dormir

ainda possa existir um lugar que fomos felizes antes de partir



Mas nunca saberei.

Só posso imaginar.

O tempo ainda é o melhor amigo da cura



Jamais entenderá

o efeito que causou

a minha vida estar tão distante da sua



Um dia desses vou te encontrar ao acaso em qualquer lugar

e conseguirei disfarçar muito bem minha profunda solidão.

Ainda penso quantas coisas valeriam retomar

Mas vou fingir que tudo não passou de uma ilusão



Eu vou me declarar

O amor também é dor

E ainda acredito fortemente em sonhos



O sol já vai chegar

meu corpo vai sentir

vou me banhar de luz entre as voltas que esse mundo faz questão de dar.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O RETORNO

O site Drama Diário está entrando no seu quarto ano de existência com uma nova proposta:


Dramaturgia em série. Cada um dos sete autores irá atualizar o site com textos inéditos diariamente, mas aos invés de cenas curtas, com temas pré-definidos, os autores se lançam ao desafio da continuidade. Um capítulo por semana, sete histórias diferentes, podendo resultar num roteiro de cinema, uma novela, um seriado, ou até mesmo numa peça de teatro.


Segunda é meu dia e comecei com um mini novelina: O Retorno!


http://www.dramadiário.com/

quinta-feira, 28 de abril de 2011

VENTO BOM

Atravessava a vida com olhos cheios d´água


Tentando compreender os desalentos de um amor

Para transformar a imagem guardada em paz



Então fez uma curva despercebida

E se deparou com um sorriso deixado no passado

Abrindo os braços sem julgamentos



Que a fez feliz e a deixou leve

De uma culpa que nunca existiu

Porque o amor vem da verdade



Viva vida cheia de voltas

Agradeceu às novas chances

E a capacidade que o sentimento tem de se renovar

E amadurecer


Porque nunca somos os mesmos

Depois de tantas experiências

E escutar tanto a própria alma


Hoje sinte o vento

E vê que ele é bom

Trás a brisa delicada

A conduz ao lar acolhedor


Vento mineiro que dobra a serra

Penetra no corpo vivido

Que não quer mais o inatingível


Quer o carinho mais possível

Quer dar o sorriso mais pleno

Quer a possibilidade de amar

Mais livre, sem condições

Sem imposições.

.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A VEIA VIBRA

Lábios de cetim

é como um blues
que toca escondido
proseando palavras raras
na noite solitária
do apartamento infinito

olhos tão profundos
de amêndoa doce
tempero fino
que faz meu coração bater

e a vida ganha outras cores
ao som do piano
do gênio anjo
que deixa sua música pro mundo
mas eu digo que é pra mim.

O som dá uma virada
notas mostram outros caminhos
o incógnito faz vibrar
as veias dcorpo como cordas de violão
em seu momento auge
pleno e soberano.

e cresce, cresce, até não poder mais
para depois deixar  suspirar quase
que implorando
porque nem sempre cabemos no contexto,
mas e daí.

ah! como é bom sentir
o clímax
os acordes eletrizantes
que nos sorriem
como quem diz

Uhuuuuuu!!!!

sábado, 16 de abril de 2011

MUDANÇAS ou ALEGRIA EM TOM MENOR

Parti me jogando na estrada
Pisando com passos tão fundos
Andei até outras moradas
Enquanto meu amor esperava

Me vi do outro do mundo
Tentando esquecer minhas falas
Perdeu-se o passado futuro
Pra reencontrar vidas raras

Outrora o que teve sentido
Deixou no caminho as amarras
Sou eu que construo o segundo
E o fim da história não acaba

No céu tem um rosto que chora
Memória que pouco durou
Semente plantada germina
Meu todo já se transformou

O rio que se distancia
Me faz encontrar outras fontes
Os pés viajantes sedentos
Querendo alcançar o horizonte

Se o mundo por fora é tão grande
Por dentro o medo desata
Sou eu o maior navagante
De um sonho que a vida acata...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

MOVIMENTOS

Toda palavra

tem uma alma

É como espinho e flor

que vai

e volta com o vento

sopra e transforma

a dor...


Das profundezas

retorna a valsa

que foi escrita além

do som

que invade o silêncio

vibra e termina

bem...

.

domingo, 3 de abril de 2011

MAIS UMA

Toda essa dança conduz

caminhos tortuosos
e a vida faz questão de rir


ri e zomba da mediocridade
que não soube
a melhor verdade
e deixou o amor partir


vemos de repente
o amadurecer chegar tão lentamente
ele vem pra nos dizer que aquele agora já se foi
e se não olhar pra frente
é outro modo de regredir.

e se estou mais sábia
minha pele mais vivida
meu olhar já tem história
suficiente pra saber mudar

penso quanta coisa
foi embora
e se errei
há tanta coisa
que pode chegar

passa vida, ironia
se diverte com aqueles
que não souberam enxergar


mas que bom, há esperanças
sou um ser que não se cansa
de agarrar as chances que
o destino ainda vai me dar.

sábado, 26 de março de 2011

PERCEPÇÕES DE UMA NOITE

Fico um pouco triste
quando vejo que a espectativa é falsa.
E ter que se acostumar a não criá-las.
Tão bom seria ser inteiramente feliz
no presente, sem medo do depois.
Não se iludir com falsos adjetivos e promessas,
ou fingir que "tá tudo bem", "não é nada",
mas por dentro querer sorrir genuinamente.
São verdadeiras lições do clichê do "o que já foi, já foi"
e ter que engolir em seco e olhar pra frente.
Não tocar no que já está fechado,
nem ousar reabrí-lo,
para o clichê não voltar e ter que dizer: "você já sabia".
Então me entrego ao meu silêncio,
à noite solitária,
à paz dos livres no mundo,
ao mistério do amanhã,
ao que depende só de mim,
às minhas proprias fraquezas,
que lutam contra a força de vontade,
me exaurem no fnal do dia,
me entrengam ao desperdício do nada,
quando eu poderia estar mais ligada,
mais ativa,
mais.
Mas, mas, mas vou fingir que "tudo é assim mesmo",
" e eu sempre fico bem no final".
"Não vou mais me iludir com os mordes e assopra"
que, por coincidência, ou por minha própria escolha,
teimam em me prestigiar.
Não, não, não.
É tempo de avançar.
Deixar quieto, não por medo.
Deixar quieto para vir o melhor.

sexta-feira, 25 de março de 2011

O ...

O som inpspira a imagem
me faz delirar em pensamentos distantes
que transportam meu corpo ao outro.
outro lugar, outra visão, outro encontro.

Dias, horas, e o corte seco em busca de sarar
quero tudo, quero todos, quero ser
sem apenas imaginar,
quero ser sentindo a pele rasgar
dos pés à alma,
não passar por cima, passar por dentro
profundamente, intensamente.

Sem o mistérios, tudo é sem cor
administrar o tempo
é estar em evolução
tantos, tantos tantos

o que?

Como?

Hein?

silêncio para a ouvir a resposta
é preciso parar,  perceber
palavras, palavras, palavras
muitas vezes elas não servem pra nada
são apenas letras soltas no espaço

é preciso não deixar fugir, ir embora
aquilo que entrou na vida para ficar

Às vezes tudo o que sobra é o vazio
E um pouco de música
para ajudar

por dentro há o oco,
preenche tudo sem preencher nada
e o que somos pra fora, não tem nada a ver
com o que somos.

Mas só existimos por causa deles, dos outros
nos vemos através deles, erramos através deles
então que seja
abaixo o impossível

faço dessas palavras sem nexo e sentido
meu atestado de lucidez.

.

quinta-feira, 10 de março de 2011

THE END- CURTA METRAGEM





The End faz parte do Projeto AMORES  de Helio Ishii
The End: 
de: Renata Mizrahi
com: Marilene Grama e Osvaldo Gonçalves
Dir: Helio Ishii
Dir Fotografia: Erick Mammoccio

quarta-feira, 9 de março de 2011

JOAQUIM E AS ESTRELAS PELO RIO

Minha peça Joaquim e as Estrelas vai rodar o Rio em Março nos Sescs e em Abril nos Sesis
abaixo a programação de março
avisem aos amigos =)





LOCAIS EM MARÇO

SESCs (sempre às 16h)
12/03 – Madureira
13/03 – Nova Iguaçu
19/03 – Caxias
20/03 – Ramos
26/03 – Eng. De Dentro
27/03 – São Gonçalo

ABRIL - SESIS - CIRCUITO CBTIJ
10/04 - domingo - Unidade Duque de Caxias
15/04 - sexta - Unidade Macaé
16/04 - sábado - Unidade Campos
17/04 - domingo - Unidade Itaperuna
30/04 - sábado - Unidade Jacarepaguá


Joaquim e as Estrelas é uma peça infantil inédita da autora Renata Mizrahi com direção de Diego Molina e co-direção de Gisela de Castro. É um projeto da Cia Teatro de Nós com parceria da Zucca Produções Artísticas.A recebeu o patrocínio do Oi Futuro e estreou em Julho de 2010 no Oi Futuro em Ipanema no RJ. Recebeu prêmio de melhor texto no  Prêmio zilka salaberry 2010. Foi indicada a 4 categorias no prêmio Zilka Salaberry de teatro Infantil 2010 : melhor texto (Renata Mizrahi), melhor ator (João Velho), melhor atriz (Elisa Pinheiro), melhor iluminação (Anderson Ratto). O texto também foi finalista do concurso nacional de dramaturgia Ana Maria Machado 2009 realizado pelo CEPETIN - Centro de Pesquisas e Estudos do Teatro Infantil.


É o primeiro infantil da autora Renata Mizrahi. Com música original de Isadora Medella e Renata Mizrahi, a peça tem 60 minutos de duração, e conta a história de um menino, Joaquim, que é apaixonado pelas estrelas. Porém elas estão muito tristes, pois a maioria das pessoas deixou de olhar para o céu. Sentindo-se desvalorizadas, as estrelas começam a se apagar e Joaquim fica desesperado. Deixa de comer, de ir para escola, de brincar. Até que numa noite, ele sonha que uma estrela lhe diz que se ele quiser muito que elas voltem, as pessoas deveriam voltar a olhar para céu. Joaquim, então, tem a missão de fazer com que as pessoas dêem importância para o céu. Aos poucos as estrelas vão voltando a aparecer e Joaquim diz o nome de cada uma, mostrando a todos o quanto gosta e sabe sobre elas. Mais uma vez, o céu fica todo iluminado e Joaquim consegue que todos voltem a valorizá-lo.

O ator Leandro Muniz (substituindo João Velho) vive o personagem Joaquim. Também estão no elenco Elisa Pinheiro, Renata Mizrahi (substituindo Gisela de Castro), Morena Cattoni, Marcio Freitas, Peter Boos e Carolina Godinho. A peça também conta com cenário de Doris Rollemberg e figurinos de Mauro Leite

Focado no público infantil é uma peça também para toda a família, na medida em que o texto resgata de forma divertida a alegria de compartilhar a beleza que está ao alcance de todos. Uma peça que se propõe a fazer uma reflexão sobre o papel do teatro infantil, que tem a grande função de formar platéia e opinião a partir de trabalhos de qualidade que além de entreter possam educar.

quarta-feira, 2 de março de 2011

F!

O tempo passa e ainda assim tem gente que não entende nada.

Nem sempre a música pode ser ouvida ou sentida se não estivermos atentos.
Esse é só um modo de ver a vida
De tantos expostos e oferecidos como mercadorias banais
Mas sem desespero porque o tempo pode mudar
Salvem os que sabem dançar
Salvem os que sabem olhar além e realmente enxergar
Talvez o tempo para esses passe de modo diferente
E quem sabe a música não cessará.
É só um ponto de vista
De tanto milhares
Mas um ponto pode até imperar soberano em reinos mágicos
O carnaval se faz presente, mas a alegria é interna
Mil vezes cantar por dentro
Mas todo disfarce é legítimo se vem com promessas de esperanças
Falso são os que tem medo e julgam para não serem julgados
Se escondem em teoremas pós-graduados para não se exporem ao mundo e sentirem a vida escorrer pelas veias, com todo o pacote: sofrimentos, paixões, alegrias, medos, tristezas, tesão.
A alegria genuína é uma aquisição rara e para obtê-la é preciso se esforçar
Foram-se tempos das egóicas crises do próprio umbigo
É fácil apontar, difícil agir.
Vieram os tempos de heróicas tentativas
Para o riso ser honesto
E que o amor seja mesmo piegas
E seja mesmo cafona
E seja mesmo
Porque às vezes é até bom
Ser sem se preocupar
E para aqueles que olham de cima, possuidores de uma verdade medíocre
Digamos
FODAM- SE!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

LINHAS

O tempo passa e lá são vão palavras soltas

tapeiam a história fingindo-se donas
escondem seus erros
como senhorinhas frágeis
atadas às surpresas após as curvas.


Cada passo motiva a trama
revela planos impulsiona
sou eu que escrevo o drama
mas é ele que me engana.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SIMPLES CANÇÃO

Quais os sinais eu posso acreditar

quando ainda sonho com você
apesar de tentar tanto esquecer
e ofuscar esse amor com mil coisas a fazer


essa canção é muito simples
não pretende ser maior
fala de alguém já se foi
viajando para longe
mas por dentro não consegue se afastar


O que se faz quando se ama
e não se pode aproximar


nem o tempo é perfeito
quando trabalha para o acaso nos juntar

chorar não é nenhum apego
é a lembrança que se vai
se despedindo lentamente
cada imagem é a saudade
que o presente luta para se livrar

o que se faz ao acordar
quando no sonho tudo é bom
integrados em assuntos como amigos ou amantes
abrir os olhos é tirar a dúvida com a ilusão

O que se faz para esquecer
quando a memória quer ficar

é tentar seguir em frente
subindo e descendo para quem sabe um dia a história se fechar

.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

SEM MAIS

Não queria, mas é assim, necessário.

Porque às vezes é preciso parar,
Senão ficam apenas fantasias
Com doses de dores em frascos de ilusão.


Se tivesse o mínimo, talvez faria o contrário
Mas nem o mínimo me é concedido
Negocio meu destino para não me perder
Em falsos encantos, certeiras ciladas


Faço uma balburdia em copo d'água
Me surpreendo com minhas próprias profundidades
Não consigo lhe dar com o “não”
Mas o aceito sem contestar


Envergonhado fico com esse sofrimento
Como se ele não me fosse de direito
A fraqueza é involuntária
E o desejo uma obsessão

Só me resta seguir numa única direção
Ela me guiará para o lado oposto
O outro lado
O lado de lá

E, lamentando, um dia esquecerei
Talvez duvidando do próprio esquecimento
Ou injuriando-o com manhas infantis
De quem não obteve o que gostaria

Mas o que consola é que nem sempre a malcriação faz sentido

E muitas vezes a manha não tem razão
Então vou, lançando-me em mistérios
Quem sabe, sem mais, consigo
Ir sem olhar pra trás

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

SEM PRETENSÃO

O amor é o existir com temperos finos.
É o gás, o combustível, o essencial
É a simplicidade, como esse pequeno ensaio
O que falta no vazio
Oportunidade



O amor também é sofrimento prolongado
Do apaixonado
perguntando como desapaixonar
É tentar selecionar as lembranças para não se auto machucar

O amor é o encontro passional
Mas o permanecer é maturidade
É construção que vem do nada
Até levantar uma cidade

O amor é liberdade
Integração
É fantasia sexual
É fantasia solitária
É fantasiar a fantasia
Imaginação

É sorrir com olhos
É permissão
É carinho
É gostoso
É bom

O amor é escrever essas palavras
Sem necessariamente amar
Porque se não acreditar no amor
Ele nunca virá

...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O MENINO QUE GOSTAVA DE LER

Esse continho faz parte do projeto  "O LIVRO QUE EU LI"
um texto infantil que estimula a literatura para as crianças.
Vamos fazer uma única apresentação na Colônia de Férias em Vila Cruzeiro
 essa quarta, dia 26, às 19 horas.
Aproveitando que estaremos lá, vamos homenagear Otávio Júnior, morador de Vila Crizeiro,  que dedica sua vida ao estímulo da leitura. Eis o continho abaixo baseado em seu depoimento para  Saraiva
A peça ( O Livro que eu li), é um projeto para as escolas/Ongse todos aqueles que tem interesse nesse trabalho...



Ele era tão menino, igual a todos os outros meninos

Na comunidade onde morava tudo era sempre igual

Não tinha outra diversão, senão jogar futebol.

E era isso que o menino fazia, todo dia, ele ia, ao campinho central.



Um dia, a caminho do campinho, o menino teve uma visão.

Não foi atrás da árvore, no topo da montanha, além do arco-íris.

Foi dentro de um lixão

O menino viu, com seus próprios olhos.

Não era uma lâmpada do Aladim, nem um bilhete premiado.



Era um livro. O livro do Don Raton

O menino, hipnotizado, pegou o livro na mão.

E naquele minuto ele já não era um menino como qualquer outro menino

Naquele minuto tudo mudou.

Voltou para casa, a chuva caiu, o tempo fechou.

Enquanto esperava melhorar, o menino leu.

Leu, leu, leu, leu e... terminou.



Dentro dele algo aconteceu.

Respiração forte, adrenalina, muita emoção.

Chorou, riu, pulou, berrou, silenciou!



Ficou com fome. Muita fome. Fome de mais história.

Queria imaginar mais, rir mais, chorar mais e mais e mais...



Procurou algum livro dentro de casa, mas seu irmão lhe falou:

“ Pra que você quer ler? É tão chato...”

“Chato? Chato por quê?”

“ Ué? Porque é obrigação”

Obrigação? - o menino pensou- como pode ser obrigação algo que é tão legal?

Não entendeu. Será que o livro que leu era uma exceção?

Tinha que saber. Tinha que ler.



O menino, pela primeira vez saiu da comunidade.

Foi se embrenhar na cidade.

Enfrentou, carros, ônibus, bicicletas, caminhão.



Ouviu falar de um lugar onde as pessoas iam só pra ler.

Eram as Bibliotecas! Ele precisava conhecer!



Desse jeito, o menino conheceu a cidade do Rio de Janeiro.

A biblioteca Nacional, ficava no Cinelândia, a Estadual na Av. Presidente Vargas

e o Museu República, tão lindo, no Catete.

Ele passou a ler o dia inteiro.



Conheceu um monte autor genial

Era o menino descobrindo a Literatura Nacional.



Percebeu que na escola era um dos poucos que gostava de ler.

Foi aí que o menino passou a escrever.

Queria dizer para seus amigos que a leitura não era apenas uma obrigação.

Podia ser sim uma grande diversão.

Imagina descobrir lugares desconhecidos, personagens fantásticos, histórias engraçadas, emocionantes e até de terror?

E para isso não dependiam de nada. Apenas de querer.



Foi aí que surgiu O Livro Encantado.

O primeiro texto que o menino escreveu.

Ele mesmo fez o cenário com a própria mão, utilizando papelão.

Era uma importante produção.



Todo mundo adorou. Principalmente os professores de literatura.

A peça do menino falava da alegria de ler.

E os alunos foram ficando curiosos, querendo entender.

Pediam livros emprestados para saber.



Eram tantos alunos que os livros foram acabando

E aí, o menino conseguiu que as pessoas fossem doando.



Pronto! Sua vida fazia sentido.

Percebeu sua missão.



A partir desse momento, o menino não parou mais

Começou mais uma empreitada

Incentivar a literatura em todo o Rio de janeiro.

Começaria na sua região: Vila Cruzeiro


O menino foi crescendo e ficando cada vez mais esperto.

Ia a todo evento de leitura que sabia, sendo longe ou perto.



A cada dia, o menino conquistava mais seu espaço

Recebia mais doações e montou um acervo.

Não havia nada que o impedia de crescer.

Deu o nome do projeto de ler é 10 e nem sem dinheiro , ele deixou de acontecer

O projeto está em expansão e já conquistou o Complexo do Alemão.

Um dia pretende conquistar toda cidade.

Já atende a mais de 20 comunidades.



Hoje sua vida é realmente uma alegria

até porque a criançada adora ler mais poesia

É a ebulição cultural na periferia.



Viva o menino Otávio Junior!

Nos mostrou que a vida pode ter muita fantasia!


http://www.youtube.com/watch?v=k_8EH6KtxNE&NR=1


Projeto O Livro que eu Li

Texto: Renata Mizrahi
Concepção: Natasha Corbelino e Renata Mizrahi
Direção: Morena Cattoni
Elenco: Dulce Penna e Natasha Corbelino
Voz em Off: Luíza Alexander
Projeto Visual: Letícia Rumjanek
Músicas: Renata Mizrahi
Arranjos: Alberto kuri
Trilha sonora: Bruno Alexander
Produção: Natasha Corbelino

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

CARTA AO VENTO

Às vezes, só somos dignos dos nossos olhos quando realmente enxergamos.

Consigo ver tudo aquilo que eu não vi.
Você me dizendo “não” através de palavras disfarçadas de cuidados delicados.
Palavras que me confundiam, estando eu, cega.
Me faziam atirar meu corpo, diversas vezes, em chãos de cimentos, com ilusórias pretensões de te fazer mudar.
Mudar? Coitados daqueles que não conseguem enxergar. Talvez por medo da falsa solidão - compartilhando a ideia de que a solidão é falsa – trocamos a plenitude existencial pelo vazio a dois.
Tantas vezes te coloquei (metaforicamente) no colo e fui incapaz de ouvir seu suplício, o seu “Para!” o seu, “Se afasta!”. Ao contrário, quanto mais você gritava no silêncio, mais recebia meu carinho, talvez esse, o meu suplício.
Não vi, não ouvi, não falei. O meu calar sentenciava minha dor e alimentava o nosso fim.
Imaginava o seu momento ideal. O momento do “tudo mudou”, “tudo vai ser diferente”, “Você, finalmente, terá o lugar que merece.” Imaginar, nesse caso, não é um verbo. É um substantivo que prolonga o não agir.
Mas não há culpa na crueldade quando ela vem da egoica carência.
É somente pena perceber que poderíamos viver o nosso tempo de outra forma.
Mas se a tristeza é tão eficaz para o crescimento, então, sinceros agradecimentos.
Agora que enxergo já posso realmente amar. Esse sim, verbo tão necessário.

.





terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O CORPO

O tronco é todo faísca
detonador de raios
horas aceso
elétrico
magnético






Os olhos comprimem águas
de memórias futuras
fecham e abrem
agindo no escuro vazio
esperançosos com a a sonhada visão




A pele enrijece
arrepia
solitária
uiva no silêncio
à espreita de qualquer chance
que possa surgir sem avisar


O coração em disparada
quase sufoca
não aguentando o rojão
e o mistério
eleva com toda força
a batida desvairada
e disrítmica


Os pés estão perdidos
e andando em círculos
entortados
temem o caminho
paralisam
acimentam o medo


Das mãos saem química
explosiva de alta tensão
sofrem
com o não tato
se metem em lugares ermos
úmidos
sombrios


O ventre absorve
os fatos
grita
geme
morre
vive


A cabeça
Ah... cabeça...
pira
feito pião
quando tá para parar
tentando se manter por uma base fina
roda e cai, sem cessar...

...

domingo, 9 de janeiro de 2011

RE COMEÇAR

Um passo

e a lembrança diz

cresça

não se perca

em dispersivos

encontros com a nostalgia



perceba

a história que se faz torta

em pingos soltos de lucidez

seu caos pode virar sua ordem

se olhe

se veja

se conheça

se respeita

se toda

se inteira

no céu com diamantes



e o sol

sol sol

da sua terra

sua herança

que quer te arrancar de casa

a qualquer custo

deixar -se

coragem na dor

algo na chuva diz

mova-se

Re comece

...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

DESNUDO

Dentro o inferno e o céu travam uma luta

A derradeira , a grega, a loucura toda
jorra, domina , paralisa, feito bruxa solta
em escola de criança aprisionada
querendo sair, sem correr
aprendendo no vazio, no silêncio
e chorando aos cantos
sentindo sob a pele a verdade toda errada
que manda sofrer
mas não faz nada
por não saber.




É a sina dos perdidos desvairados
entregues às almas aparentadas dos escritores
dos seculo XIX
ainda hoje, tão distante e tão próximos
de tudo isso misturado
a evolução mal resolvida
os dogma, conceitos e regras malditas
que paralisam a fluidez que não existe
nem nunca existiu.
Apenas fantasias
anseios
assombros
desejos inacabados
e dores.


Também há sombra na beleza
sorriso na escuridão amedrontada
chamando a atenção em vão
através de grunhidos soltos na noite
pesadelo dos mal intencionados
famintos por amores incompreendidos
se acalmam e morrem de insatisfação
exterminam a pulsação movedora da existência
para não se deparar com o não
com a dúvida
com o nada.

...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

VOCÊ DEIXEI. EU PARTIU

Daqui de longe eu vejo

todas as possibilidades lançadas , jorradas ,
perdidas, soltas.


Daqui eu vejo a coragem soterrada
a alegria intimidada



Daqui de longe, longe
afastada, eu sinto, eu lamento
eu, medíocre, percebo


Eu finjo
Eu lembro
Não querendo, desejo


Daqui não me tens
Não terás
Não serei
Não serás


Daqui, dali
Eu ouço
Eu falo
Eu tremo
Eu, química, anseio


Daqui sou ontem
Daqui és passado
Presente pensando
Futuro fantasiado


Você deixou, eu fui
Você foi, eu deixei
Você te deixou
Eu me fui



... e eu queria te dizer que...



.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

EU PODERIA TE.


Seria lindo se.
Um pouco triste de.
Mas o que foi é.
E o que ficou vai.


Talvez um dia em.
Sem planejar por.
Nem cultivar a.
Somente estar pra.


Às vezes é, mas.
Pra não cair na.
E acalmar o .
É bom cuidar do.


Mesmo com.
Nos leve ao.
Tentando que.
Chegando no.


...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CELEBRAÇÃO

Vamos voltar a celebrar a nossa união e o nosso tempo.
O tempo da nossa alegria e felicidade.
O tempo das nossas músicas e poesias.
O tempo de natureza e simplicidade.
O tempo da nossa amizade.
O tempo dos nossos olhares, o tempo das fraquezas, desabafos e da cumplicidade.
O tempo das fotografias e das filmagens.
O tempo do nosso vazio e do nosso silêncio.
O tempo que foi o nosso tempo.
Também vamos celebrar o tempo da nossa infelicidade.
Porque nela houve a tentativa de resgatar o outro tempo.
E na tentativa ouvimos a voz que vem da alma e ela nos disse que já foi o nosso tempo.
E só porque nossas almas estão felizes e nossos corpos respirando,
viveremos um novo tempo.
Seremos um dia amigos e será um grande encontro!

.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A BELEZA (para mim)

A alegria está na simplicidade
e a simplicidade, na delicadeza

Viver é perceber a sutileza
que se esconde atrás de cada fenda do segundo

Cuidar da sensibilidade
é estar em plenitude com a beleza.

Saber amar é o mesmo que felicidade
e a felicidade é valorizar

O choro limpa o medo da alma.

Ouvir a alma é dormir em paz.
 
 
(amém)
 
http://www.youtube.com/watch?v=7t-q2YqUvAo

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O ESSENCIAL É O QUE FICA

Pedi pro céu
Não me afastar
Do seu olhar
Sozinho
Improvisei
Um outro amor
Pra te mostrar
O meu caminho

Volta pra cá
Eu vou saber
Recompensar
E desfazer
As suas mágoas...

Foi tanta água
Que saiu de mim.

Agora eu vou
Até o fim
Dessa canção
Quem sabe assim
Um dia volto
A te fazer
Feliz ...

O que ficou
Não foi a dor
Nem seu olhar
Perdido
Foi um grande amor
Que eternizou
O essencial
Tão lindo.

.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

SIGA

A gente acha que a saudade acaba

Mas ela fica guardada, escondida

Brincando lentamente com o tempo

Que é para a lembrança não transbordar.


Quando sugere, a gente segue

Quando aparece, a gente finge

Quando chega, a gente cala


Mesmo o ser mais alegre quando tem uma brecha, chora

Toda a porta que se fecha deixa uma fresta

Por onde passa a memória

Que nem sempre escolhe a melhor hora do destino

E, faceira, teima em se revelar



Quando sugere, a gente finge

Quando aparece, a gente cala

Quando chega,



A gente segue.
 
...

DESACELERAR

Corre corrente corrida

A vida já passou e eu não vi

Por que esse passo esbaforido,

Se na verdade tudo chega no seu fim?


Pressa se apressa e não dispersa

Nosso tempo tá sem tempo de parar

Não olhe pra trás nem um segundo, meu amor

Se não a sorte pode até te atropelar


Plano planejado que plana por aí

Planeja um dia se realizar

Vivendo atrás dos bons e velhos ventos

Que sopram mesmo para nos fazer sonhar


Enquanto corro faço essa canção

Quem sabe um dia ela até possa tocar

Talvez o casamento da letra e a melodia

Seja a alma do samba no altar


Enquanto o povo anseia

A música é que acalma

E é só ela para me desacelerar

.